Trouble Shooter (Shooters no Mega Drive)

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Por em 15 de setembro de

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Trouble Shooter / Battle Mania (バトルマニア) – Mega Drive (1991)

Trouble Shooter (como é conhecido nos EUA) é um jogo da Vic Tokai que encaixa como uma luva no Mega Drive/Genesis, combinando  um estilo artístico e personagens divertidos que você encontra nos animes da época,  com a ação de tiro frenética que acabaria se tornando um aspecto popular da biblioteca de jogos do console. Em particular, o jogo é bastante influenciado por Dirty Pair, mas as heroínas de Trouble Shooter, Madison e Crystal, são inteligentemente chamadas de “Trouble Shooters” ao invés de “Trouble Consultants”, que é como suas equivalentes são chamadas na franquia Dirty Pair.

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Fazendo jus ao título americano, Trouble Shooter contém muita ação em suas seis fases. As Mercenárias (desculpe, Trouble Shooters) Madison e Crystal são contratadas para resgatar alguns nobres sequestrados, deixando um rastro de destruição por onde passam. Antes de saltar para dentro de seu conversível e sair voando para o combate com seus jet packs, Crystal fornece à Madison alguns explosivos especiais para escolher, além de suas armas normais. Ao invés de só poder usar poucas destas bombas como na maioria dos jogos de tiro da época, seu uso é controlado por uma barra que recarrega sem parar, no topo da tela. Ela não demora muito para carregar, então de acordo com a personalidade das personagens, não há motivo para não lançam muita destruição várias vezes pela fase. A impaciência de Madison também é representada dentro do jogo: se você apertar o botão da arma especial antes dela estar carrega, ela entra em curto e você precisa carregar ela novamente do zero.

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Comparação de Yuri (Dirty Pair) e Crystal/Maria

Isso pode parecer algo que torna o jogo fácil demais, mas na verdade a Vic Tokai colocou inimigos e obstáculos suficientes em cada fase para que o jogador nunca possa relaxar. Estes obstáculos realmente ajudam à aumentar a dificuldade do jogo, não importando o quanto poder de fogo Madison e Crystal tenham à disposição. Os designers souberam usar isso muito bem tanto para balancear o jogo quanto para aumentar a dificuldade do jogo, já à partir da segunda fase. Na segunda fase, as protagonistas voam verticalmente por uma fábrica enorme, tendo que lidar com séries de enormes serras elétricas que balançam pela fase. É na verdade um grande aumento de dificuldade se comparado a fase na cidade com o scrolling lateral simples da fase anterior. Este nível de desafio também pode assustar bastante, ao descobrir que Madison pode levar uns tiros antes de morrer, e que o jogador conta com apenas uma vida e três continues, que recomeçam do começo da fase.

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Os desenvolvedores tiveram uma idéia genial para fazer Madison e Crystal possam lutar lado a lado no jogo mesmo este sendo apenas para um jogador. O jogador controla Madison diretamente, com Crystal seguindo todos os seus movimentos e atirando suas armas ao mesmo tempo que Madison. Mas com o apertar de um botão, Crystal vira-se de costas, permitindo que as duas atirem em dais direções diferentes ao mesmo tempo. Já haviam jogos anteriores que contavam com um drone seguindo a nave, mas nada como a solução do Trouble Shooter que permite que dois personagens humanos sem controlados ao mesmo tempo havia sido visto antes. Felizmente Crystal fica imune à dano, logo o jogador só precisa se preocupar em fazer com que Madison efetivamente desvie de tudo. Ela também muda o ângulo de seus tiros para cima o para baixo segundo os movimentos de Madison, permitindo que o jogador foque o dobro de poder de fogo até nos menores inimigos do jogo. Tudo isso resulta num jogo viciante, com cada fase sendo curta o suficiente para não ficar chata ou exagerada, e os jogadores que chegarem ao fim do jogo têm uma surpresa especial enquanto os créditos começam a passar.

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Trouble Shooter pode ter sido desenvolvido por uma equipe pequena, mas graças ao senso de humor do jogo, lutas contra chefes engraçados, e gráficos bem coloridos, sua falta de recursos quase não aparece. Os criadores do jogo eram obviamente apaixonados por comédias sci-fi da época, como Dirty Pair, e também de programas de super sentai. Os créditos de Trouble Shooter é listam seu diretor como sendo “Takayara the Barbarian in Studio Uchoo Tetsujin,” definindo-o como fã de Space Ironmen Kyodine, algo que fica aparente no design de alguns chefes e inimigos. O jogo também está cheio de pequenos detalhes visuais, como as armas e jet packs de Madison e Crystal serem diferentes, e o grande texto “Ha. Ha. Ha.” que aparece na tela quando um chefe as provoca. A trilha sonora do jogo também o complementa perfeitamente, com uma medida igual de faixas engraçadas e agitadas, cortesia de Hiroto Kanno. Há também um grande número de músicas boas, e algumas poucas vezes elas se repetem, complementando a história do jogo.

