Heart of the Alien (Mês do SEGA CD)

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Heart of the Alien: Out of This World Parts I and II – Sega CD (1994)

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Capa

A Interplay deu uma pista de uma continuação em sua versão para 3DO de Another World. O final estendido acabaria por se tornar uma continuação completa que nunca havia sido planejada, chamada Heart of the Alien. Eric Chahi (criador de Another World) foi incisivo sobre não mudar a história ou sua conclusão com o final em aberto, mas com a Interplay e a Delphine insistindo constantemente na idéia de continuar a a ventura de Lester, ele aceitou relutantemente escrever alguns conceitos e idéias para um segundo jogo. Inicialmente o projeto seguiu bem, com Chahi conseguindo bastante inspiração e até gostando da idéia de expandir a história original. Heart of the Alien deveria ser, na visão de Chahi, o Another World atraés dos olhos do seu amigo alienígena ao invés dos de Lester, sendo basicamente um jogo-espelho do original. Você poderia descobrir o que seu amigo alienígena estava fazendo enquanto você explorava as cavernas e a mansão no primeiro jogo, e assim como Lester vê seu aliado fugindo dos guardas, você poderia agora ver Lester lutando e fazendo o que fez no primeiro jogo, pela perspectiva do alien. A Interplay concordou com a idéia, e o desenvolvimento começou com Chahi participando do projeto.

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Entretanto, não foi isso que acabou se tornando a versão final de Heart of the Alien. No começo do desenvolvimento, Chahi já havia se decidido em começar o desenvolvimento de seu próximo projeto. Havendo formado o seu próprio estúdio de jogos e já planejando um jogo novo, o tempo simplesmente não permitia que ele dedicasse muita atenção à continuação com a qual ele havia concordado tão relutantemente. Quando o desenvolvimento do jogo realmente começou, ele já estava muito envolvido no trabalho que mais tarde se tornaria o Heart of Darkness, um jogo com um clima e estilo similares ao do Another World. A Interplay viu nisso não só a chance de criar uma continuação verdadeiramente cronológica, mas também de remover quase todas as idéias de Chahi. As idéias que restaram foram alteradas para se encaixar na visão do que o jogo haveria de se tornar.

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Heart of Darkness

 

Heart of the Alien continua exatamente de onde o primeiro jogo acaba, com o alienígena, agora apelidado de Buddy, chegando com Lester em sua antiga vila, que foi destruída pelas forças no poder. Através de flashbacks o jogador agora testemunha como tudo aconteceu e como Buddy acabou na cela preso com Lester após uma longa de dura batalha na vila. Acontece que Buddy é na verdade o líder do vilarejo, e que ele está enfrentando um governante maligno identificado como “o alienígena de olhos vermelhos”. Esta é a mente perversa que está por trás de toda a dor e sofrimento deste mundo, e ao andar pelas ruínas de seu lar Buddy decide caçar este alienígena de olhos vermelhos e resolver isso de uma vez por todas. Lester ainda está ferido de sua luta ao final do do primeiro jogo e é deixado na cabana para descansar. Chahi tinha a intenção original de que todo o jogo se passasse durante os eventos do jogo original, mas pela perspectiva de Buddy. Mas ao invés disso, tudo foi feito numa cena de flashback, servindo de abertura para o jogo. Apesar de ser interessante ver como alguns eventos realmente aconteceram, a direção destas cutscenes deixa muito a desejar. Uma vez que os flashbacks acabam, você recebe o seu primeiro objetivo: achar o chicote de Buddy.

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Apesar do visual similar e de usar o mesmo framework de Another World, há vários novos elementos de jogabilidade aqui. Buddy pode pular para cima, como em Prince of Persia e se agarrar em parapeitos. Mas a maior novidade é o já mencionado chicote. Ele substitui a arma laser encontrada no primeiro jogo. Este poderoso chicote pode ser usado em qualquer direção, atirar raios laser, criar campos de força e disparar a mesma onda de energia que você já conhece do jogo anterior. Você também pode se balançar sobre abismos e outros perigos, laçando pedras protuberantes e outros objetos. Neste jogo o perigo realmente vem de todas as  direções, logo você tem que ficar bem atento pois cada tela está cheia de perigos.

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A primeiríssima tela do jogo é uma referência direta ao original, pois a primeira coisa que acontece é que você é parado abruptamente por uma fera negra e tem que correr por sua vida – só que desta vez, ao invés de se balançar em cipós, você usa seu novo pulo para cima para se esconder em cima de um pedestal. Infelizmente, esta é a única vez que o jogo pega inspiração de se predecessor e faz algum interessante, pois depois disso o jogo vai rapidamente buraco abaixo. O estilo é bem similar, com cada tela cheia de obstáculos naturais que você precisa transpor para permanecer vivo. A maioria dos perigos são projéteis, guardas ou criaturas de solo, no começo, mas agora há também criaturas aéreas, como morcegos que podem te fritar ao simples toque. Novamente, este é um jogo bem curto onde você se infiltra no covil do alienígena de olhos vermelhos, destrói o seu gerador de energia e mata o seu arqui-inimigo. Existem ao todo 13 fases, mas algumas fases levam menos de um minuto.

