Reminiscências de Valis (I): The Wing of Madoola

Ao trabalhar no Especial Valis, achei algumas outras coisas que de alguma forma ou outra são ligadas à esta série – a primeira delas foi o anime Leda, que vocês já viram. As demais coisas serão apresentadas nestes posts chamados “Reminiscências de Valis”.

O jogo abaixo, “The Wing of Madoola” é outro jogo que bebeu da fonte do Leda, mas diferente da Telenet, a Sunsoft não foi tão sutil 😉

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Por   1 de agosto de

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The Wing of Madoola (マドゥーラの翼) – Famicom, PlayStation (1986)

Em meados dos anos 80, vários desenvolvedores começaram a combinar jogos de ação com stats e equipamentos derivados do jogos de RPG para computadores. Entre os primeiros experimentos deste tipo está The Wing of Madoola, feito pela Sunsoft e lançado em 1986 para o Famicom.

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A heroína, de estilo anime e cabelão é uma guerreira chamada Lucia, que tende à passar desapercebida nas discussões sobre protagonistas femininas nos vídeogames, provavelmente por que The Wing of Madoola não é lá grande coisa. Vestindo um maiô-armadura, pelo menos ela não tem um visual tão vergonhoso quanto da Wonder Momo da Namco, outro exemplo de antiga protagonista feminina, mas não usa isso por apelação: seu visual é muito similar ao do anime OVA Leda: The Fantastic Adventure of Yoko (lançado no Brasil como As Aventuras de Leda), que também influenciou bastante a série Valis:

A jornada de Lucia exige que ela supere dezesseis fazes para derrotar o maligno Darutos e salvar o seu querido príncipe. Não há história no jogo em si, e o pouco texto que contém está em inglês. Estruturalmente, suas comparações mais próxima são o Wonder Boy in Monster Land, da SEGA/Westone, e do The Legend of Valkyrie, da Namco, mas o jogo da Sunsoft é mais antigo que ambos. Em todos estes casos, o foco é tanto na ação quanto em coletar dinheiro e itens.

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As primeiras fases são praticamente lineares, mas logo o jogo introduz labirintos não lineares que, apesar de nãos erem tão grandes, podem ser extremamente confusos de se navegar, especialmente devido as ocasionais portas de teletransporte. O objetivo final é chegar até o chefe, pegar o seu cristal e seguir para a saída. Também é importante explorar todos os cantinhos de cada fase, já que muitos deles têm equipamentos essenciais para a sua jornada. Conseguir um par de botas aumenta sua velocidade capacidade de pulo, enquanto espadas aumentam a força de seus ataques. Existem também vários itens mágicos espalhados pelo jogo, incluindo espadas flamejantes, bombas, e bolas saltitantes, que consumem sua magia quando você as usa. Jarras e livros de magia também aumenta sua energia máxima e seu poder mágico, respectivamente. O objetivo final da última fase é achar a tal da Wing of Madoola, que permite que você voe pelo céu para enfrentar o penúltimo inimigo.

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Apesar de pegar todos estes powerups ser tecnicamente opcional, isto é algo que você vai querer fazer, pois os inimigos em The Wing of Madoola não dão trégua, e os seus números raramente são equilibrados ao seu favor. Logo no começo do jogo, o menor dos sapos precisa levar vários golpes para ser morto, assim como os outros inimigos, até que você consiga avançar por algumas telas e consiga uma espada melhor. À medida que você avança no jogo, você vai se ver sendo atacado por todos os lados por inimigos que consomem grandes nacos da sua energia, ao ponto que é melhor evitar o conflito como um todo. Existem certos inimigos, gosmas roxas malignas que renascem infinitamente em certas áreas, que requer que você as ataque enquanto foge (o truque é que elas não podem te atacar quando você está agachado, mas você ainda pode feri-los desta posição –  mas infelizmente devido à velocidade que elas avançam contra você, isso não é uma grande vantagem). Não há ouro ou pontos de experiência à serem ganhos, e apesar de alguns inimigos ocasionalmente deixarem itens que energia ou magia, eles são tão raros que não vale à pena perder tempo com isso. Logo cada fase acaba se resumindo em correr, pulando o máximo de inimigos possível, procurando por itens até a sua energia começar a ficar baixa, e então ir atrás do chefe, torcendo que você os números necessários para sobreviver.

