Especial Final Zone – Parte 2 de 3: Final Zone II

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Confira a Parte 1 AQUI!

Por Sam Derboo em 9 de junho de 2013

Final Zone II (ファイナルゾーンII) – PC Engine / TurboGrafx-16, Windows (1990)

Mesmo com o Final Zone: Wolf sendo um fracasso, seu legado ainda persistiu por mais duas continuações. Final Zone II saiu no formato PC Engine CD em março de 1990. Aparentemente, a Telenet tirou a franquia das mãos da Wolf Team e a entregou para para o seu time interno Reno, já que não existem referências ao estúdio original (nem mesmo nos créditos). No caso de Final Zone II, a intervenção corporativa acabou se pagando, pois o jogo é bem decente. Bem, é decente no padrão Telenet, que fique bem claro, logo este não é um clássico atemporal e tem uma boa porção de problemas.

Como muitos dos primeiros jogos japoneses em CD, Final Zone II utiliza muitas cutscenes feitas em pixel art, incluindo dublagem em todas as cenas. Em teoria isso seria uma coisa boa, mas a localização em inglês está sem dúvida entre as 10 piores dublagens de vídeogame de todos os tempos. Fica óbvio que nenhum dos dubladores estava nem aí com seu trabalho, pela completa falta de emoção e timing natural em suas falas. Mas não dá para realmente culpá-los por não levar à sério um script com tanta bobagem e estupidez como este com que eles tiveram que trabalhar, com falas sem sentido e frases mais bregas do que a história de amor nos episódios 1-3 de Star Wars. A dublagem é tão ridiculamente ruim que torna a cômica a coisa toda. Realmente você tem que ouvir para crer o quão ruim ela é. Pare ouvir o que for que você estiver ouvindo antes de começar a ouvir o sample em MP3 mais abaixo – o efeito da cena só é completo com um silêncio constrangedor ao fundo.

Composto somente de fatos fictícios, o enredo não é tão estúpido quanto da maioria dos jogos de ação estilo anime dos anos 90, mas o jeito que ele se desenrola deixa cada vez mais buracos na história, e especialmente as referências ao primeiro jogo, que são meio forçadas (e incompreensíveis para aqueles que não o conhecem) algumas vezes. Na abertura, o capitão (apesar de se referirem à ele às vezes como coronel) Bowie e seu novo esquadrão estão prontos para lançar um ataque do espaço sideral à uma ilha remota, onde eles receberam a ordem de por fim à uma rebelião. Mas sua nave é atacada, ficando com um enorme buraco na fuselagem e sugando toda a sua tripulação para o vácuo (por que o ataque tinha que ser lançado do espaço, aliás, fica completamente sem explicação, já que outros personagens conseguem chegar à ilha por meios convencionais mais tarde). Sorte que eles estavam vestidos com suas armaduras de combate, e os sobreviventes conseguem descer no planeta. Depois de uma luta contra Dakota Bomber, seu velho amigo revela para Bowie que ele recebeu a informação de que eles eram os rebeldes (este é o diálogo do MP3 abaixo). Isso leva Bowie à investigar uma terrível conspiração…

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A Telenet desistiu de toda a idéia de esquadrões táticos, e ao invés disso você escolhe apenas o personagem que irá controlar diretamente em cada missão. Nas três primeira fases o seu personagem é fixo, mas à medida que os heróis vão unindo forças contra o vilão, sua seleção vai ficando cada vez maior.

Enquanto os elementos de sci-fi eram esporádicos em Final Zone: Wolf, com os personagens lutando à pé, agora eles usam armaduras especiais de combate, as “New Age Power Suits” (N.A.P. para facilitar – para onde o “S” foi, ninguém sabe). Cada N.A.P. tem uma arma primária e uma secundária. A primeira é de uso ilimitado e de tiro rápido, enquanto a segunda consome munição e é mais devastadora, mas é mais lenta também.

Personagens

Harward Bowie

finalzone2-character-bowieO herói do primeiro jogos está de volta, mas desta vez a missão se torna algo pessoal, já que o inimigo está atrás dele. Seu N.A.P. é equipado com uma metralhadora Vulcan, que permite que ele mude a direção para onde atira enquanto está parado. Uma bazuca é a sua arma secundária.

Momoko Ring

finalzone2-character-momokoMomoko e Bowie se casaram, pelo visto. Ela sossegou e é vista a primeira vez tentando impedir Bowie de ir em sua próxima missão, Mas quando seu marido(?) desaparece, ela segue até a ilha. Antes suas armas eram “knife and her sextial body,” mas agora ela as trocou por um lança-granadas e um rifle que é mais poderoso que armas automáticas, mas precisa-se apertar o botão para cada tiro.

