Fight! Hi no Tori – Parte 1: Famicom

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Por Garrett Greenwood – 21 de julho 2017

Hi no Tori Hououhen é o quinto volume do famoso manga escrito por Osamu Tezuka, que começou em 1987. (“Hi no tori” literalmente significa “pássaro de fogo”, enquanto “hououhen” siginifica “Phoenix edition” [N.T.: Edição Fênix]). Konami desenvolveu dois jogos, ambos lançados em 1987, baseados na série, apesar deles terem tomado grandes liberdades com o material original. O jogo para NES é um jogo de scrolling lateral, enquanto o jogo para MSX2 é um jogo de tiro vertical. Ambos foram lançados por volta do mesmo tempo que um filme em anime foi lançado sobre o mesmo capítulo.

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Gao no filme de anime

Ambos os jogos conta a história de Gao, um homem com um braço só que no passado era um assassino impiedoso que matava e roubava ao bel prazer, mas um acontecimento mudou sua vida para sempre, quando ele matou sua própria esposa devido á um mal-entendido. Há também um outro personagem no manga,  Akanemaru, que esculpiu uma enorme fênix, que serve de peça central nesta história. Mas já que ele é mais um artista do que um personagem apropriado para um jogo de ação, Gao foi colocado como personagem principal e algumas outras coisas mudaram para poder colocá-lo no centrol da trama.

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Hi no Tori (Famicom)

Para pagar pelos seus erros, ele começa à viajar como monge, esculpindo gárgulas. Um dia, o Imperador decreta: “encontrem-me alguém que possa esculpir a Fênix”. Então Gao cria a sua obra-prima, mas ela é roubada e dividida em 16 partes. Então Gao parte em busca destes fragmentos para poder remontá-la. Para aqueles que não leram o mangá, Gao nunca esculpiu a Fênix ou recebeu tal ordem de fazê-la. É na verdade outro personagem, Akanemaru, que esculpe a Fênix.

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Hi no Tori (MSX2)

Vale notar que existe pouquíssima ou nenhum texto ou história nos jogos em si. O volume Karma volume e todos os outros volumes Fênix consistem em histórias incrivelmente complexas, que apresentam uma multidão de personagens e eventos. Seria quase impossível colocar isso tudo em um único jogo de NES devido as limitações do hardware. É quase como se o desenvolvedor tivesse decidido que era impossível adaptar a história e simplesmente fez o que quis com ela.

Hi no Tori Hououhen: Gao no Bouken (火の鳥 鳳凰編 我王の冒険 ) – Famicom (1987)

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Capa do Famicom

Hi no Tori para o Famicom pode usar a história de Gao, Hououhen, acomo base, mas também conecta à outros volumes: Amanhecer,  Futuro, e Yamato (o primeiro, segundo e terceiro, respectivamente) através de viagem no tempo. Você começa em Yamato por seis fases, se teleporta para Amanhecer por outras três, se teleporta para Futuro por mais seis, e volta para Yamato para a última fase. Ao fim de cada fase, há geralmente um chefe ou um quebra-cabeça esperando por você. Ao fim, você recebe uma peça da Fênix e vai para a próxima fase. Estes são os princípios básicos dos jogos de plataforma, mas Gao no Bouken é sobre andar em círculos. Por exemplo, quando você termina a sexta fase de Yamato, você é mandado para o começo do jogo. Obviamente você não terminou o jogo ainda. Como você acaba por descobrir, existe um número de portais escondidos que vão e voltam entre os mundos, até você chegar na última fase.

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Hi no Tori (Famicom)

O ataque principal de Gao’s é atirar lanças. Ele também pode dar uma pancada no chão pulando e pressionando para baixo quando você aterrisa, o que pode destruir vários terrenos e revelar coisas secretas, como estes portais. Gao também pode esculpir gárgulas ao se apertar para baixo + B, que você pode usar como plataformas pelo cenário para acessar áreas mais remotas. Infelizmente, o controle é um pouco estranho devido ao controle limitado do NES. Por causa disso, você não pode atirar lanças quando estiver agachado, mas pode atirá-las verticalmente. Se acostumar com a criação de gárgulas pode ser bem complicado, já que você pode materializá-las em pleno ar quando estiver sobre um abismo. Se você errar, morre. Os movimentos de Gao também são um pouco desengonçados, já que ele desliza um pouco, o que torna fácil escorregar para fora das bordas das plataformas. No mundo do Amanhecer, há ainda uma fase de gelo, que piora ainda mais este problema.

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Hi no Tori (Famicom)

Você só tem um número limitado de gárgulas à disposição, mas o jogo te dá a chance de ganhar mais, matando inimigos. Quando eles morrem, eles te tornam gárgulas que deslizam pelo chão e que você pode pegar. Você perde a sua chance se elas caírem num buraco ou baterem numa parede, o que faz com que elas virem pedra. Cada fase também tem baús de tesouro com powerups, que você pode abrir atirando neles. À vezes eles caem do céu e você precisa acertá-los em pleno ar, ou irá perdê-los.

Existem alguns pontos em comum com o mangá, pelo menos. Ao fim de cada fase, aparece uma tela mostrando uma imagem da Fênix ficando completa, à medida que você obtém mais peças. Uma vez completa, ela se torna uma recriação da pintura que aparece no mangá. Alguns dos inimigos são monges carecas e bandidos que se parecem com algo do mangá. Mas o resto é composto mais por criaturas mitológicas, algo pelo qual o mangá não é conhecido, além da própria Fênix. A única exceção à isso é que o último volume do mangá dá enfoque mais mitológico à história.

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Hi no Tori (Famicom)

As primeiras fases em Yamato parecem bem estranhas e te fazem pensar se o jogo não está bugado. O design tende à ficar cada vez melhor à medida que você avança no jogo. As fases do Futuro são particularmente impressionantes, com uma bela paleta de cores escuras, planetas distantes, estrelas piscando e estátuas de deuses. Tem um apelo um tanto cósmico. Vocè acaba enfrentando um super computador, que revela um logo da Konami quando derrotado. Apesar do logo, isso é de certa forma fiel ao mangá, pois no volume do Futuro, o mundo é destruído por dois super computadores se enfrentando. Quando você finalmente acha o seu caminho para a última fase, você volta para Yamato, no meio de uma erupção vulcânica. Isso é feito com bom nível de detalhe, com vários vermelhos, marrons terrosos e com a tela balançando. Apesar de não chamar muito a atenção, a música está no nível típico da Konami daquela época. Algumas das músicas tem uma influência asiática, o que encaixa bem, já que muito do jogo se passa no Japão medieval. Um dos compositores é Hidenori Maezawa, que é um dos compositores mais prolíficos da Konami.

Com o tema de viagem no tempo, Gao no Bouken não é realmente fiel aos temas do mangá, e os controles complicados tornam o jogo difícil de se jogar. O design não linear é bem diferente de qualquer outro jogo de plataforma da época, e é uma reviravolta bem-vinda, que muda a experiência completamente.

Galeria

Vídeos

À seguir: Parte 2 – Hi no Tori do MSX2!

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