46 Okunen Monogatari (Mês do PC-98)

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46 Okunen Monogatari: The Shinka Ron (46億年物語 -THE 進化論) – PC-98 (1990)

A Evolução pode ser uma das idéias mais importantes na história da ciência, mas é um material espinhoso para um jogo. Ela ocorre num ritmo geológico, vagarosamente, com resultados minúsculos praticamente ao acaso. Ela não produz formas de vida necessariamente mais fortes ou mais interessantes, mas sim apenas formas mais adequadas ao ambiente em que vivem. Tudo isso vai contra a experiência de se jogar um jogo; o jogador geralmente quer tomar decisões bem acertadas, ao invés de ficar totalmente à mercê do ambiente do jogo, e quer experimentar a sensação de aprimoramento que é consequência destas suas decisões. Os jogos que geralmente incorporam estas partes da evolução geralmente abrem mão de serem chamados “jogos”, se tornando simuladores ou softwares praticamente educacionais, como SimLifeEvolution: Seventh CrossCreatures, e Darwin Pond. Outros jogos, incluindo as famosas franquias Pokémon e Spore, tentam capturar a maravilhosa variedade de formas de vida, sem se preocupar muito com o mecanismo exato que as produziram.

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Logo, não se engane: 46 Okunen Monogatari (A História de 4,6 Bilhões de Anos) não é realmente sobre evolução, mas permite que você explore a grande variedade de vida na Terra, te colocando no papel de uma criatura com a habilidade evoluir inteligentemente. Apesar dos ocidentais conhecerem esta série pelo jogo de ação-RPG para SNES E.V.O.: Search for Eden, a série começou como um RPG visto de cima, chamado 46 Okunen Monogatari: The Shinka Ron, lançado apenas no Japão para o computador PC-98. Ambos se passam em mundos claramente creacionistas e antropocêntricos, com seu personagem sendo um servo mortal de Gaia, a deusa da Terra. Ao derrotar as criaturas à sua volta, você ganha pontos que podem ser gastos para se evoluir em algo mais forte, mais rápido ou mais resistente, à sua escolha. À medida que você se torna uma criatura mais forte e mais avançada, até chegar à forma humana (ou quem sabe até além) você completa missões para Gaia e a ajuda à salvar o planeta. Entretanto, você não é o único à receber os favores divinos de Gaia em sua ajuda em evoluir – algumas presenças alienígenas estão começando à interferir na evolução das demais criaturas da Terra…

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Você desperta como um peixe mais primitivo possível, sem saber exatamente de onde veio mas bem ambientado em uma vila rasa de simples águas-vivas, anêmonas, e peixes mais velhos. Entretanto, uma luz estranha começa a deixar os outros doentes, e eles culpam você, o forasteiro e te expulsam da vila. O mar ao redor é hostil, e você deve lutar e evoluir para sobreviver.

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46 Okunen Monogatari: The Shinkaron (A História de 4,6 Bilhões de Anos: A Teoria da Evolução) é um RPG em turnos bastante simples, com combates em primeira pessoa um pouco mais simples que os dos jogos da série Dragon Quest. As batalhas são primitivas, geralmente acabando em segundos – para bem ou para mal. Você pode atacar, usar as várias habilidades da sua criatura,ou tentar fugir. Não há armadura ou poções, apenas você e o que você tiver como membros do corpo contra algum animal que queira te devorar. Se você conseguir durar mais que o seu oponente, já que as batalhas em Shinkaron são geralmente conflitos de atrito, você sobrevive e ganha alguns pontos de evolução.

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Ao invés de subir de nível de uma forma direta, você pode gastar seus pontos de evolução aumentando uma de suas quatro características: força, resistência, vigor, e inteligência. Força e resistência determinam o quanto de dano você causa e recebe; vigor aumenta seu marcador de vida. Inteligência determina o quão eficaz é sua habilidade de “Descanso”, que pode ser usada em combate para recuperar energia. Dado o quão simples é o sistema de combate, todas estas estatísticas parecem igualmente úteis; cada uma delas te ajuda à sobreviver por mais tempo, ou terminar uma luta de forma mais rápida. Pontos de evolução nunca faltam, logo você cresce num ritmo veloz e satisfatório.

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Menu e mapa de evolução

Esta é a pegadinha: quando você sobre um dos stats acima de um certo nível no fim da tabela, você evolui em uma criatura diferente. Começando o jogo com o peixe mais fraco, ao subir sua força à um nível suficiente faz com que você evolua em um peixe ainda pequeno, mas com uma mandíbula mais forte. Cada vez que você evolui desta forma, você navega em uma matriz de cerca de 12 a 50 criaturas da era em que você se encontra, que parece ter sido amplamente baseada em árvores evolucionárias reais. Quando você evolui, o jogo também te dá alguma informação sobre a sua nova criatura, incluindo o seu tamanho e quando ela existiu. Novas criaturas ganham noas habilidades, tornando-as mais efetivas em combate. Mas o maior apelo do sistema de evolução é puramente estético – você se sente o máximo ao finalmente se tornar o tubarão n um oceano de peixes menores, ou o T-Rex, apavorando os seus inimigos.

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Tentar evoluir estrategicamente pode ser um pouco frustrante. Cada estatística corresponde à um ponto cardeal, e algumas vezes evoluir naquela direção te leva naquela direção no mapa evolutivo… mas isso não é sempre previsível. Muitas vezes, ao se alternar evolução entre stats diferentes faz você simplesmente evoluir nas mesmas duas criaturas mais próximas, repetidas vezes. O número de vezes que você pode evoluir em cada era é limitado pelo valor máximo de cada stat, então isso meio que limita o quanto do mapa evolutivo você vai ser capaz de ver em cada partida. Seria legal se houvesse uma lógica mais consistente na sequência de evoluções.

