After Armageddon Gaiden (Mês do SEGA CD)

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After Armageddon Gaiden: Majuu Toushouden Eclipse (アフターハルマゲドン外伝 魔獣闘将伝エクリプス) – Mega CD (November 11, 1994)

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Capa

Apesar da esperança de uma possível continuação direta do Last Armageddon terem morrido quando a Brain Grey fechou as portas, Iijima mais tarde revisitou o conceito quando ele era o responsável pela empresa Pandora Box. After Armageddon Gaiden foi lançado bem tarde durante o ciclo de vida do Mega CD, apenas poucas semanas antes do lançamento do SEGA Saturn. A Working Designs planejava traduzir o jogo no ocidente como A Side Story of Armageddon em 1995 mas cancelaram o projeto, pois o SEGA CD já havia perdido o suporte neste lado do mundo.

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Este jogo se passa num mundo paralelo chamado Eclipse, baseado em algum tipo de história ou mangá chamado “Majuu Toushouden Eclipse” que era publicada(o) na revista Marukatsu Mega Drive. Depois de cem anos de guerra, Eclipse foi dominada pelo rei-dragão Volzark e seu exército de monstros. Humanos ainda existem em Eclipse mas foram reduzidos à gado, vivendo aprisionados e criados como alimento. A história segue cinco de seus monstros mercenários, enviados para investigar as ruínas da civilização humana.

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Desta vez você controla só um único grupo de monstros: o dragão Radune, o ifrit Jokos, o golem Dhalzam, a súcubo Freya, e o slime Loperus. Cada um tem afinidade com um elemental e é especializado em atritbuto diferente, com exceção de Loperus, que é ruim em tudo e é a personificação do elemento do “vazio”, que mais tarde terá sua razão no enredo do jogo.

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Ao chegar em Mu, os monstros ouvem a voz do seu antigo governante Ra Mu, que ordena que obedeçam sua vontade e limpem a Terra as criaturas inferiores. Seu grupo se recusa e como resultado Ra Mu lança uma catástrofe celestial e elimina a maior parte da vida na Terra, como aparentemente ele já fez várias vezes antes. Seu grupo se aventura pelo mundo arruinado e encontra o Rei Sol de Atlântida, que lhes diz para encontrar os dez espíritos de seu povo, para restaurar suas memórias e obter a força necessária para derrotar Ra Mu…

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O combate foi simplificado e é muito mais interessante que de seu predecessor. É mais ou menos como o sistema dos Final Fantasy 16 bits, onde cada personagem pode executar uma ação depois que a barra carrega. O ritmo das batalhas também é muito mais rápido, o que é uma melhoria muito bem-vinda. Monstros e inimigos saltam ela tela quando atacam e suas magias também contam com boas animações. Não é nada de especial, mas é um enorme avanço em comparação com o original.

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Uma coisa legal é a opção de se ajustar a frequência de combate no menu, sempre que quiser. Existem três níveis: combates á cada poucos passos, frequência normal e quase nunca. Já que os chefes são bem difíceis, o jogo requer bastante “grinding”, por isso é legal poder mudar para um “grinding mode,” ou mudar para uma configuração mais tranquila quando se está tentando explorar uma dungeon.

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Alguns elementos-chave do Last Armageddon estão de volta, sem alterações. Subir de nível funciona praticamente da mesma forma que antes – monstros ganham XP e melhoram os stats individualmente ao realizar várias ações durante o combate. Lojas ainda são acessadas pelo menu, mas você destrava mais itens e equipamentos para comprar à medida que seu grupo evolui.

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Mas a evolução funciona de uma forma bem diferente desta vez. Depois de se jogar por volta de um terço do jogo, você ganha acesso à “Evolution Device”, que permite que você evolua cada monstro um nível ao comer um humano.

“Por favor, nos dê a paz derradeira! Venha, devore-nos, evolua!”