Hanna Franks

finalzone2-character-hannaA única outra sobrevivente da nave, Hanna usa um N.A.P. rosa (claro, já que ela é a única outra mulher no jogo, afinal!) que carrega a mesma Vulcan que Bowie usa, além de um laser com alcance ilimitado. Mas ela não tem nenhum papel no enredo do jogo.

Randy Hansen

finalzone2-character-hansenRandy aparece para dar à Momoko infoRmações e uma N.A.P. para que ela vá atrás de Bowie, e de forma não tão chocante revela que o irmão dela ainda está vivo. Seu tiro que se espalha é de longe a arma mais eficiente do jogo todo, mesmo que o seu alcance seja um pouco curto. Isso é conpensado pela sua arma secundária, um lança-mísseis que funciona de forma similar à bazuca de Bowie, mas atira por quase toda a tela.

Izak Velder

finalzone2-character-velderIzak Velder é o irmão da Momoko, que parece ter sido morto no fim do primeiro jogo. Acontece que ele fez todo mundo acreditar que ele estava morto para entrar numa unidade de investigação super secreta. Seu V.A.T. é equipado com o mesmo laser da Hanna, e um sabre de luz feito de bolas azuis, que é muito legal em movimento e faz mais dano, mas seu alcance curto torna perigoso usá-lo.

Alif Ruman

finalzone2-character-rumanEste cientista louco quer ser vingar de Bowie, que o envergonhou destruindo sozinho a sua super-arma em seu teste final ao público. Desde então, ele quer ver o capitão morto, e agora ele colocou uma ilha toda em guerra para conseguir sua vingança.

 

Final Zone II é um jogo “run-‘n-gun” típico, visto de cima. Diferente do primeiro jogo, os inimigos tem posições iniciais fixas e números fixos, e agora você pode atirar em oito direções. Há até sprites diferentes para quando se está virado para a esquerda ou para a direita, ao invés de espelhá-las, mas há um efeito colateral, quase todas as armas são disparadas de fora do centro, o que leva algum tempo para se acostumar. Na terceira fase, Velder pega um helicóptero para ir do continente até a ilha, uma jornada em forma de uma fase de tiro vista de cima com scrolling forçado. Como todo o resto do jogo, isso não é nada muito especial, mas é uma distração bem-vinda da rotina geral.

Powerups agora são visíveis e são deixados pelos inimigos. Os mais comuns se alternam entre as letras “B” e “H,” onde o primeiro é munição para a arma secundária e o segundo recupera um pouco da sua energia. Há também uma variante mais rara, com a letra “P” para recuperação total e “S” para estender a barra de energia do personagem atual até o fim do jogo. Desnecessário dizer que a segunda tem mais vantagens à longo prazo, enquanto “P” pode te salvar em situações mais desesperadoras. Uma barra de energia totalmente desenvolvida é bem grande, mas ainda é possível morrer rapidamente. Tiros normais custam apenas um ponto, mas explosivos e lasers dão dano enquanto encostarem na sprite do jogador. Na última fase, Ruman mostra as suas bio-mutações, que obviamente cospem ácido e são ainda mais perigosas. O monstro enorme no final é uma luta impressionante – fora isso, seus adversários são geralmente os esperados tanques, aviões e soldados à pé incrivelmente persistentes.

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As músicas são uma decepção para os fãs da Wolf Team. A mídia em CD permitiu a inclusão de duas músicas J-pop dos anos 90 com vocais, que foram redubladas na versão em inglês, obviamente com letras esdrúxulas como o resto do jogo. Muitas das outras músicas são no mesmo estilo tradicional de trilha sonora de jogo, mas são vindas direto do chip, com seu som de sintetizador é meio fraco. Há alguns elementos bacanas, como uma música no estilo surf rock, mas o resto é bem sem graça. Outra coisa interessante é que não existem faixas específicas para cada fase, mas sim temas individuais para cada personagem.

Apesar de ser certamente melhor que o primeiro jogo, sua completa mediocridade teria levado o Final Zone II ao esquecimento, se não fosse a hilariamente péssima dublagem em inglês. O jogo continua sendo exclusivo para o PC Engine, e nem sequer deu as caras no Virtual Console da Nintendo. Apenas o serviço japonês de downloads Project Egg tem o jogo em um pacote emulado para rodar no Windows.

MP3

Exemplo de diálogo em inglês

Música

Fotos

Vídeos

Long Play PC Engine:

Longplay TurboGrafx-16:

Semana que vem: Final Zone do Mega Drive!

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