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Mas quando sua criatura está no limite do mapa evolutivo, evoluir o stat errado te faz evoluir “para fora do mapa” e dispara um final de zoeira e um game over. Algumas destas evoluções falhadas são simplesmente fracas demais para sobreviver – dinossauros incapazes de sobreviver ao frio de uma Era Glacial, peixes-espada sendo caçados por humanos por esporte, etc. Outros são poderosos demais, inadequados para se aventurar pelo mundo completando as missões do jogo – um peixe humanóide cultuado pelos egípcios como um deus, por exemplo.

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A história se passa em seis eras: oceano, répteis, primeiros dinossauros, dinossauros tardios, pré-moderno e futuro. Durante cada era, você explora a Terra e encontra pequenas vilas de animais, enquanto completa várias missões e luta para sobreviver. Um grupo de golfinhos em uma caverna no oceano te alerta sobre a alta pressão da água em uma fossa próxima, onde você só pode sobreviver se tiver um alto vigor, logo você parte para derrotar peixes o suficiente para aumentar seu vigor e sobreviver às pressões esmagadoras da profundezas. No fundo dela você encontra a deusa Gaia, que te incumbe da tarefa de ajudá-la à salvar o planeta. Espalhados pelo jogo existem pontos brilhantes no chão onde Gaia te encoraja e de mostra a direção correta. No fim de cada era, Gaia te ajuda à evoluir em uma versão primitiva da forma de vida dominante da próxima era.

Personagens

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Gaia

A deusa da Terra, e sua guia através do jogo. Ela se manifesta em forma humana no fundo do oceano e então no espaço, no fim do jogo. Fora isso, ela fala com você através dos vários pontos brilhantes espalhados pelo jogo, onde ela te ajuda à evoluir para a próxima era ou viaja pelo tempo para evitar a destruição em massa.

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Lúcifer

Perto do fim do Capítulo 4, você encontra Lúcifer, que se disfarça de um tipo de Marilyn Monroe vampiresca. Sua influência corrompe as civilizações que você encontra pelo jogo, desde de transformar dinossauros em criaturas de gosma gelatinosa até esburacando o antes vibrante meio-ambiente da Lua. Para provocar Gaia e ostentar seu poder, ela manda meteoros para varrer os dinossauros da Terra. Ela é o único chefe do jogo, enfrentada primeiramente numa forma humana horripilante e depois na forma de uma aranha alada gigante.

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Apesar de você ser o escolhido de Gaia para salvar o planeta, sua maior preocupação é sua mera sobrevivência. Perto do fim do Capítulo 4, um grupo de tiranossauros bloqueiam o seu caminho, e você pede à uma vila próxima de triceratops para ajudá-lo. Eles se alinham contra os tiranossauros, e travam uma luta sem esperança de vitória contra eles. Você pode tentar ajudar os seus aliados, mas mesmo com os maiores stats possíveis, você é incapaz de ferir algum dos tiranossauros. Ao invés de travar uma batalha épica para salvar os pacíficos dinossauros, sua única opção é passar por eles e seguir em frente, mantendo-se em segurança e deixando todos os outros entregues à morte. Isso parece um pouco anti-climático já que você passa o jogo todo tentando ficar mais forte, preparado para enfrentar qualquer coisa, mas isso subverte suas expectativas de uma forma interessante, demonstrando a sua insignificância.

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Apesar de toda enciclopédia que o jogo contém, e seu aparente respeito à evolução e períodos geológicos, o jogo também contém vários elementos bizarros de fantasia, que aumentam à media que que a história avança, aparentemente devido à influência maléfica de Lúcifer. Você encontra uma raça de alienígenas répteis da Lua chamados Lunarians no Capítulo 2, que eventualmente acabam por governar o continente de Atlântida; você requisita a ajuda de um enorme dragão das cavernas para remover um brontossauro teimoso de seu caminho. O Capítulo 5 é o mais bizarro, com presença de homens das cavernas, mamutes, homens-lagarto, demônios chifrudos, dinossauros que tocam flauta, caciques goblins e anões, além de outros. O curto capítulo final se passa num futuro sombrio devastado pela mudança climática, onde você, o líder de uma civilização élfica viajante do espaço, deve lutar contra a enorme aranha alada Lúcifer, que acaba de emergir da Lua.

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Eis o futuro da humanidade!

Os gráficos de Shinkaron seguem bem os padrões da época, conseguindo ser bem claro em distinto ao invés de bonito. As criaturas são mostradas sem enfeites, de uma forma científica, mas algumas das criaturas tem um visual simplesmente bobo, especialmente algumas das criaturas fantásticas do Capítulo 5. A música é divertida e apropriada, composta pelo compositor de Dragon Quest Kouichi Sugiyama. Dois dos temas dos mapas gerais, um mais solitário e outro mais heróico, são os que mais chamam a atenção.

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Felizmente há uma tradução para o inglês deste jogo, feita por fãs, mas mesmo assim o jogo é possível de ser jogado sem que se saiba japonês. Todas as missões do jogo podem ser resolvidas com alguma combinação de se falar com todo mundo e aumentar os seus stats, e o sistema de combate é piedoso o suficiente para permitir que você teste suas habilidades sem saber exatamente o que elas fazem.

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