Especial Exile, Parte 2: XZR II/Exile

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XZR II: Toki no Hazama ni (エグザイルII 時の狭間に) When Trapped Between / Exile – PC-88, PC-98, MSX2, Mega Drive, PC Engine CD (1989 / 1991)

Aparentemente, XZR II foi lançado meros quatro meses depois do primeiro jogo – se este é mesmo o caso, isso é uma conquista fenomenal, já que XZR II é de uma vasta melhora em todos os aspectos em comparação com o jogo original, especialmente quanto a versão para MSX. Enquanto antes parecia que os dois jogos haviam sido feitos por times diferentes, o que acabou criando dois produtos bem diferentes entre si, agora as versões para os computadores NEC e MSX2 do XZR II são quase idênticas, sendo que as versões para os computadores da NEC rodam numa resolução diferente, como única diferença óbvia. Quase tudo foi refeito, e agora a versão para MSX2 agora conta com scrolling multi-direcional nos labirintos e com um movimento mais suave nos mapas vistos de cima. Considerando quantos jogos de MSX2 que conseguiram esta façanha, isso parece ainda mais impressionante. O controle também é  mais sólido e responsivo.

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MSX2

Dois anos depois saíram dias versões para console do XZR II, para o Mega Drive e PC Engine CD, mas chamá-los de remakes seria uma descrição melhor, já que quase tudo mudou: a estrutura física e o design, itens disponíveis, arcos de narrativa, e assim por diante. Além disso, o monitor cardíaco com ondas foi substituído por barras sólidas que ondulam para a direita, e as drogas não tem efeitos negativos. Com isso, não surpreende que eles abandonaram o nome XZR e receberam o nome de “Exile: When Trapped Between“. Ambas as versões foram traduzidas e lançadas nos EUA. A divisão Renovation da Telenet cuidou da versão para o Genesis, e a Working Designs cuidou da versão para o Turbo Duo. Isso foi feito mesmo se sabendo que o público americano nem sequer tinha como conhecer o jogo original. Vic Ireland nos contou que: “EU não sabia dos detalhes, mas sabia que havia um outro jogo que havia sido lançado antes para computador”. Com isso, uma introdução explicava a história anterior em ambas a versões, e os jogadores nunca se questionaram se eles haviam perdido alguma coisa. Em termos de áudio e visual os jogos são quase idênticos, e apenas uma fonte melhor, algumas cores à mais e diálogos falados nas cutscenes fazem a versão para Turbo Duo se destacar.

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Turbo Duo

Vic, no site NeoGAF também explicou o clima da época: “Bem, o Turbo Duo (que era tudo com o que eu me importava, fazer jogos em CD e tal) vendeu menos que 20.000 unidades. O drive de CD para o Turbografx vendeu isso ou menos. Isso era bem ruim, mas para o tamanho da nossa empresa, estavam vendendo para 50% ou mais desta base instalada, o que é algo incrível e que nunca fomos capazes de repetir”.

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Mega Drive

XZR II é o melhor da série, e todo mundo deve jogar pelo menos uma de suas versões até o fim. O jogo se passa depois dos eventos do primeiro jogo, com Sadler deixando sua cidade para investigar alguns estrangeiros que estão próximos à um oásis. Isso eventualmente o leva ao Templo de Salomão e ao líder dos Cavaleiros Templários, Hugue, que nas versões americanas para consoles está em busca do Holimax, uma possível referência ao Santo Graal (Holy Grail). Nas versões originais para computador isso nunca é mencionado, e ao invés disso Sadler ajuda Hugue na busca por Mandalas especiais, que são: “diagramas concêntricos com significãncia espiritual e ritual no Budismo e Hiduísmo”. Que seja… Ele precisa achar artefatos sagrados. Eles viajam para a França, Rumi é raptada (de novo), e eventualmente Sadler parte para a Índia, e então visita um templo cambodjano, antes de ressuscitar o profeta maniqueísta Mani. Depois vai para o Japão. Depois de resgatar Ninkan (que na vida real era o líder de um culto sexual japonês chamado Tachikawa-ryu), Sadler acaba voltando no tempo para o Jardim do Éden para testemunhar o festival de Baco, deus do vinho. Aqui há um segmento que envolvendo a morte do personagem maçônico da vida real chamado Hiram Abiff pelos três rufiões Jubela, Jubelo e Jubelum. Você luta contra o terceiro, consegue o Holimax, e outras coisas malucas acontecem antes do jogo acabar.

