Rent A Hero (Mês do Mega Drive)

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Rent A Hero (レンタヒーロー) – Mega Drive, Wii Virtual Console (1991)

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A SEGA é uma empresa que sempre gostou de celebrar suas conquistas em seus jogos, como pode-se ver nos jogos da série Shenmue, mas ao mesmo tempo nunca teve medo de tirar sarro de si mesma, com no jogo Segagaga. A divisão AM2 da SEGA esteve por trás do primeiro, e cerca de uma década antes, eles fizeram um joguinho para Mega Drive que também era um misto de paródia e celebração: Rent A Hero. Este título não é muito conhecido, pois ele nunca foi lançado fora do Japão. Ele só recebeu uma tradução completa pelos fãs em 2015, quando um membro da comunidade do site ROMhacking.net terminou este longo trabalho e o tornou disponível ao público. O artigo à seguir e os screenshots são baseados nessa tradução.

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Para sermos justos, traduzir os diálogos de Rent A Hero dnão foi uma tarefa fácil, já que não o jogo todo não é apenas uma grande paródia da SEGA sobre si mesma, mas uma zoada com a sociedade japonesa e sua cultura pop, tirando sarro da tradução do “Super Sentai”, os super-heróis que que vestem roupas coloridas, direcionados ao público infantil. O enredo é apresentado nim prólogo jogável antes do título e da animação de abertura: o protagonista cujo nome você escolhe (o nome padrão é Taro Yamada, o equivalente japonês de “José da Silva”) é um adolescente comum que precisa encomendar comida para uma festa em casa  telefona para a Sensational Cafeteria, ou SECA, pra facilitar. O entregador, entretanto, lhe entrega um traje de combate como parte do programam “Rent A Hero”, dando à pessoas aleatórias a oportunidade de se tornarem heróis de aluguel. Taro veste o traje, pensando que seria apenas uma pegadinha… até que seu pai (que veste uma fantasia de monstro gigante para entreter os convidados) voa para longe com apenas um soco fraquinho, o que o faz perceber que o programa de herói de aluguel sério e que ele precisa se registrar para se tornar um herói oficial em Aero City.

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A família de Taro é bem abastada, e em seu quarto, além de um Mega Drive (veja a foto acima), ele tem um poderoso computador com acesso à internet (em 1991!). Ele o utiliza para manter contato com o QG da SECA, onde a membro Mieu (um nome que os fãs de Phantasy Star devem reconhecer facilmente) lhe fornece novas tarefas e também a oportunidade de salvar o jogo. Você deve pagar uma taxa à SECA em intervalos regulares para pagar o aluguel do traje, e ao completar as tarefas você ganha dinheiro. Como piada, o dinheiro no jogo ainda é chamado de “GOLD”, mesmo com o jogo se passando no Japão atual, e não num mundo de fantasia medieval europeu.

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As primeiras tarefas são bem simples, como entregar uma carta de amor ou salvar uma mulher que foi assaltada no parque, mas as missões mais para frente vão ficando muito mais sérias, como colaborar com a polícia para derrubar famílias mafiosas, ou prender um empresário que faz notas falsas. Nesta missão, Taro deve se infiltrar na empresa criminosa disfarçando-se de homem de negócios e passando por um entrevista de emprego onde ele deve responder de uma forma “maligna” bem estereotipada.

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Uma pergunta realmente difícil.

Algumas das perguntas deixam óbvio para o público japonês de que os empregados da empresa são da yakuza (comentários como “o penteado Elvis é o mais importante atualmente?”), e estes, entre outras referências culturais são provavelmente a razão por que este jogo nunca foi oficialmente traduzido. Outra razão deve ser o fato de que, especialmente no começo, vários NPCs tem linhas duplas de diálogo, quando falam tanto com sua identidade civil quanto com a identidade pública do herói de aluguel, que o jogador pode nomear também.

