Especial Rastan, Parte 1: Rastan Saga

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Rastan Saga (ラスタン サーガ) / Rastan – Arcade, Master System, Game Gear, Amstrad CPC, Commodore 64, MSX2, ZX Spectrum, Apple IIgs, IBM PC, Windows, PlayStation 2, PSP, Xbox (1987)

Lançado nos fliperamas em 1987, o Rastan da Taito foi um dos melhores jogos de ação-plataforma de seu tempo. Seu herói, o Rastan do título, é obviamente um clone da criação mais famosa de Robert E. Howard, Conan. As telas de demonstração do jogo nos fliperamas mostra uma imagem do Rastan já velho, sentado num trono (em referência óbvia à cena final de Conan o Bárbaro, de 1982), com uma narrativa em primeira pessoa pelo Rastan, contando como ele costumava ser um ladrão e um assassino, e que ele irá contar sobre seus dias de grandes aventuras.

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Arcade

Quando o jogo começa, você vê uma imagem de Rastan andando numa tempestade. Você então fica sabendo que ele fez um trato com uma princesa, onde ele mataria um dragão, em troca de todos os tesouros do reino de Ceim. Esta introdução não aparece nas versões americana e européia do jogo. É notável como as motivações de Rastan imitam as de Conan, sendo altruísta, mas por um preço.

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Arcade

Em termos de jogabilidade, os inimigos avançam constantemente em direção à Rastan, logo ele precisa continuar se movendo para sobreviver. Primeiramente, a altura dos seus saltos dependem do quanto você continua segurando o botão correspondente. Ele também não precisa parar para atacar. Isso é algo que recompensa os jogadores mais habilidosos, já que com o timing correto, você pode efetivamente dar carga e destruir hordas de inimigos menores rapidamente. Além disso, o cenário do jogo pode rolar em qualquer direção e geralmente tem muitas telas de altura, te oferecendo algumas alternativas de caminho à seguir em cada fase. E finalmente, Rastan pode atacar tanto para cima quanto para baixo em pleno ar.

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Arcade

Todos os aspectos do design do design de Rastan segue esta tendência de prover obstáculos que, apesar de desafiadores, recompensam o jogador com uma progressão mais rápida por conhecer bem os controles. O maior exemplo disso se encontra nas lutas contra os chefes e os castelos em que eles residem. Cada uma das seis fases de Rastan é dividida em dois segmentos. A primeira envolve atravessar uma área ao ar livre, matando dezenas de inimigos mais fracos. Já na segunda é onde as coisas ficam mais interessantes. Ao chegar ao fim de cada área aberta, você chega à entrada de um grande castelo. Os castelos também tem mais abismos, espetos e outros armadilhas, para te manter ocupado. Depois de transpô-las, você finalmente chega ao chefe da fase. Cada um é radicalmente diferente do outro, e todos eles tem habilidades diferentes e exclusivos detalhes cosméticos em seus cenários (as cobras de pedra esculpidas ao redor das colunas no fim da segunda fase chamam muito a atenção). Num toque de inspiração, os programadores fizeram isso não apenas no design de fases, mas também na arte do jogo: à medida que a hora do dia (e até o clima) muda e o tempo passa, o número de inimigos aumenta.

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Arcade

Rastan contam com poucos itens para ajudá-lo em sua jornada. Seu armamento inclui uma espada que dispara jogo (que é excelente), um machado (mais poderoso), e uma maça (mesma força que a arma normal, mas com um alcance muito maior). Além deles, existem vários itens específicos deixados pelos inimigos que podem aumentar sua vida, ou te dar proteção temporária contra ataques físicos ou mágicos.

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Arcade

Graficamente, o jogo é bastante detalhado para sua época. Apesar de alguns cenários se repetirem, eles não são apenas recoloridos, mas também re-combinados de forma que nenhuma fase é igual à outra. É também uma das primeiras vezes onde as mudanças de clima e luz do sol são mostradas num jogo com tanto refinamento e timing.

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Arcade

Rastan enfrenta inimigos que variam desde homens-lagarto, até uma chimera, passando por criaturas de vários braços. Fiel à natureza das obras de Robert E. Howard que inspiraram o jogo, estes inimigos morrem em uma rápida explosão de sangue. A ação é consistentemente rápida, e tudo é bem animado. Uma atenção especial foi data à animação de ataque do Rastan, que impressiona de tão suave.