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Comparação de Kei (Dirty Pair) e Madison/Mania

O jogo em si foi uma obra de amor de seus criadores, e eles fizeram alguns ajustes visuais antes de o lançarem no Japão, um ano depois, com o nome de Battle Mania. A maioria das mudanças são pequenas, mas mostram o quanto o time realmente era cuidadoso.

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A mudança mais proeminente é que todos os drones de armas especiais foram redesenhados para parecer que estão sendo vistos de cima, ao invés de lado, na sua tela de seleção. Por mais estranho que pareça, estas sprites foram usadas também dentro do jogo, uma escolha estranha para um jogo tiro side scroller. Todas as menções à SEGA no jogo também foram removidas. Alguns personagens menores foram redesenhados ou reanimados, uma melhoria em algumas das partes mais mal-feitas do final visto em Trouble Shooter. Os créditos de Battle Mania também terminam com um código. O código funciona em ambos os jogos, mas é legal da parte deles dá-lo aos jogadores como prêmio ao fim do jogo. E finalmente, um Easter egg foi adicionado – ao usar o mesmo código na tela da SEGA no Battle Mania, a opinião da equipe sobre o Super Famicom é revelada.

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Infelizmente, a influência de anime não é imediatamente aparente devido à capa estilo sci-fi ocidental. Provavelmente lanças este jogo nos EUA foi uma decisão de última hora, já que existem um protótipo japonês do jogo que é anterior ao lançamento americano. Além de estar incompleto, ele possui umas poucas mais importantes diferenças em comparação com o jogo finalizado, a mais óbvia é que esta possui uma tela de título totalmente diferente (como uma fonte mais parecida com o logo de Dirty Pair) e que o cabelo da Crystal não está amarrado para trás (tornando-a ainda mais parecida com a Yuri do Dirty Pair).

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Entretanto, a diferença mais significativa é que a tela de título tem o copyright… da SEGA! Agora tudo faz sentido, com a Vic Tokai fazendo um jogo chamado Battle Mania para a SEGA publicar. A SEGA só devia ter planos para publicar o jogo terminado por EUA (como eles fizeram com, Decap Attack, também da Vic Tokai). Por algum motivo isso não deu certo, então a Vic Tokai publicou o jogo sozinha nos EUA, e muitos meses depois lançou uma versão levemente aprimorada no Japão. Uma destas mudanças foi remover uma pilha de caixas escritas “SEGA” no menu de escolha de drones. Mas o mais relevante é que a versão japonesa tem uma capa que se encaixa muito mais no anime que o inspirou, pra começo de conversa.

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Ao que parece, a SEGA pretendia lançar o jogo sob o nome de Battle Mania desde o início, com as protagonistas chamadas Mania Ohtorii e Maria Haneda (os sobrenomes são referências às localizações dos escritórios da SEGA), então a tradução americana da Vic Tokai removeu algo que seria muito similar ao Dirty Pair, renomeou o jogo para Trouble Shooter e mudou levemente o design das personagens para lhes dar identidade própria. É um vai e volta estranho num pequeno espaço de tempo antes do jogo ser lançado, mas felizmente valeu o esforço, pois Trouble Shooter é fantástico.

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A Vic Tokai percebeu que tinha um bom jogo em suas mãos, e até fez uma parceria com a GamePro nos EUA com um concurso chamado “Getting Into Trouble Contest.” Ele envolvia sete vencedores. Cinco deles ganhariam um Game Gear, e os outros dois não só ganhariam um Game Gear, mas também a chance de aparecer na GamePro TV. mais ou menos como os bilhetes dourados de A Fantástica Fábrica de Chocolate, estes vencedores seriam escolhidos por sete cópias do Trouble Shooter que tinham cards dentro delas. Cinco deles da Crystal, para serem trocados pelos Game Gears, e dois da Madison, para aparecer na TV. Felizmente, os fãs interessados em um Game Gear também poderiam participar respondendo uma pergunta sobre o enredo do jogo e a enviando para o escritório da Vic Tokai, em Torrance, Califórnia. Como na maioria destes concursos, fica difícil saber se ele realmente se concretizou para alguém.

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