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Já que este é um jogo de Famicom de 1986, falta bastante refinamento na ação. Os inimigos atacam erraticamente e bem rápido, e o alcance da sua espada é tão curto que é difícil enfrentar qualquer coisa sem levar algum dano. Pelo menos Lucia ataca fazendo um arco, logo ela consegue atacar inimigos que estejam diretamente acima dela, além dos que estão à sua frente. Isso melhora um pouco com as várias magias de longo alcance, mesmo elas tendo uso limitado. O renascimento dos inimigos também é bugado, ocasionalmente dando a volta para o outro lado da tela, ou desaparecendo do nada. A maioria dos chefes, com exceção do último, são simplesmente versões mais poderosas dos inimigos comuns, e a única estratégia contra ele é atacar de longe ou bater e fugir.

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A dificuldade inicialmente parece absurda, pois quando você morre, não há uma forma evidente de continuar. Entretanto, segurar o botão Select e então apertar Start na tela de título logo após morrer te leva à uma tela de seleção de fase, permitindo que você continue de onde você parou, ou recomeçar de uma área já completada, para o caso de você ter deixado passar algum powerup. Isso também reseta a sua magia para o máximo e sua energia para 1000 – o que é útil, considerando que sua energia e magia não são recuperados entre as fases, além dos 500 pontos devida ganhos ao capturar o cristal do chefe de fase.

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Devido às limitações técnicas da ROM de 128k, tantos os visuais quanto os layouts das fases são bastante repetitivos. Algumas das fases só se diferenciam pela mudança da paleta de cores, e algumas fases são apenas leves variações da mesma área, o que dá às fases um sentimento de deja vu. Além disso, o jeito desengonçado do combate e os elementos de RPG tornam o The Wing of Madoola jogável apenas para aqueles que possuem um interesse histórico em  RPGs de ação. Você consegue perceber aqui as fundações que a Sunsoft lançou para criar jogos melhores, como seu Blaster Master de 1988, que utilizou tanto dos elementos de ação quanto de exploração de um jeito mais palatável.

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Quando o jogo foi lançado, houve um concurso para encontrar uma senha secreta na oitava fase do jogo. Uma vez encontrada, o jogador poderia mandá-la para Sunsoft para receber uma fita cassete com duas músicas, uma de The Wing of Madoola, e outra do jogo adventure para Famicom Disk System Dead Zone. Estas duas faixas foram relançadas no terceiro mini-CD incluído no ROM Cassette Disc In SUNSOFT, lançado em 2011, que contém músicas de todos os jogos da Sunsoft lançados em cartucho, incluindo The Wing of Madoola. Estas faixas bônus são num gostoso sintetizador ao estilo dos anos 80, apesar da música no jogo ser bem mediana, anterior à fase das trilhas sonoras maravilhosas da Sunsoft no NES, que começou Blaster Master. O tema de campo aberto é alegre e divertido, e o tema do castelo é excelente, mas de resto, nada que mereça ser lembrado.

Lucia é bem conhecida entre os retro-fãs japoneses, e até estrelou nos quadrinhos, incluindo um spinoff chamado Wing of Madoola Gaiden, criado por Moriken, o character designer do jogo. Mais recentemente, Moriken fundou um grupo chamado M’s Cafe e publicou vários jogos de ação/adventure doujin estrelando heroínas de antigos jogos da Sunsoft – Lucia aparece em Ma○oolaEX, e entre outros jogos parodiados estão Dead ZoneRipple IslandMarchen Veil. Além disso, Lucia, junto com Kane Gardner de Meta Fight (Blaster Master), Yumetarou de Gimmick!, e os personagens de Hebereke (Uforia), tambem é aparecem em formato SD nas cartas do jogo Sunsoft’s Barcode World.

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The Wing of Madoola foi mais tarde relançado no PlayStation como parte do pacote Memorial Series SunSoft Vol. 3, junto com Toukaidou Gojuusan-tsugi, outro jogo exclusivo do Famicom. Trata-se de emulação direta com uns poucos extras. O jogo também aparece no Game Center CX / Retro Game Master (confira abaixo!) e um dos poucos vídeos traduzidos oficialmente pelo site Kotaku em seu show online em 2011, apesar do jogo nunca ter sido lançado oficialmente fora do Japão.

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