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Mega  Drive

Pelo menos é isso que acontece no fim das versões para console. As versões para computador são talvez 20% mais longas, com várias áreas que se passam no futuro. Você começa na Manhattan de hoje em dia, anda de metrô, luta contra punks que andam de skate e zumbis, e ainda por cima visita a Igreja de St. Patrick e o Rockefeller Centre antes de dar um pulo no edifício da ONU. Daí você vai para Sikkim, um estado dentro da Índia, entre o Nepal e o Butão. No fim, após colocar no lugar duas das Mandalas já obtidas, você luta contra o mesmo chefe das versões para console e termina o jogo.

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MSX2

Existem várias outras diferenças entre as versões para computador e as dos consoles. A primeira que você vai ver é que na primeira dungeon das versões para computador começa com Sadler à direita, virado para a esquerda, e tem uma porta para você sair depois de cair através de um oásis falso. Já nas versões para console, o seu personagem começa na esquerda, virado para direita (como em Super Mario Bros.), e não há a tal porta. Isso te força a estocar tudo antes de se aventurar para fora, mas devido à diferença de preços e o aumento no dinheiro que você começa, é possível comprar muita armadura e drogas nas versões para console. E isso continua pelo resto do jogo – as versões para computador são mais difíceis com um senso de design menos convencional, enquanto as versões para console são consideravelmente mais fáceis, mais coloridas e com um design mais simplificado – mas ambas seguem os mesmo temas gerais. Se você gostou das versões para console, você realmente precisa conferir os originais.

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Turbo Duo

Eu perguntei ao Vic se ele falou com a Telenet sobre as diferenças entre as versões para computador e para consoles. Ele disse: “Não houve nenhuma discussão com a Telenet sobre o que havia acontecido no processo de conversão do computador para PC Engine. Estávamos felizes com o jogo como ele era e isso nos era suficiente!”

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Mega Drive

As versões para console são excelentes, e apesar da omissão das fases no futuro, valem à pena serem jogadas se você não conhece a série Exile e quer a história em inglês. Há uma tradução parcial do jogo para MSX2, feita pelo Django, mas ela só traduz os nomes dos itens e das palavras-chave. A versão em inglês definitiva é a para Turbo Duo, feita pela Working Designs, já que ela permaneceu sem censura em comparação com a versão japonesa original, enquanto a versão para o SEGA Genesis teve toda uma vila incendiada removida, assim como as garotas dançando nuas na última fase. Estes elementos ainda estão presentes na versão para o Mega Drive japonês (veja os screenshots). A versão americana para o TurboGrafx-16 também tem alguns inimigos mais difíceis, com vários deles tendo muito mais HP causando muito mais dano.

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MSX2

Entretanto, a versão para o Duo teve vários nomes alterados. Eu perguntei ao Vic se isso havia sido exigido pela Telenet. “Não pela Telenet, mas pela NEC. haviam regras bem restritas quanto ao uso de símbolos e nomes religiosos, assim como drogas, etc. O estranho é que ele não pareciam se importar muito com pessoas sendo queimadas na fogueira, ou com a nudez das seguidoras de Baco. Logo deixamos a cena herética e as pessoas pelasdas, que foram cortadas da versão para o SEGA Genesis. Mas outras coisas, como as referências à drogas e os nomes religiosos tiveram que mudar. Com isso, os Christian Crusaders viraram os Klispin Crusaders. Dadas as regras da NEC, este era um assunto altamente sensível, logo as referências diretas tiveram que ser alteradas”.

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MSX2

O mais interessante é que maior censura ao nome das drogas veio da própria Telenet, ao portar os jogos. Enquanto a versão para computador do XZR II tinha praticamente o cardápio inteiro de drogas do primeiro XZR, se você jogar a versão para Mega Drive você vai ver que apesar do diálogo estar em japonês, todos os nomes dos itens estão em inglês (o que o torna mais fácil de se jogar), e a maioria foi alterada para coisas como “convalsents” e “snake poison”. Vic comentou: “Era uma bagunça. Alguns já haviam sido alterados, e outros ainda estavam lá. E nós mudamos o que precisou para conseguir a aprovação da NEC”.