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Arcade

Quanto à atmosfera, Rastan é quase impecável. Existem apenas três músicas “in-game” (uma para os segmentos ao céu aberto, uma para os castelos e outra para as lutas contra os chefes) mas cada evoca uma atmosfera de violência sem fim. Todas as três músicas são trabalhos impressionantes, e claramente evocam o estilo da trilha sonora original do Basil Poledouris para Conan o Bárbaro, sem deixar de serem composições originais. A música usada durante as lutas contra os chefes é especialmente intensa devido à alta qualidade dos efeitos de bateria, e a trilha sonora foi composta por Naoto Yagishita e Masahiko Takaki.

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Arcade

Os efeitos sonoros de Rastan são os genéricos da época, mas Rastan em si conta com alguns gritos e resmungos em voz digitalizada que são bem claros. Existem também o excruciante grito de dor que ele solta quando você recebe um Game Over. Como se o jogo não fosse intenso o suficiente, há também o batimento cardíaco do Rastan. Sua barra de vida é representada por uma barra azul saída de um coração pulsando. Quando sua vida está baixa, um efeito sonoro de batimento cardíaco é tocado em sincronia com a animação do coração pulsando. A animação e o som vão ficando cada vez mais rápidos à medida que sua vida diminui, e com certeza vai afetar as ações do jogador no jogo à medida que Rastan vai chegando cada vez mais perto da morte.

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Arcade

Os objetivos de Rastan como jogo são alcançados com um tal estilo que fornece uma experiência visceral e intensa. Este não é o primeiro jogo de plataforma, ou o primeiro jogo de fantasia, mas é o melhor de sua época.

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Master System

Surpreendentemente, o único console que recebeu uma versão de Rastan foi o Master System, da SEGA, e só foi lançado nos EUA, Europa e Brasil – o Japão foi deixado de fora. É uma conversão bastante decente, apesar da animação pobre e de muito slowdown. Ainda sim, ao perceber que não seria possível duplicar a experiência dos arcades, os desenvolvedores fizeram algumas mudanças.

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Master System

A mais óbvia é que as fases foram drasticamente redesenhadas. Elas são mais curtas, mas estão mais cheias de armadilhas e abismos que o jogo original. Seu design visual é similar, com exceção de uma fase, que foi totalmente refeita para parecer ruínas gregas antigas. Há uma fase extra no fim do jogo, e um chefe extra, um dragão gigante que toma quase que metade da tela. A segunda maior mudança é que Rastan pode agora pular pelas paredes, e diferente de vários outros jogos onde se adicionaram habilidades especiais depois, as fases foram realmente projetadas exigindo um bom uso desta nova habilidade. A barra bacana com o coração também foi removida, e você não pode mais se mover enquanto golpeia com a espada.

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Master System

Em outro momento de inspiração, a maioria dos chefes ou foi redesenhada ou recebeu novas habilidades. Além disso, Rastan não morre mais automaticamente ao tocar nos rios de lava ou buracos em chamas. Ele fica parado sobre eles, enfiado até os joelhos e perdendo energia gradualmente, te dando a chance de pular na parede para escapar. Indo contra o arcade, no Master System, Rastan pode andar sobre a lava se você quiser. Ele pode levar mais dano, mas só tem uma vida, e precisa recomeçar do início da fase ao morrer, ao invés de recomeçar de um checkpoint.

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Master System

A versão para Master System não tem as cutscenes entre as fases, e também tem um enredo e final completamente diferentes. Aqui, ele precisa salvar a princesa de um dragão. Mas novamente imitando Conan, ele parte no final, perdendo o seu coração de ladrão e se tornando mais ambicioso em seus objetivos. É interessante que este trabalho extra foi feito para um jogo que é basicamente conhecido como sendo a definição do jogo onde você se move da esquerda para direita matando monstros.

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Master System

Apesar do conteúdo de Rastan ser simplório para os padrões de hoje em dia, é notável que as os corpos explodindo e a nudez estão presentes até na versão americana para o Master System (com ilustrações de várias harpias com os seios de fora e outras criaturas que aparecem no manual americano).

Há também uma versão para o Game Gear, que só foi lançada no Japão. Apesar do Master System e do Game Gear compartilharem muitos títulos, cada versão era geralmente reprogramada tendo em conta as suas diferentes resoluções. Por exemplo, os jogos para Game Gear tinham visuais em “close” e personagens maiores, para aparecerem melhores na sua tela menor. Mas isso não acontece aqui, onde o jogo roda na mesma escala que no Master System. Em outras palavras, os gráficos estão levemente distorcidos – como se fosse um jogo de Master System rodando no Game Gear usando-se o adaptador Master Gear.