O jogo tenham aliviar o horror de se usar sacrifício humano como uma mecânica central do jogo fazendo com que os humanos te peçam para fazer isso, o que não deixa de ser bastante perturbador.

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Ao invés de evoluir em níveis, comer um humano permite que o o monstro evolua se transformando em um de 48 monstros diferentes, que você simplesmente escolhe em uma galeria. Já que não há a necessidade de se combinar monstros para distribuir as habilidades importantes, a evolução não é tão importante como antes. Mas os diferentes monstros ainda tem stats, afinidade elemental e golpes especiais diferentes, por isso vale à pena experimentar com a evolução sempre que possível. Evoluir também é a única forma de aumentar os stats máximos de seus monstros.

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Mas claro que esta não seria uma continuação de Last Armageddon se não tivesse um terrível problema de balanceamento. A maioria dos chefes tem uma dificuldade impossível, à menos que você tenha um ataque especial chamado “Gatling,” que diminui pela metade a energia de um inimigo. Para conseguir avançar sem precisar fazer uma quantidade absurda de grinding, é necessário evoluir cada monstro para uma forma que saiba Gatling, e então ficar naquela forma pela maior parte do jogo.

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Cada humano dentre os 200 disponíveis, tem características diferentes que são atribuídas ao monstro quando são comidos. Cada uma delas aumenta um stat em particular e a resistência à um ou mais status negativos. Mas o mais interessante são as quatro Emoções que eles adicionam ao monstro – Amor/Ódio, Coragem/Covardia, Esperança/Desespero, e Paciência/Desejo, os últimos sendo as formas negativas dos primeiros. Se um monstro comer vários humanos com valores de Amor e chegar ao valor de  Amor de 99, eles destravam a Última Evolução próximo do fim do jogo – uma para cada emoção. As emoções negativas oferecem as mesmas Últimas Evoluções que as emoções positivas, logo basta ser consistente em uma direção ou outra.

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Existem vários designs impressionantes de monstros no enorme bestiário do jogo, mas muitos são simplesmente sem sentido ou sem inspiração. Eles são monstruosos e assustadores, mas alguns parecem ser apenas pilhas horrendas de tentáculos e carne. O que também não ajuda é a abundância de marrom e cinza, o que não os ajuda à se destacarem uns dos outros. Os melhores designs tem inspiração em coisas como animais marinhos, insetos e intestinos somados aos tema do jogo anterior, inspirados no trabalho de H.R. Giger, além de caveiras e poças de gosma.

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O enredo  de After Armageddon Gaiden é similar ao de Last Armageddon, com muitos dos mesmos pontos-chave: o Armageddon, a revelação de que os monstros são humanos transformados, a aventura para se recuperar suas memórias… O enredo se diferencia o suficiente de seu predecessor para ser  um jogo novo, mas sendo mais parecido com um RPG tradicional de fantasia. Você visita uma série de  dungeons baseadas em dez objetos do sistema solar, encontra cinco Vontades Elementais, e derrota dragões gigantes baseados nos quatro arcanjos. A história segue uma fórmula mais clara que a de Last Armageddon, logo o seu ritmo é muito mais claro mas acaba surpreendendo muito menos que o original.

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A busca para recuperar as memórias dos personagens é bem parecida a busca para “recuperar as sementes da humanidade” ao fim do Last Armageddon, mas é menos interessante. Estas memórias eram despertadas por artefatos da  civilização humana, como uma revista em quadrinhos ou um ídolo de barro, revelando algo sobre a cultura humana. Aqui, as memórias são despertadas pela Vontade Elemental que o monstro usou para se transformar. Aqui, as memórias também são muito menos detalhadas: ao invés de algo como o Slime aprender algo sobre a poluição que é resultado do progresso humano, aqui o Slime simplesmente se lembra de que era um médico num campo de batalha humano e lembra de como ele não desistiu diante da falta da esperança. É uma série de quests com significado profundo, mas elas receberam bem menos atenção do que suas versões análogas no jogo original.

