Fight! War of the Dead 2 MSX vs. PC-88

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Shiryou Sensen 2 / War of the Dead Part 2 – MSX2, PC-88 (1988)

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Capa do MSX2

Por John Szczepaniak – 15 de Janeiro de 2011

De acordo com algumas fontes, War of the Dead 2 foi primeiramente lançado no MSX2, em 1988, o que o coloca um ano antes das versões do seu predecessor para PC-88 e PC Engine. A versão do WotD2 para PC-88 só viria mais tarde, em 1989. Dada a natureza do desenvolvedor e do hardware, somando-se a falta de informação nas telas de abertura, é difícil de se conseguir uma informação precisa. Ele se passa alguns anos depois do incidente do primeiro jogo (onde Lila consegue impedir que um portal para o inferno consuma o mundo inteiro), e agora terroristas tem como alvo a cidade industrial de Sun Dorado.

A recém-construída usina nuclear de Keel  foi tomada por eles e a S-SWAT foi encarregada de resolver a situação. Com exceção de Lila (agora promovida para Tenente) que pergunta na abertura, porque mandar um esquadrão da Supernatural SWAT para lidar com terroristas comuns? Como o chefe revela, eles encontraram criaturas estranhas nos esgotos – criaturas que não são deste mundo, mas de Hades (a outra dimensão do primeiro jogo), o que significa que quem estava por trás da primeira crise está por trás desta também. Os sobreviventes estão fechados dentro de suas casas. A cidade foi isolada e Lila é a principal candidata para a missão. Logo ela e mais quatro colegas da S-SWAT são enviados para retomar o controle.

Esta continuação tem mudanças radicais comparada ao jogo original, com todos os elementos de RPG sendo removidos. Agora não há nenhum tupo de status, sistema de menus para se navegar, ciclo de dia e noite, mapa externo, ou armas ou itens de recuperação. Na verdade os únicos itens são drogas, que recuperam energia ao máximo e só se pode carregar uma de cada vez, e itens-chaves que fazem avançar a história. A maior (e com certeza a melhor) mudança é no combate: não existem mais combates randômicos. Se passando em uma série de grandes mapas – ao invés de mapinhas apertados ao estilo de RPG japonês, que te transportam para novos mapas ao se entrar em prédios – todos os inimigos podem ser vistos imediatamente. Além do mais, você nunca luta com mais de um inimigo de cada vez. Se há algo hostil m uma nova área, você pode ver a sua barra de energia no rodapé.

De várias formas, este jogo lembra o Metal Gear original, só que mais lento e com maior ênfase em diálogos com os NPCs. Um toque especialmente legal é que você encontra a Carrie do jogo anterior – ela agora é uma jornalista, cobrindo os eventos, e aparece para falar com você e te revelar dicas. Existe apenas uma arma sempre, com apenas um upgrade de munição lá pela metade do jogo que aumenta o seu poder. Mas ainda sim a munição é infinita, e os inimigos, restritos à apenas um por tela, funcionam como uma espécie de mini-chefes mais fáceis. Derrotar certos inimigos maiores resulta num aumento permanente de sua barra de energia, bem parecido quando se liberta prisioneiros no Metal Gear.

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MSX2

Não existe nenhum quebra-cabeça, e o progresso é baseado em exploração e geralmente te fornece a direção. Você recebe mensagens de rádio dos sobreviventes te chamando para prédios específicos, derrota chefes para entrar neles e recupera objetos que permitem avançar no jogo. Nenhum desses é difícil de se achar, e itens-chave, como dinamite, remédios e uma garrafa de gim são obtidos simplesmente se conversando com as pessoas. Às vezes, como no caso da chave da ponte, você precisa ir e voltar várias vezs na mesma área: primeiro falando com o assistente do prefeito, depois com o porteiro, lutar com um chefe na casa dele, voltar ao porteiro, voltar à casa dele, ir à sala de controle do portão, e então seguir em frente.

Nós não incluímos os perfis dos personagens desta vez, já que diferente do jogo anterior, não existem mais retratos dos personagens, e ninguém além de Lila é de grande importância. Apesar de você encontrar e conversar com colegas da S-SWAT, ajudar dois policiais, salvar a filha do prefeito, matar terroristas, encontrar um DJ de rádio e salvar funcionários da usina nuclear, nenhum deles existe para nada mais do que fazer você avançar para o próximo objetivo. Os policiais em particular são algo bem idiota, já que você os encontra um gramado vazio, e eles só aparecem de novo depois para levar o crédito por suas ações.