Uma das primeiras versões para computador foi para o Commodore 64, feita pela Imagine em 1987. Interessante notar que o enredo é completamente diferente. Desta vez, Rastan está defendendo suas terras dos demônios invocados pelo maligno feiticeiro Karg, que Rastan enfrenta no fim do jogo depois dele se transformar num dragão. Nos EUA, a arte da capa foi feita pelo famoso artista de fantasia Tim Hildebrant.

Quanto aos gráficos, a animação é bem simples se comparada a suavidade do original. Mas o maior problema é a inconsistente detecção de colisões, ao ponto onde algumas vezes os inimigos podem chegar a ferir Rastan sem sequer chegar perto dele. O Rastan e as outras sprites sequer estão alinhadas com o chão, e parecem estar patinando acima dele. A programação das cordas balançando é incrivelmente pobre, e geralmente resulta em Rastan caindo no meio delas. A música (programada por Martin Galway) é muito boa, e captura o espírito do arcade de forma bastante efetiva. Isso inclui até uma faixa nova, tocada na tela de carregamento, que captura bem o espírito de aventura do jogo original.

Mas para acabar com tudo, o jogo é impossível de ser terminado devidos aos seus bugs. O final só pode ser alcançado usando-se um trainer, e tem um estranho pedaço de texto que diz que o verdadeiro nome do Rastan é Paul, e diz que a sua próxima aventura é o inexistente jogo “Paul develops the Cobra scroll”. Isso é uma referência à entrevista dada pelo programador Paul Owens à uma revista, onde ele diz ter sido responsável pelo impressionante efeito de parallax do jogo Cobra, para ZX Spectrum, quando na verdade este foi feito por outra pessoa. Os desenvolvedores de Rastan parecem ter uma grande birra com este episódio.

A versão para ZX Spectrum usa muito da capacidade do hardware. Rastan e seus inimgios são desenhados em linhas com fundo transparente, mas as sprites são muito mais detalhadas do que em qualquer outra versão para computador. A animação também impressiona em comparação com outras conversões para o computador da Sinclair. Mas a detecção de colisões ainda é um problema. Infelizmente, apesar dos reviews mencionarem a boa música do jogo, os re-lançamentos desta versão foram gravados em disquetes de 48K, que não só carregam cada fase individualmente, mas tiveram também muito do som do jogo removido.

Rastan para o Amstrad CPC é provavelmente a pior versão já feita. A versão para o Commodore 64 é bastante fraca, mas pelo menos tem boas músicas. A versão para o Amstrad conta com um posicionamento de inimigos questionável (não é incomum que eles simplesmente se materializem no meio da tela) e o scrolling quadro a quadro torna o jogo praticamente impossível de se jogar.

A versão para MSX2, lançada pela própria Taito, parece ser sido bastante baseada na conversão para Master System. Como em muitos jogos da plataforma, a tela não rola, com os novos cenários aparecendo sempre que Rastan chega ao fim da tela atual. As fases foram redesenhadas levando isso em conta. Aqui todas as salas dos chefes ocupam apenas uma tela, também. Além disso, aparecem poucos inimigos na tela simultaneamente. E não existe um chefe final –  você simplesmente enfrenta os chefes anteriores novamente.

As últimas versões foram feitas em 1990, para os computadores pessoais IBM e Apple IIgs. Esta é uma das várias conversões de arcades da Taito feita pela NovaLogic para PC, e é muito boa.Os gráficos são bem detalhados, e o jogo se move num ritmo bom. A versão para IIgs é essencialmente idêntica à versão para PC, mas com gráficos e som melhores.

Rastan até inspirou um clone para o TRS-80 Color Computer, chamado Warrior King. O protagonista deste clone foi brilhantemente renomeado como “Rastann”, mas o jogo em si é decente. Ele conta com efeitos sonoros digitais e um bom uso de cores, mas os controles de pulo são bem sofridos. E infelizmente, a detecção de colisões é melhor que de muitas versões oficiais do jogo original.

Depois de muitas alterações e conversões inferiores, a Taito felizmente começou a lançar muitos de seus jogos clássicos em coleções para o PlayStation 2 em 2005, com uma versão quase “arcade perfect” do Rastan inclusa. Elas são a Taito Legends para o PS2 americano, e Taito Memories Joukan, no Japão.

Rastan também aparece no jogo de luta livre da Taito para os arcades Champion Wrestler, com o nome de  “Miracle Rastan”.

Comparativo de Fotos

Salas dos Chefes

Abertura/Encerramento

Vídeos

À  SEGUIR: RASTAN SAGA II!

 

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