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Mega Drive

A versão para SEGA Genesis também tem alguns palavrões que não estão presentes na versão para Turbo Duo. Mas isso, como Vic explicou, não foi culpa da Working Designs: “Eu não lembro especificamente, mas deve ser provavelmente o casso de “chikushou’, que pode ser traduzido desde “putz” até “merda”, dependendo do tradutor ou do contexto. A tradução para o SEGA Genesis é um lixo, de qualquer forma. o “engrish” é quase inteligível em várias partes”.

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Turbo Duo

Independente da versão que você jogar, Exile é tremendamente divertido. Não é muito difícil, não há muita complexidade nele, mas há um bom equilíbrio entre a ação e os elementos de RPG que mantém tudo interessante. Equipamento pode ser comprado e vendido nas lojas, mas a seleção é pequena e aumenta aos poucos, logo não parece que você esteja perdendo um item importante. A energia se recarrega quando você está em seção de visão aérea, e com exceção da dungeon das formigas do começo, nunca há motivo para fazer griding. Magias de tela inteira matam os chefes facilmente, sem precisar que se chegue perto. Ele ainda é um jogo bonito, com um pouco de efeitos de parallax e de waves, além dos pequenos detalhes, como manchas de sangue nas pareces, retratos até dos personagens secundários e assim por diante. Se você jogar a versão do Turbo Duo, as animações tem vozes, o que é bacana.

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Mega Drive

A música também é extremamente boa, com algumas faixas bem agitadas; seja na versão com áudio redbook do Turbo Duo ou com os chiptunes do Mega Drive, todas são excelentes. A música das versões para computador do XZR II foi composta por Shinobu Ogawa e Tenpei Sato, músicos da Telenet de longa data. Retirado da seção sobre Motoi Sakuraba no site Snesmusic.org: “Sendo o compositor-chefe da Telenet Japan, Shinobu Ogawa fez a música vários jogos. Seu trabalho mais famoso é Valis, mas ele também fez a sua continuação, que ele vez em conjunto com seu antigo parceiro Tenpei Sato. Shinobu também trabalhou com Nobuhito Koise em vários jogos. Juntos eles definiram o famoso “Som da Telenet’, que Tenpei Sato, Michiko Naruke, e outros compositores mais tarde adotaram alegremente”.

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MSX2

Nada em Exile é especialmente revolucionário, e muitos vão reclamar de sua simplicidade e dos seus elementos disparatados. Mas ao ser avaliado como um todo, é um jogo bem feito e muito bem acabado, com um enredo único. É um jogo sem muitas ambições, que tenta ser algo derivativo, mas faz isso extremamente bem. Comparado à outros jogos de 1991, ano em que houveram alguns clássicos mas também alguns lançamentos horríveis, e somado o fato que o jogo não faz nada realmente errado, o torna um título encantador. Um jogo bem sólido, que vale à pena se jogar.

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Minigame XZR II (PC-88)

Minigame no XZR II

Para acessar sound test em qualquer uma das versões de computador, aperte F5 durante a introdução. Mas a versão para PC-88 tem uns truques na manga. Quando você entrar na tela de música, quando ela mandar aperte espaço e segure por um segundo, e então digite as letras M, A, R, I, N e A, escrevendo MARINA. Você vai ouvir um som. Agora aperte espaço e a tela de música agora terá mais informações, incluindo teclas de piano no rodapé, permitindo que você crie sua própria música. E há também um minigame escondido! Como antes, digite MARINA, só que quando ouvir o sim, ao invés de apertar espaço, digite as letras M, A, I, T, A, K, A, I (MAITAKAI) e aperte enter. Isso deve te levar à um jogo bizarro onde você controla uma bola, onde você deve coletar todos os blocos “P”, enquanto evita os obstáculos. Você precisa começar a virar bem antes, pois é como controlar um elefante. Há também um limite de tempo em cada fase. É extremamente difícil, mas é um toque bem legal haver um joguinho escondido.

Comparativo de Fotos

Crucificações:

Pessoas Nuas:

Vídeos

MSX2:

PC-88:

Mega Drive/Genesis:

PC Engine CD/Turbo Duo:

Sound Test:

À Seguir: Exile: Wicked Phenomenon!

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