O texto acima descreve uma mistura e lutas fáceis contra chefes e o simples progresso de jogo por se encontrar o objeto certo, o que provavelmente soa de forma negativa, mas que deixar claro que isso não deve ser entendido desta forma – WotD2 se sai ainda melhor que o seu predecessor em criar uma incrível sensação de clima no jogo. É mais como um livro ou filme onde você deve tomar para si a resolução dos eventos. Você tem controle direto sobre tudo, diferente de um jogo em Full Motion Video, mas há pouco espaço para variação, já que o jogo te leva de uma cena sensacional para outra – e faz isso de uma forma tremendamente boa. War of the Dead 2 é um amálgama de todos os seus filmes  favoritos de ação/terror/sci-fi dos anos 80, especialmente aqueles feitos por John Carpenter (O Enigma de Outro Mundo, Eles Vivem, Príncipe das Sobras), embalados em algo parecido com Metal Gear.

Apesar da tradução não-oficial obviamente perder parte do texto, há ainda o suspense, à medida que há história vai se revelando. Acaba-se descobrindo que toda esta crise foi orquestrada por um casal de irmãos desfigurados que possuem poderes psíquicos como os de Lila – o irmão a descreve como uma guardiã do portal assim como ele. Agora como líderes de um culto religioso estranho, é revelado que a mãe destes irmãos se suicidou à 11 anos atrás, e logo depois disso o irmão matou o pai. Ao longo do caminho, você explora os guetos da cidade e acaba encontrando a casa deles, o que acaba numa situação complicada. Uma boa palavra para se resumir esta aventura é diversidade, já que o jogo constantemente te coloca em novas situações e lugares, fazendo você esquecer da falta de mecânicas de jogo ou da falta de desenvolvimento dos personagens.

O termo japonês para jogos que são mais sobre atmosfera do que sobre mecânicas de jogo é funiki, e isso com certeza se aplica aqui. O ritmo é rápido, o combate é simples mas inofensivo, e o progresso é similar à de uma graphic adventure sem quebra-cabeças, mas tudo que é jogado contra você se apresenta de forma excitante e cheio de clima. Momentos como o em que você descobre a passagem secreta atrás da casa do prefeito, ser preso, impedir uma catástrofe nuclear, usar óculos de visão noturna, explorar um metrô abandonado ou fechar um portal que leva para as profundezas do inverno, são coisas que vão ficar na memória.

War of the Dead 2 pode não ter um apelo aos jogadores atuais, mas para aqueles que apreciar jogos antigos, é uma baita aventura.

Diferenças entre as versões

Os dois jogos são absolutamente idênticos em design. As únicas diferenças são puramente cosméticas e resultado da diferença de hardware. O jogo para PC-88 usa menos cores que a versão para MSX2, mas tem uma resolução maior, o que resulta num campo de visão maior. Mesmo assim, ao misturar pixel de cores diferentes, o PC-88 é capaz de chegar à uma cor equivalente – diminuindo as telas do PC-88 num emulador usando anti-aliasing torna difícil diferenciar as duas versões. A versão para PC-88 também tem a vantagem de uma trilha sonora bem melhor. A música tem um baixo mais pesado e sons sintetizados, fazendo o jogo soar como um filme antigo do John Carpenter – o que só aumenta o clima de filme de terror. Este arquivo zip contém um aruivo de música do primeiro jogo para PC Engine e do segundo jogo para PC-88 (tema da luta com os chefes).

Outra diferença, causada pelo hardware, é que no MSX2 o jogo tem problemas de velocidade. Isso não é resultado de emulação mal otimizada – balas se movem bem mais lentamente no MSX2, ao ponto que você pode disparar e correr atrás da bala, e vai parecer que ela está presa na sua cabeça. No PC-88 os projéteis se movem à uma velocidade bem maior. Fica claro que WotD 2 levava o MSX2 ao seu limite, e infelizmente o efeito colateral disso é que os combates são muito mais letárgicos. Um botão de frame-skip vai te ajudar com a velocidade de movimento se você estiver emulando, mas você vai ter que aceitar um combate mais parado. Claro que apenas a versão para MSX2 está em inglês, sendo ainda a versão definitiva.

Jogando hoje em dia

Graça ao grupo de tradução de MSX Oasis, War of the Dead 2 está disponível em inglês desde 1997. Você pode baixar uma versão já patcheada dos disquetes para MSX2 no site Generation MSX, que roda bem no BlueMSX. Ele está cerca de 98% traduzido, com apenas um punhado de diálogos em japonês deixados incompletos.

Apesar de algumas falhas de design e pelo ritmo lento, WotD2 é um adventure excelente, e um título obrigatório para os retrofãs. Ele pode ser terminado num fim de semana e não existem pontos onde ficar empacado, mas se por acaso acontecer, há um mapa explicativo aqui. Para salvar o jogo em qualquer versão, aperte F1. Os outros controles são as setas de movimento, tiro e tela de inventário.

Fotos (PC-88)

Vídeos

Playthrough MSX2 (Playlist com 9 partes):

 

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