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A história do Rent A Hero começar a ficam mais séria à medida que Taro vai ficando mais conhecido tanto entre os cidadãos e criminosos, especialmente quando a identidade de quem está por trás de vários assaltantes, bandidos e agiotas que infestam Aero City fica clara; mas mesmo assim o jogo ainda é recheado de momentos cômicos e bizarros. Por exemplo, em um momento você encontra um assalariado qualquer que te pergunta se ele pode se registrar para ser herói de aluguel, e mais tarde você o encontra roubando os seus trabalhos sob sua nova identidade de “Ultramanager” (uma referência ao Ultraman, que no original se chama “Urusaraman”, um trocadilho com “Ultraman” e “assalariado”). Perto do fim do jogo, três arqueologistas escavam um sarcófago egípcio de uma construção (no Japão!) cujo proprietário, o antigo faraó Glutenramen, o desafia para uma luta. Um momento especial para os fãs da SEGA é um fliperama em uma das cidades, cheia de máquinas da SEGA, de OutRun à G-LOC e Space Harrier, todos lindamente renderizados usando uma pixel art fantástica. Se você examiná-los, eles até tocam um pedacinho de suas músicas mais famosas.

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O dono do fliperama te encoraja à sair de casa e jogar estes jogos de verdade!

O logo de certa forma lembra Sword of Vermilion, um jogo anterior da AM2 para Mega Drive. Como nele, não fica imediatamente claro o que você deve fazer. Vermilion parecia ser um RPG de ação, mas com poucos elementos de ação, e por sua vez o Rent A Hero é um adventure de ação com muito de adventure e pouca ação. Rent A Hero, bem como Vermilion, conta com cenas aéreas nas cidades e side scrolling nas cenas de combate (os segmentos em primeira pessoa foram removidos, felizmente) onde você deve derrotar bandidos, assassinos de aluguel, yakuza e todo o tipo de criminoso. E estes últimos são o maior problema do jogo: o combate é duro e desengonçado, a detecção de colisão não funciona direito e de forma geral as lutas são mais um suplício do que uma parte divertida do jogo. É bem fácil ser derrotado (apesar da tal da super força) e toda vez que isso acontece, Taro recomeça do hospital de sua cidade, e com metade de seu dinheiro, uma jogada típica de RPG que acaba ficando chata, já que a única forma de se consegui uma quantidade dinheiro decente é completando as tarefas da Mieu. Logo lembre-se de depositar a maior parte de seu dinheiro nos bancos ou caixas eletrônicos, e garantindo que você não vai perder o seu traje por atrasar o pagamento do aluguel.

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Mas Rent A Hero não é exatamente um RPG, logo não existem pontos de experiência e a única forma de se conseguir novos trajes e armas (que na verdade significa mais hit points e novos golpes especiais para os segmentos de combate) é doando parte de seus lucros para a divisão de pesquisa e desenvolvimento da SECA, cujos cientistas lhe darão suas últimas invenções depois de um tempo. SECA na verdade significa também “Super Energy Combat Armor”. Para entrar em seus laboratórios, você deve abrir uma passagem secreta escondida abaixo do banheiro da Sensational Cafeteria (!). Um sistema incomum, mas apropriado para estilo realista do mundo de jogo. Mas o jogo ainda tem algumas características de RPG, como hotéis para você se recuperar com uma noite de sono, e vários supermercados e lojas que vendem energéticos que recuperam sua vida e pilhas para o seu traje. Sim, o traje da SECA é movido à bateria, e só de andar por aí (sem falar em executar os golpes especiais) se consome energia, logo esteja preparado para carregar sempre algumas pilhas com você. Se a energia do traje chegar à zero, Taro vira um civil normal, que é bem lento e luta muito mal (até pior que o normal), logo você não vai querer que isso aconteça.

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Não é fácil recomendar o Rent A Hero hoje em dia, com seu combate horrível, gráficos medianos e o ritmo bem lento do começo do jogo; mas se você perseverar, você vai descobrir um jogo bastante original bem escrito e com uma janela bem interessante para o Japão do início dos anos 90, incluindo crimes de colarinho branco, que não são geralmente mostrados neste tipo de jogo. O ambiente realista (exceto pelo faraó… que diabos é aquilo?) também é uma mudança bem-vinda dos RPGs comuns de fantasia e do cliché de “salvar o mundo” e a progressão de uma pessoa comum para herói é bem feita e cativante.

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