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Se você destrinchar o Another World, vai achar alguns detalhes mal-acabados e controles estranhos, mas ainda sim um produto bem divertido, com boa variedade de puzzles e dificuldade equilibrada.

Heart of The Alien é um jogo ruim por completo, recheado de problemas e mal dirigido. Buddy é tão lento que toda hora você acaba morrendo simplesmente porque ele não reage ao seu comando à tempo. Novamente copiando Prince of Persia, o jogo todo é baseado em temporização e passos exatos, sem espaço para erros. Não importa o que você mandar Buddy fazer, há um segundo inteiro de delay antes que ele faça o que lhe foi mandado. Isso é culpa da animação, que tenta ser fluida demais para o seu próprio bem. Para chicotear, atirar, ou até para correr, há uma sequência de animação onde Buddy prepara o chicote ou ganha velocidade para sua corrida, o que quebra o jogo completamente, pois te deixa vulnerável à ataques, e os ataques vem à qualquer instante e quase sempre de surpresa. Em um certo ponto do jogo você se junta novamente à Lester por fantásticos 20 segundos, o suficiente para você até pensar que vai realmente ver a dupla trabalhando junto de novo.

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O primeiro jogo foi pioneiro com o uso de polígonos para os gráficos, o que lhe rendeu um visual único e icônico que ainda é lembrado com carinho por muita gente. O jogo tenta emular parcialmente este visual, mas usa sprites tradicionais ao invés de polígonos nos gráficos. Em uma captura de tela o jogo pode parecer similar e estiloso mas quando vemos o jogo em movimento fica óbvio que Heart of the Alien não foi capaz de manter a aura e a movimentação do original. A animação é em rotoscopia e mal executada. O resultado é que os personagens tem muito movimento, com eles sacudindo os braços constantemente, ciclos bizarros de movimento e cortes de frames, fazendo com  que os personagens pareçam estar sempre dançando.

A direção de arte é barata e terrivelmente inconsistente. Em uma cena, você vê o mesmo estilo usado em Another World, usando polígonos sem textura e sombreamento simples, E na cena seguinte você pode encontrar uma ilustração altamente detalhada, que parece uma imagem em close de Ren & Stimpy. A única coisa que permanece consistente são os cenários, que em sua maioria são apenas paredes de pedra e corredores com um visual azulado.

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Talvez o maior pecado cometido neste jogo tenha sido a maneira como executaram Lester e a forma como lidaram com este evento. Isso foi inicialmente sugerido por Chahi no começo do desenvolvimento, mas rapidamente descartado pois isso entrava em conflito com a sua intenção original de deixar o jogador tirar suas proprías conclusões e teorias sobre a história. Mesmo assim, agora que Chahi não estava presente, Interplay decidiu usar a idéia para fazer clímax da história. É aqui que se encontram as maiores falhas nno estilo de arte e animação, pois mesmo sem intenção, a morte de Lester é uma cena hilária, quase do nível dos Looney Tunes. Quando Buddy é nocauteado pelo malvado alienígena de olhos vermelhos, Lester decide que é hora de sair no soco e pula nas costas do vilão. Lester então cobre os olhos deles e começa à socá-lo por trás da cabeça, bem ao estilo Pernalonga. Mas infelizmente para Lester, ele é jogado contra um campo de força e é eletrocutado até a morte, enquanto seu esqueleto dança um sambinha até morrer. Para ilustrar o impacto desde evento terrível o jogo continua sem fazer nenhuma menção ao Lester até à ultima cutscene, tratando isso como algo menos importante. Você eventualmente alcança o vilão, e sua luta final com ele se desenvolve de forma cômica, para acabar de vez com a história.

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Heart of the Alien é um desastre do ponto de vista artístico e um jogo medíocre. Logo após o jogo ser lançado, Chahi fez uma declaração pública dizendo que este título não representa sua visão do mundo que ele criou e que esta não é uma continuação oficial. Uma das poucas coisas que mantiveram o nível foi a música. Composta por ninguém menos que Tommy Tallarico, ela é bastante atmosférica, mas com um toque mais agressivo, encaixando mais com a quantidade de ação adicionada ao jogo. A melhor coisa desse jogo é que eles incluíram o Another World de graça, e permitiram que Jean-François Freitas (o compositor original) criasse uma trilha sonora em áudio redbook especialmente para ele. Quando você termina o primeiro jogo, ele automaticamente começa o segundo, juntando os dois como se fossem um só, o que teria sido uma grande idéia se a continuação valesse à pena. Infelizmente, assim que aparece o intro do Heart of the Alien, é melhor desligar o jogo e deixar que ele te influencie.

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Apesar de ter sido lançado oficialmente apenas para o SEGA CD, Gil Megidish fez engenharia reversa no jogo e tornou-o portável para outros consoles, sob o nome Heart of the Alien – Redux. Usando a linguagem de programação SDL, o jogo pode ser eventualmente portado para consoles como Wii, Game Boy Advance, Nintendo DS, Dreamcast e GP32.

Mais Fotos

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Vídeos

Heart of the Alien:

Another World e Heart of Alien jogados na sequência:

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