Uju Geobukseon (Mês do Mega Drive)

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Uju Geobukseon (우주 거북선) – Mega Drive (1993)

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Pode ser surpresa para alguns, mas muito antes de experimentarem com o Nuon ou acessórios de realidade virtual, a Samsung já costumava vender hardware de jogos na Coréia do Sul. Em 1989, eles firmaram um contrato com a SEGA para importar o Master System para aquela região, sob sua marca Samsung Gamboy, driblando na cara dura o boicote à cultura japonesa em vigor na época. Esta parceria se provou um grande sucesso, o que não só transformou a empresa em uma das maiores editoras de jogos do país, como também a encorajou a expandir seus negócios, lançando por lá todas as máquinas da SEGA até a época do Saturn. Neste meio tempo, a Samsung deu mais um passo ambicioso por volta de 1993, quando o Mega Drive (ou melhor, o “Super Aladdin Boy”) já havia sido lançado por lá, e anunciaram que eles também seriam desenvolvedores, e lançaram um shooter chamado Uju Geobukseon (“Navio Tartaruga Espacial”).

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No fim das contas parece que a Samsung não botou muita fé nesta idéia, já que Uju Geobukseon foi o único fruto deste projeto. O jogo tem sido mal-falado ao longo dos anos, considerado um jogo barato para ganhar um dinheiro fácil, sem se preocupar com a qualidade. Isso não é totalmente desmerecido pois, á primeira vista, Uju Geobukseon parece mesmo um horror. As cores são terrosas, a direção de arte é inexistente, e de forma geral mal parece um pouco melhor que um jogo de tiro 8-bit. Tudo isso é acompanhado de uma das piores trilhas sonoras que já foram ouvidas no Mega Drive, com cerca da metade dela sendo totalmente desafinada. Se não fosse pelo logo da Samsung na tela de título, seria difícil perceber que se trata de um jogo comercial legítimo, e não um jogo não licenciado qualquer.

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Em sua defesa, o jogo começa de modo promissor: no futuro próximo de 2020, um super-computador é infectado por um vírus e ataca a força de defesa da Terra. Os jovens Titi e Coti são considerados a última esperança da humanidade, o que força um grupo de cientistas à construírem uma nave com tecnologia de ponta para ajudá-los em sua ,missão. Deixando de lado este enredo bobinho, esta nave é a “Nave/Navio Tartaruga Espacial” do título, baseada num navio de guerra real usado pela marinha coreana por volta do século 16. Isso dá ao jogo um pouco de personalidade, mesmo com o seu design dentro do jogo sendo horrível (parece mais um besouro), e parece que os desenvolvedores se inspiraram um tanto no Musha Aleste. Ou este conceito pode ter sido inspirado na animação de 1979 Narara! Ujujeonham Geobukseon, que por sua vez foi a resposta coreana ao Space Battleship Yamato, de 1974.

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Falando da jogabilidade, ela funciona melhor do que você esperaria, mas isso não significa muita coisa. Você pode alternar entre duas armas, além de smart bombs, apesar destas não serem quase nada úteis contra multidões de inimigos devido ao seu tempo lento de reação. Se você coletar itens suficientes de certos inimigos, você consegue upgrades como atirar mais projéteis, mover-se mais rápido ou armas mais poderosas. Este sistema também funciona como a sua energia, já que levar um tiro faz você perder um upgrade, e eventualmente uma vida, se não houver mais upgrades para perder.

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Isso faz do Uju Geobukseon um shooter um tanto funcional, mas o jogo é mal feito e difícil. A nave tartaruga é grande e lenta demais para conseguir desviar de tudo com eficácia, logo é muito fácil bater acidentalmente nos inimigos e perder sua arma, especialmente quando o jogo te manda aqueles ultra-rápidos de vez em quando. mal existe um tempo de invulnerabilidade depois de levar dano, logo uma colisão prolongada com qualquer coisa pode te matar em um segundo. Uma vez derrotado, o jogo confisca todos os seus powerups e o manda de volta um pouco para trás. Isso te coloca numa situação difícil de se safar, já que a sua nave é incrivelmente patética quando não está equipada, e a maioria das fases foi desenhada assumindo que naquele ponto você estaria forte o bastante para apagar o mar de tiros que cobre a tela. E baixar o nível de dificuldade não ajuda muito neste sentido.

