Knightmare III: Shalom (Konami, 1987)

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Shalom: Majou Densetsu III (シャロム 魔城伝説III) – MSX (1987)

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Capa

O terceiro (e último) jogo da série Majou Densetsu mudou de gênero novamente, se transformando desta vez em um jogo adventure. Em vários aspectos, esta é uma mudança ainda mais radical do que aquela que aconteceu entre os dois primeiros jogos. O título, Shalom, vem da palavra hebraica para “paz”, mas seu uso neste idioma em particular não tem nenhum significado em especial aqui.

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O jogo na verdade começa no mundo real, com você, um estudante japonês do colegial, numa aula de informática. Uma colega sua entra na sala trazendo um novo jogo, o Shalom da Konami para MSX (você pode escolher o nome de ambos – o nome padrão do garoto significa “paz mundial”, e o da garota significa “garota estudante”). Quando você coloca o cartucho no computador e entra o nome dos seus personagens, você é então sugado para dentro do mundo do jogo (esta narrativa mais tarde também foi usada no jogo para PC Companions of Xanth.) Quando você acorda, você conhece uma porca falante que, que te explica a situação.

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A história se passa no reino de Grecian, 100 anos depois do fim de Maze of Galious. Popolon e Aphrodite ascenderam aos céus, e o reino é agora comandado por seu filho, Pampas. Apesar de seu reinado ter sido pacífico por décadas, o desespero toma conta do reino. Chelsea, a filha de Pampas, desapareceu, o que é parte da profecia que anuncia a vida do Rei-Demônio Gog. Cabe à você pegar em armas e derrotar os oito lordes demoníacos, antes de enfrentar o próprio Gog. A porca, chamada Butako (o que significa “porquinha”) sobre nos ombros do herói e o acompanha ao longo do jogo.

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Apesar de Shalom parecer um pouco com Dragon Quest e outros jogos similares, ele não é realmente um RPG, pois não existem sequências de combate, pelo menos durante a maior parte do jogo. Ao invés disso, ele é mais como um adventure, incluindo um menu de comandos e vários quebra-cabeças para se resolver para se avançar no jogo. O único momento em que há algum conflito é durante as lutas contra os chefes, mas quase todas elas são diferentes. Algumas são fases de ação – na primeira, ela vira uma fase de ação lateral, onde você atira facas no chefe; na segundam você precisa pegar pedras que caem e arremessá-las na cabeça do chefe. As mais avançadas tem ainda mais variedade, com uma sendo uma fase de quebrar tijolos similar ao Arkanoid, e outra apresentando um puzzle de mover peças de um bloco. Além disso, alguns chefes são destruídos apenas se conversando com eles. Há uma grande variedade e isso é algo bastante único.

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O jogo também é bem bobinho. Apensar da sua apresentação como um RPG comum, há muita comédia, particularmente nas conversas entre o herói e Butako, que é bastante rude e regularmente dá bronca no herói sempre que ele faz alguma estupidez. Um dos NPCs principais é supostamente Galileu, e apesar de tecnicamente ele usar o telescópio para ver as estrelas, ele também pode ser usado para ver mulheres tomando banho. Num certo momento, você encontra um animal ferido – espera-se que você o ajude, mas você pode escolher tirar sarro dele, ou até tentar comê-lo. Eventualmente você acaba explorando o céu pode conferir o que Popolon e Aphrodite andam fazendo, mas agora elas são meros NPCs. Mas o clima se torna mais sério e sombrio no final do jogo, quando você está perto de enfrentar Gog.

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Como nos jogos da série Snatcher, existem alguns momentos onde o se quebra a quarta parede – numa área onde você fica preso na areia movediça, você recebe a mensagem de “Game Over”, com um ponto de interrogação no fim, indicando que algo está errado. Há também um momento onde você precisa salvar e carregar o jogo imediatamente para poder continuar (ou tecnicamente aguardar por um certo tempo ‘in-game’, mas isso acelera o processo). O jogo tem algumas situações onde você possa morrer, mas elas são geralmente só nas lutas contra os chefes ou em situações obviamente ruins (como cair em buracos), logo você não precisa ter muito medo de tomar decisões ruins.

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Você salva o jogo ao conversar com certos personagens. Eles tem o nome de jogadores que, na época, jogavam no time de baseball Seibu Lions. Você pode escolher entre salvar em várias mídias, mas o jogo também aceita senhas. Entretanto, há um bug no sistema que gera senhas, logo o jogo pode acabar te passando senhas que não funcionam.

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Shalom é um jogo bem inteligente, mas o seu maior problema é que o mapa do mundo de jogo é grande demais. Você gasta a maior parte do tempo simplesmente vagando pelo mapa, tentando achar os itens necessários, ou tropeçando nos triggers corretos para que a história prossiga. Isso te dá a impressão de um mundo vasto, muito maior do que se vê em jogos do tipo adventure, mas em sua maior parte ele é só espaço vazio. O jogo não te dá muita direção além de algumas pistas dadas por certos aldeões. Além disso, existem várias ações que o jogo não entende, exigindo que você veja várias mensagem  de “isso não funciona” entre o herói e a Butako.

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Já que Shalom é tão dependente de texto, ele é extremamente difícil de se apreciar sem a compreensão do idioma japonês. Mas felizmente existem traduções feitas por fãs para o inglês e português.

Knightmare em Outros Jogos

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Hai no Majutsushi

Popolon aparece em vários outros jogos de MSX da mesma época. Ele é um personagem jogável no Parodius original, e tanto ele quanto Aphrodite aparecem em Hai no Majutsushi, um jogo de mahjong que é também estrelado por outros personagens da Konami, como Simon Belmont do Castlevania, Dr. Venom e uma estátua Moai do Gradius, e um Snatcher do jogo Snatcher. Na abertura do Gradius Rebirth também é possível se ver o reino Grecian como visto em Shalom.

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Tales of Popolon

A comunidade do MSX tem um grade carinho pelo Popolon, com vários remakes dos dois primeiros jogos da série Majou Densetsu. Há também um jogo feito por fãs totalmente novo, chamado Tales of Popolon, lançado em 2017 e desenvolvido por Santiago Ontanon. Ele usa de raycasting para criar uma engine 3D completa. Ele roda à cerca de apenas um frame por segundo, mas isso é absurdamente impressionante para a plataforma MSX, além de ter apenas 32kb de tamanho. Nele você controla Popolon na exploração de um labirinto, procurando por chaves e derrotando inimigos. O jogo está disponível para download gratuito e é open source.

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