Fight! Spelunker (MicroGraphicImage/Irem, 1983)

HG101_logo_SMALLER

Por em 3 de janeiro de

spelunker-7-e1514996113920

Spelunker (スペランカー) – Atari 8-Bit, Commodore 64, NES, MSX, Arcade, Wii Virtual Console, Wii U Virtual Console, 3DS Virtual Console (1983)

spelunkerfamicom

Famicom

Quando se trata de preferência em jogos, os japoneses tendem à ser um pouco xenofóbicos, com títulos de imenso sucesso no ocidente vendendo muito mal no país oriental. Mas este nem sempre foi o caso, com alguns títulos estrangeiros alcançando aceitação no passado. Jogos de computador como Lode Runner e Boulder Dash alcançaram um grande sucesso, ao ponto de empresas japonesas os licensiarem e reprogramarem várias vezes. Um dos mais curiosos entre eles é o Spelunker, programado por Tim Martin e inicialmente publicado pela MicroGraphicImage, e então mais tarde pela Brøderbund. É um caso estranho, pois não conseguiu nenhum grande sucesso em seu pais natal, os Estados Unidos –  ele foi popular quando lançado nos meados dos anos 80, mas ninguém realmente se lembra dele – mas se tornou um ícone da cultura dos vídeogames no Japão. E isso não se deu por que o jogo é um clássico não-compreendido, obviamente que não – Spelunker é horrível. Mas é um caso fascinante de como um jogo extremamente frustrante, com pouquíssimas qualidades (iniciais) conseguiu de alguma forma se tornar um sucesso, pelas razões mais bizarras.

spelunker-atari2

Atari

Spelunker foi originalmente lançado para os computadores Atari 8-bit e Commodore 64. Assim como o Pitfall II: The Lost Caverns, ele te coloca no papel do não-nomeado “spelunker” do título, que procura por tesouros nas entranhas de uma enorme caverna. Existe um tempo limite, indicado pela quantidade de oxigênio restante mostrada no topo da tela. A única forma de se defender dos fantasmas é usando sua pistola de ar contra eles, o que diminui ainda mais o seu suprimento. os fantasmas aparecem randomicamente, geralmente em momentos inoportunos, e podem te ferrar pra valer. O jogo apresenta alguma não-linearidade ao permitir que você escolha entre diferentes caminhos no começo do jogo, mas na verdade você geralmente acaba precisando explorar e pegar tudo, incluindo tanques de ar para recarregar o seu oxigênio, bombas para destruir rochas, flares para distrair morcegos e chaves coloridas para destrancar várias portas. Existem também, obviamente, vários tesouros, que dão pontos, para serem encontrados.

spelunker-2

NES

Cada passo é perigoso – o herói deve evitar os precipícios, cocôs mortais de morcego, saltar sobre gêiseres de vapor e até lutar contra os fantasmas dos seus infelizes predecessores. Mas o obstáculo mais mortal de todos é o sistema de controle do jogo. Você só consegue sobreviver à quedas mais ou menos da altura do seu personagem – qualquer altura à mais simplesmente te varre da existência e o faz renascer num checkpoint próximo. Isso é incrivelmente abrupto, especialmente pelo fato que você sequer tem o prazer de ver seu homenzinho se esborrachar no chão. Este é apenas o começo dos problemas, pois existem vários detalhes envolvendo o movimento do seu personagem. Talvez seja os anos e mais anos se jogando jogos de plataforma, mas geralmente você consegue andar numa superfície horizontal e contar que o momentum vai te levar pelo menos um pouquinho para frente, permitindo que você alcance a próxima plataforma. Mas não em Spelunker – você cai como uma rocha se houver pelo menos um pixel de espaço entre os pisos, e essa é uma lição que você aprende quase que imediatamente ao pisar para fora do elevador logo no começo.

spelunker-1

NES

Outro problema são as pilhas de entulho que por alguma razão fazem seu personagem pular automaticamente na direção oposta, geralmente para a sua morte. Ou as bombas, que são necessárias para se destruir paredes e podem te matar se você ficar muito perto quando elas explodem, mas não dão absolutamente nenhuma indicação do seu alcance. Ou os tetos baixos que podem ferrar totalmente com seus pulos. E o mais frustrante de todos é como lidar com as várias cordas penduradas nas cavernas. Você geralmente precisa pular para frente e para trás nelas, mas você precisa apertar a direção e o botão de pulo exatamente ao mesmo tempo, ou seu personagem vai interpretar isso como um comando para sair andando da corda e morrerá quase instantaneamente. É também quase impossível saber o quanto você pode descer perto do fim da corda antes de cair dela, o que geralmente resulta em outra morte.

spelunker-3

NES

Quando as versões para Atari e Commodore 64 de Spelunker foram lançadas inicialmente em 1984, elas foram aclamadas pelo seu mundo de jogo aparentemente enorme. Afinal, a maioria dos jogos de plataforma só iam da esquerda para a direita – Spelunker também, mas conta com uma enorme profundidade vertical. Apesar de sere tecnicamente dividido em fases, a transição entre elas é suave, dando a sensação de um único mundo gigante (entretanto, certas versões para computador fazem uma pausa para carregar). Apesar de tecnicamente não ser tão grande – um jogador perfeito pode ver o jogo todo em dez minutos – ele certamente parece grande. As versões para Atari e Commodore são bem similares, com a do Atari oferecendo uma resolução maior  e logo gráficos levemente melhores.