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Uju Geobukseon é bem curto, durando cerca de 30 minutos ao longo de 8 fases. Estranhamente, a primeira fase se passa na era mezosóica, onde você enfrenta revoadas de pterodátilos, algo que não encaixa no enredo de forma alguma. Infelizmente, o jogo não conta com quase nada para torná-lo atraente visualmente – o parallax scrolling da segunda fase é provavelmente a coisa mais bonita que ele tem para mostrar – então é melhor ir se acostumando aos horrendos marrons e azuis que assolam o jogo inteiro. Infelizmente, mesmo com o tema clássico asiático mostrado na abertura, esta idéia não foi desenvolvida dentro do jogo. Apenas uma das fases explora isso, com castelo e vilas da dinastia Joseon. Isso não funciona bem com o tema de ficção científica proposto, mas pelo menos é algo original. O resto do jogo se passa em combates sem inspiração por idades e no espaço, com objetos bizarros como pipas, espadas gigantes, bolas quicando (?) que ocasionalmente substituem as naves.

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As lutas contra os chefes são um pouco mais interessantes, mas só porque seus designs são impossivelmente cretinos. Eles obviamente deveriam ser ameaçadores, mas parecem mais com roupas baratas de Halloween – um deles é um esqueleto com um casaco gelatinoso que te ataca com io-iôs. É hilário, o que quase faz você esquecer que mal é animado, só conseguindo flutuar pela tela. O que não é tão perdoável é a dificuldade desbalanceada. Como nas fases antes deles, eles tendem a esmagar o jogador com enxurradas de projéteis, geralmente bem mais do que sua nave pode lidar, e morrer significa que que você ficará fraco demais para ter uma chance contra eles.

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Não há muito mais o que dizer sobre o jogo sem insistir no seu design rudimentar, Mas ele se torna absurdamente estranho próximo do final. A última fase coloca o jogador no que parece ser uma placa-mãe, que te ataca com um exército de chips com a marca da Samsung, trackballs, e monitores de computador. Este é o prelúdio da batalha decisiva contra o super-computador em si:: um PC desktop ao estilo da IBM, horizontal, com um monitor em cima. Pelo menos este é um momento memorável deste jogo.

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Uju Geobukseon foi desenvolvido por um time de quatro pessoas recrutados internamente pela Samsung. De acordo com algumas fontes, o time de desenvolvimento anunciou formalmente que fariam dois outros jogos: a misterioso jogo de luta versus chamado Princess Fight, e um beat-em-up de cidade chamado City Heroes. Este último chegou à ser produzido e dizem que foi até terminado, com uma recepção positiva dos jornalistas, mas a Samsung escolheu não lançá-lo.

Abaixo segue a matéria de maio de 1993 da revista Game Champ, que conta com uma curta entrevista com o programador Lee Yongwook, que trabalhou no Uju Geobukseon. Obrigado ao GameMeca por disponibilizar a revista online.

P: Nos conte como Uju Geobukseon foi criado.

R: O jogo foi planejado originalmente em maio de 1991, e o jogo foi completado no ano passado, em abril. Devido à algumas circunstâncias, só conseguimos lançar o jogo recentemente. Foram quatro pessoas que fizeram este jogo ver a luz do dia, incluindo eu como um dois dois programadores, com ajuda de um diretor e um designer gráfico. […] Já que este foi o primeiro jogo para console 16-bit feito aqui, tudo teve que ser feito completamente do zero. Tivemos dificuldade com todos os aspectos da programação, especialmente os gráficos, já que não tínhamos ferramentas especializadas para desenhá-los. Este foi um trabalho extraordinariamente complicado de se realizar.

Links

Unseen64 – mais informações sobre o jogo City Heroes, que foi cancelado.

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