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Muito da convoluta história do mundo é contada nas várias ruínas, pouco a pouco, à medida em que os espíritos de Atlântida recuperam suas memórias. Ra Mu foi no passado um cientista em Mu que conquistou a imortalidade usando uma Evolution Device, o que permitiu que os humanos se transformassem em monstros, na esperança de conquistar o mundo. Ele conseguiu, e os monstros continuaram à caçar os humanos para conseguirem evoluir ainda mais. Atlântida enviou cinco guerreiros (o seu grupo), que absorveu os poderes dos cinco elementos para se tornarem monstros com o objetivo de derrotar Mu. Mas eles não foram fortes o suficiente e Ra Mu selou as suas memórias. Atlântida, em desespero, sacrificou sua civilização para apagar Mu do mapa, e Ra Mu caiu em um sono profundo no subterrâneo. Apesar da civilização humana ter se recuperado por algum tempo, Ra Mu conseguiu possuir o presidente J. Davis e causar um holocausto nuclear.

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Para aqueles que estão contando, existem apocalipses apresentados neste jogo: 1) a extinção dos dinossauros; 2) monstros antigos destruídos por um asteróide; 3) Atlântida e Mu destroem um ao outro; 4) o holocausto nuclear humano; 5) Ra Mu limpa a superfície da Terra. É dito que esta longa história de destruição vem do Sol, sentiente, que limpa o sistema solar de contaminações. Interessante que esta teoria é primeiramente explorada no início do jogo, quando seu grupo lê um antigo livro de medicina que fala sobre metabolismo:

“Novas coisas surgem eliminando as coisas velhas e desnecessárias. É assim que elas criam os seus corpos.”

“Se a função metabólica das estrelas é eliminar resíduos… seria [o apocalipse] a vontade das estrelas?”

Como se descobre bem mais tarde, o seu grupo está certo. Depois de adquirir o poder de Atlântida, atingir a Última Evolução e descer até Mu para derrotar Ra Mu, seu grupo encontra uma criatura monstruosa no coração de Mu, a Vontade da Estrela, que acelera a evolução e dá um imenso poder às formas de vida de Eclipse, acelerando a sua destruição.

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Após se derrotar a Vontade da Estrela na batalha final do jogo, o equilíbrio do mundo é restaurado, e a vida pode recomeçar. O grupo parte para viver vidas normais na nova Eclipse, mas Jokos lhes diz que ele gostaria de viver por conta própria. Eles o deixam partir, e ele revela um plano para conquistar o mundo novo, dá uma gargalhada maligna e o jogo acaba. Sem créditos nem nada, simplesmente voltando para a tela inicial do Mega CD. Podemos dizer com boa dose de certeza que esta ponta nunca será resolvida.

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After Armageddon Gaiden é certamente um jogo melhor que Last Armageddon, com todas as suas tornando o jogo menos chato de se jogar. Mas apesar de expandir o mundo desolado e solitário e melhorar as mecânicas de seu predecessor, a história é muito mais fantasiosa e tradicional no seu estilo, abandonando a subversão mais interessante do jogo original. Logo, o que sobra é um RPG mediano cheio de grinding, com alguns designs de monstros bem legais – nada realmente tão experimental que poderia fazê-lo se destacar entre os melhores JRPGs da época.

Galeria de Monstros

Links

Sega-16 – tradução em inglês de um sumário do enredo, incluído no CD do jogo.

Adventurer’s Inn (japonês) – informações sobre as mecânicas do jogo.

Masaoki Satou’s Homepage (japonês) – maior parte do texto do jogo, como screenshots, e com comentários sobre a jogabilidade.

Mais Fotos

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Vídeos

Playthrough, parte 1 de 3:

Playthrough, parte 2 de 3:

Playthrough, parte 3 de 3:

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