spelunker-6

NES

Apesar das versões originais terem mantido um certo nível de populariade, Spelunker ganhou vida própria quando foi convertido para o Famicom. O jogo original já tinha regras bastante restritas, mas esta versão tornou as coisas muito piores. A distância de sobrevivência de quedas é ainda menor, fazendo o mais simples dos pulos acabar em morte. os controles são ainda mais chatos, especialmente quando se trata de pular entre as cordas, resultando em ainda mais mortes. Foi aqui que Spelunker realmente ganhou sua fama de ser um jogo para verdadeiros masoquistas.

spelunker-4

NES

Alguns podem criticar o jogo por não desenvolver as fases de acordo com as limitações do sistema de controle, como se isso fosse um simples engano. A verdade pode ser ainda pior, com certas fases feitas deliberadamente para frustrar e enfurecer qualquer pessoa que ouse jogar este jogo. é possível vencê-lo, mas requer uma obediência total ao sistema de controle do jogo, e um controle perfeito. Também pode-se curtir o jogo sem ironias, e assim como muitos outros jogos absurdamente difíceis, ele ganhou um status “cult” entre jogadores mais hardcore, que enxergam os horríveis controles do jogo como um desafio à ser vencido.

spelunker-10

NES

Entre as diferenças, apesar do layout das fases ser similar, o fosso do elevador inicial não vai tão longe, e as versões japonesas não precisam parar para carregar entre as fases. A versão original para Atari 8-bit tinha na abertura a música “Pictures at an Exhibition”, de Modest Mussorgsky, mas ela foi trocada em todas as outras versões, inclusive nos relançamentos mais recentes, por uma música mais dramática e sombria. As versões para computador não têm música durante o jogo, somente efeitos sonoros, enquanto a versão para NES/Famicom tem uma música de fundo. Ela é ao mesmo tempo divertida e irritante. Ela está tão arraigada no subconsciente da cultura japonesa de retrogaming que é possível se achar vários remixes dela em CDs oficiais e “doujins”. Ao se terminar a versão para NES/Famicom várias vezes, abre-se outras versões mais difíceis, usando o mesmo layout mas paletas de cores diferentes, com vários aspectos mais difíceis, como tornar as chaves invisíveis, apesar de mantê-las nos mesmos lugares. A Irem também lançou Spelunker para MSX. É praticamente o mesmo jogo da versão para NES, mas con gráficos um pouco piores e com uma velocidade bem mais lenta.

spelunker-5

NES

Quando ele foi lançado para o NES em 1987, poucos jogadores americanos prestaram atenção nele, e os poucos que o jogaram não falaram muito bem dele. Tecnicamente as coisas não eram muito diferentes no Japão – ele não tinha nenhuma característica mística que só os japoneses apreciariam – mas por algum motivo ele vendeu muito bem. Logo ele ganhou a reputação de “kusoge“, odiado por seus controles horríveis, mas ao mesmo tempo admirado pela ser ridiculamente difícil. A reputação do herói virou até gíria, geralmente ligada aos esportes. (スペ体質), “Supe taishitsu” ou “Constituição de Spelunker” significa alguém que se machuca muito fácil, e o verbo “superu” que significa se machucar seriamente devido à algo bem banal, ambos em referência à fragilidade do herói do jogo. Fãs de Beisebol usavam isso para se referir ao jogador player Hitoshi Tamura, do Fukuoka SoftBank Hawks, devido a sua lista absurdamente longa de doenças e contusões.

spelunker-7

NES

Alguns meses antes de lançar a versão para consoles, a Irem também desenvolveu uma versão de Spelunker para os arcades. Apesar do conceito básico e a jogabilidade serem as mesmas, ele foi drasticamente retrabalhado para focar mais na ação e menos na parte de plataforma. Para começar, a arma era raramente utilizada nas verões originais, e era apenas para espantar os fantasmas. Agora é uma arma de tiros mesmo, e as fases estão cheias de inimigos para serem mortos. Nem mesmo os morcegos fazem cocô em você –  eles simplesmente atacam em vôo rasante. Cair não te mata mais, mesmo se você cair de alguns andares de altura – isso só te tonteia temporariamente. O design das fases é similar às do Famicom/NES, e também requer que se encontre chaves para as portas coloridas, mas elas não são exatamente idênticas. Há um foco maior em descobrir passagens secretas, mas a maioria é fácil de encontrar.

spelunker-ending

NES

Os gráficos são bem melhores do que qualquer outra versão, mas o herói agora tem uma uma cabeça grande e cartunesca, e um estúpido nariz vermelho. Os gráficos são muito mais coloridos, assim como o fundo – no jogo original ele era todo preto -sendo um jogo bem menos sombrio, especialmente se considerarmos que ele é muito mais fácil que os outros. Ele cria acaba criando um paradoxo interessante – apesar de ser tecnicamente um jogo “melhor”, ao remover o que o tornava tão único, a versão arcade de Spelunker não tem nada que o faça especial, e acabou sendo mais um jogo de ação/plataforma, só que se passa dentro de uma caverna.

Comparativo de Fotos

spelunker-arcade

Arcade

Mais Fotos (Arcade)

Vídeos

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s