Dinosaurs for Hire (Mês do Mega Drive)

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Tom Mason’s Dinosaurs for Hire – Mega Drive (1993)

Adaptações de quadrinhos para os vídeogames são algo comum desde que os vídeogames surgiram e vão continuar existindo enquanto ambas as mídias existirem. Isso beneficia os criadores de quadrinhos, que podem licenciar seu conteúdo para empresas terceiras e com isso conseguir fundos para seus trabalhos, sendo bom para os desenvolvedores que podem trabalhar com material já existente e lucrar com seus respectivos mercados, enquanto os jogadores podem experimentar algo mais profundo em suas narrativas favoritas, geralmente sabendo o que esperar. Tom Mason’s Dinosaurs for Hire (abreviado como DFH) é algo assim e a sua relativa obscuridade é algo um tanto surpreendente.

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Os quadrinhos de DFH surgiram em 1988 como uma série em preto e branco lançada pela Eternity Comics e houveram apenas 9 edições. Ele foi relançado em 1993, em cores, pela Malibu Comics – o portfólio deles é imenso e recheado de crossovers de vídeogame, como quadrinhos do Mortal Kombat e até do antigo quadrinho do Street Fighter. Por um período a Malibu até teve o seu próprio estúdio de jogos, a Malibu Interactive, que produziu vários logos licenciados. Quando o DFH foi relançado, o criador Tom Mason escreveu na edição número um que a 20th Century Fox havia assinado para criar um desenho animado da série, desenhado pelo co-criador do desenho dos X-Men Len Wein, enquanto a SEGA lançaria um jogo para o SEGA Genesis naquele verão. A Marvel comprou a Malibu em 1993 e o novo DFH durou 12 edições antes de ser cancelado, sendo que apenas o jogo para Genesis acabou sendo lançado. O que é uma pena, pois para um quadrinho americano ele era brilhante, extremamente ousado, cheio de humor negro e sarcasmo, algo próximo do 2000AD inglês. A capa do relançamento declara com orgulho “ação politicamente incorreta em todas as páginas!” – e não desaponta! A página de abertura da primeira edição é fantástica, com uma mulher de topless e calcinha de látex e os dizeres de que você jamais encontraria aquilo nos quadrinhos da Marvel. As páginas seguintes tiram sarro do Stan Lee, Donald Trump, Marvel, DC Comics, X-MenRen & StimpyNinja Turtles,e até do próprio DFH.

Covers

DFH é um jogo de ação lateral em 2D que permite dois jogadores simultâneos, similar ao Gunstar Heroes ou ao Contra Hard Corps. Os jogadores podem escolher entre três personagens diferentes e então marchar pelas fases atirando em inimigos ou usando golpes corpo a corpo quando estiverem porto o suficiente. Assim como o quadrinho, é cheio de comentários ácidos, irreverência e piadas que quebram a quarta parede. O começo do jogo é falso, largando você logo de cara numa luta contra o chefe da quinta fase: um enorme monstro reptiliano. Ele é super fácil e depois de derrotá-lo os créditos aparecem, que é quando o pterodáctilo do grupo chamado Cyrano aparece e explica que a unidade de Blast Processing do seu Mega Drive deu pane e que agora sim o jogo vai começar. Isso é na verdade uma jogada muito boa, já que a primeira fase verdadeira é numas ruas sem graça na cidade e o começo falso com certeza impressionaria qualquer jogador que ligasse o jogo pela primeira vez numa loja ou na casa de um amigo. E isso encapsula todo o resto do jogo que se segue: primeiras impressões explosivas, ótimas idéias, mas nunca sendo tão bom quanto promete.

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Cyrano jogável na versão beta

Veja os três personagens selecionáveis, por exemplo: Archie o T-Rex, Lorenzo o Triceratops e Reese o Estegossauro. Eles tem sprites diferentes, animações diferentes, biografias (extremamente longas, por sinal) e até barras diferentes no rodapé da tela, mas a jogabilidade deles é idêntica. Não há nenhuma diferença perceptível em como os dinossauros são controlados ou se comportam. Você não pode mudar de personagem depois de perder todas as suas vidas e continuar, mas no fim das contas isso não importa. Cyrano, o Pterodáctilo, deveria ser também um personagem selecionável, segundo as telas da versão beta, mas sua omissão não é uma perda tão grande já que ele seria idêntico aos outros três. O mesmo problema acontece com as armas, ou a falta de. Começando com um blaster pequeno, você pode fazer upgrade para tiro duplo e então triplo, enquanto aumenta o seu tamanho e força. Editando o jogo com um editor hexadecimal revela-se que cada um dos três upgrades pode ser aumentado em até cinco níveis (sendo então um total de seis níveis), mas já que ao morrer os upgrades resetam, a maioria dos jogadores nunca verá o nível máximo das armas. Você basicamente só tem uma arma, independente do personagem que escolher, que tem 18 variações de poder.

Em sua defesa, o visual e sons do jogo são ótimos, como seria de se esperar de algo desenvolvido pela própria SEGA – se tem alguém que conhece bem o hardware do Mega Drive/Genesis, esse alguém é a empresa que o criou. Existem várias camadas com parallax scrolling, chefes que ocupam toda a tela, muitas sprites na tela e aquela técnica fantástica de pontilhamento que dá a impressão de mais cores na tela. Dê um zoom nos screenshots e veja o quanto de trabalho eles tiveram com as cores – é realmente lindo. Algo que vale à pena se mencionar é o último chefe, com tentáculos verde limão, que parece algo saído de  um jogo da Treasure. Infelizmente a jogabilidade não chega perto da qualidade da arte em pixel ou dos sons sintetizados do jogo. De forma geral, as mecânicas são simples demais, nunca alcançando o nível de complexidade ou diversão de Gunstar Heroes ou do Contra Hard Corps. É um jogo divertido, mas não fantástico, apesar de ter todo o potencial para sê-lo. E isso é algo surpreendente, já que o jogo é recheado de boas idéias. Tem a primeira fase falsa (que já mencionamos) e mais tarde outra fase que se passa num set de filmagem, com uma cidade em miniatura, com pequeninos tanques e aviões atacando. Os dinossauros ficam parecendo monstros de filmes japoneses como Godzilla, combinando bem com o estilo de humor do jogo. Além disso há várias animações de morte interessantes, como ver seu dinossauro afundar na lava enquanto segura sua arma para cima ou ver ele ser desmembrado ao tocar uma turbina. Ainda assim… simplesmente não há o suficiente destas coisas para compensar a falta de identidade dos personagens e seu sistema de uma arma só.

É difícil de se dizer com precisão por que o DFH não conseguiu se tornar um clássico. Entretanto, temos boas pistas. Primeiramente, em outubro de 1993, na newsletter Club Malibu diz-se que o jogo voltou para a fase de desenvolvimento para garantir que seria bom. Isso foi escrito de um jeito para parecer algo positivo, mas podemos considerar que a versão anterior deveria estar precisando de mais trabalho. Talvez mais alguns meses ajudariam à diversificar um pouco mais as sua mecânicas. A outra pista são os seus créditos. Veja com não há designers na lista Tom Mason é listado como criador, mas isso pode se referir à sua criação da série como material-fonte; o mais perto que o jogo tem de um designer é o seu produtor Stewart Kosoy e seu gerente, Mark Nausha. Em comparação, não há nada menos que sete programadores e seis artistas na lista. No fim das contas é exatamente assim que nos sentimos jogando – bons gráficos, som tecnologicamente bem competente, mas um pouco anêmico no quesito de jogabilidade. Há também algumas escolhas estranhas de design, especialmente de como o sistema de continue funciona ao se jogar com dois jogadores: eles dividem os créditos, mas ambos jogadores precisam morrer para que se possa continuar, sendo então são mandados para o começo da fase.

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O jogo voltou para a fase de desenvolvimento?

Tom Mason explicou sobre a situação num email: “Um dos presidentes da Malibu na época era o Bob Jacob. Ele tinha uma empresa chamada Acme Interactive que ele fundiu com a Malibu Comics – foi assim que a Malibu Interactive nasceu. Jogo ele já havia trabalhado em vários jogos ao longo dos anos e conhecia os grandes nomes da indústria da época. A SEGA licenciou Dinosaurs For Hire de mim através da Malibu para fazer o jogo. Eu não lembro quem procurou quem. O desenvolvimento foi feito por um estúdio que era afiliado da SEGA e que ficava em Diamond Bar, Califórnia. Eu não lembro o nome deles, mas eles não pertenciam à Malibu. Meu trabalho no jogo era me encontrar com os designers do jogo no início e lhes dar muitas dicas, material e responder suas perguntas quando necessário. Eu não sou um designer de jogos e eu já está ocupado com meu trabalho na Malibu Comics, logo eu não tinha tempo para dedicar para mais nada. Então deixei o design do jogo em si para as pessoas que realmente sabiam o que estavam fazendo”.

Ainda assim é um jogo divertido, e você vai curtir muito a sua primeira partida, especialmente se jogando com um amigo. Mas o jogo não garante uma vontade de se jogar repetidamente, como outros títulos para o sistema. Dá a sensação de que eles queriam fazer uma continuação maior e expandida – ou um update mais moderno. Infelizmente nada mais foi feito com este material por mais de 20 anos. Entretanto, em maio de 2016, como parte dos emails iniciais sobre os quadrinhos de Street Fighter pela Malibu Comics, Tom Mason anunciou que ele estava revivendo esta franquia e que também estaria trabalhando num novo projeto super secreto. As aventuras de Archie, Lorenzo, Reese e Cyrano tem um enorme potencial e vai ser interessante ver o que pode acontecer.

“Eu também vou trazer Dinosaurs For Hire de volta em 2017 na forma de quadrinhos, juntamente com um novo projeto meu.”
– Tom Mason, maio de 2016

[Nota do tradutor: estamos em 2020 e nada ainda…]

Adaptação para o Commodore CDTV (1991)

O Commodore CDTV foi uma tentativa falha da Commodore em entrar no mercado multimídia. Algo típico para todos os primeiros formatos em CD, ninguém sabia como usar bem esta mídia. Alguém pensou que histórias em quadrinhos com vozes dubladas faria sucesso, então várias edições da série original de DFH em preto e branco foram convertidas e colorizadas pro computador. Desenvolvida pela Wright Works III, as datas de lançamento listadas online variam, sendo a mais antiga de 1991. Como você pode imaginar, um CD caro de software nunca iria conseguir vencer em preço uma revista de 2 dólares. Mas felizmente alguém o salvou no YouTube (veja abaixo)

CDTV

Capa do CDTV

Links

Entrevista com Tom Mason“The Malibu/DC Comics Deal That Wasn’t”

Capa brasileira: site VGDB

Mais Fotos

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Vídeos

Mega Drive:

Mega Drive (trilha sonora):

Comodore CDTV:

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