Especial La-Mulana, Parte 2: La-Mulana (2011)

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La-Mulana / La-Mulana EX (ラ・ムラーナ) – Windows, WiiWare, Vita (2011)

Após o sucesso conquistado com La-Mulana, Nigoro refez a engine do jogo do zero, com a intenção de atrair um público maior, mas sem diminuir a dificuldade original. Depois de um processo de desenvolvimento turbulento em 2007, falhando em conseguir a aprovação da Nintendo e perdendo o seu potencial publisher Nicalis, La-Mulana foi lançado comercialmente na plataforma WiiWare no Japão em 2011, e então mundialmente para PC e WiiWare em 2012, e mais parte para  o PlayStation Vita.

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Ao invés de correr atrás dos direitos de cada um dos jogos de MSX explicitamente mencionados ou referidos no jogo original, a Nigoro removeu todas referências ao MSX no remake. Ao invés de colecionar ROMs com nomes de jogos famosos de MSX, Lemeza coleciona programas que geralmente tem nomes ligados à jogos anteriores da Nigoro (“lamulana.exe”) para o seu Mobile Super X. Existem também bem menos programados do que ROMs, mas agora os programas servem para alguma função além de preencher os espaços vazios no inventário de Lemeza. Agora você pode rodar vários programas de uma vez – ao invés de ficar tirando em pondo o Glyph Reader no MSX de Lemeza toda vez que quer ler algo – você pode manter o glyphreader.exe instalado por quanto tempo quiser, enquanto você não exceder a quantidade máxima de RAM, o que raramente é um problema.

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Entretanto, o sinal mais aparente de ruptura com o MSX são os novos gráficos e sons. Os gráficos agora são fluídos e detalhados, lembrando jogos em 2D para 32-bit, como Symphony of the Night, e a música agora é orquestrada. A paleta de cores maior torna mais fácil de se distinguir os inimigos do cenário, eliminando o problema dos morcegos “invisíveis” do original, e uma luz sutil brilha sobre Lemeza para mantê-lo sempre em foco. Já que agora os cenários podem ser animados sem atrapalhar o que se passa na frente dele, muitas dungeons são muito tem muitos mais detalhes que expõem o seu tema. A Tower of Ruin, que antes era uma torre com um vago aparato elétrico ao fundo, aqui é uma gigantesca máquina cheia de engrenagens e pistões, alguns dos quais agora são um perigo para Lemeza. A música foi alvo de reações mistas que geralmente acompanham o “update” de qualquer trilha sonora baseada em chiptunes: as composições ainda são perfeitas, com algumas mudanças interessantes aqui e ali, mas por causa da falta da “aspereza” dos tons originais, elas soam um pouco mais leves.

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Esta mudança de estilo também é algo que mistura nossas emoções – ao se atualizar os visuais, o jogo perdeu parte da sua exclusiva vibe old-school, mas ganhou mais identidade como um jogo independente, distinto dos jogos clássicos que o inspiraram. No meio do desenvolvimento do La-Mulana original, seus desenvolvedores abriram mão de fazer um mero “clone de Maze of Gallious,” e partiram para criar algo mais original. Atualizar os gráficos e música são outro passo ara diferenciar La-Mulana dos jogos que o inspiraram, mas você nunca vai esquecer que está jogando algo inspirado nos jogos clássicos.

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A Nigoro disse que a dificuldade “diminuiu”, mas o que aconteceu na verdade foi tirar a obscuridade da dificuldade. Os quebra-cabeças agora estão um pouco mais claros – as placas agora trazem mais informação, e dois personagens oferecem dicas opcionais, caso o jogador precise. Alguns dos quebra-cabeças mais obscuros foram trocados ou simplificados dramaticamente – o Cubo Mágico invisível dos pedestais de sol/lua/estrela do Mausoleum of the Giants foi trocado por uma simples roda com plataformas, e a fase de Charity/Kindness do chefe final foi completamente substituída. O teleporte com o Holy Grail agora é muito mais fácil, já que ele tem o seu próprio espaço no menu de pausa, com um carrousel de ícones representando cada área. A inclusão de um terceiro slot de equipamentos simplifica também a leitura do Hand Scanner, já que você não precisa desligar uma arma secundária do Lemeza só para ler uma placa. No fim das contas, estas mudanças só consertam alguns detalhes mais inconvenientes do original.

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Entretanto, ao diminuir as partes obscuras do jogo, a Nigoro se achou no direito de aumentar a dificuldade de todo o resto. Os inimigos agora são mais ameaçadores, existem mais armadilhas e os mini-chefes agora são um desafio real. Áreas anteriores nunca se tornam totalmente seguras, mesmo se você tiver todos os upgrades; espinhos agora dão dano em porporção à energia máxima de Lemeza e a Ice Cape, ao invés de deixar a água inerte como água, agora só diminui o dano causado por ela ao longo do tempo. Estas mudanças ajudam as ruínas à manter o seu perigo mais para frente no jogo, o que é uma coisa boa – você deve se sentir invencível não só porque tem a melhor armadura, mas porque é bom o suficiente para evitar as fontes de dano.

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Os chefes são com certeza ainda mais espetaculares desta vez. Cada chefe tem uma surpresa guardada para aqueles que já se a costumaram à enfrentá-los no jogo anterior – quando eles chegam à uma certa quantidade de energia, eles adotam táticas diferentes. Sakit, o gigante guardião do Mausoleum, perde seu rosto, revelando um crãnio de ferro, e lança seus punhos em chama contra Lemeza como se fossem foguetes. Alguns foram completamente refeitos para tirar vantagem na nova tecnologia, como o peixe Bahamut, que agora Lemeza enfrenta em um aquático em pseudo-3D. Chefes como Baphomet e Tiamat, que antes eram apenas sprites estáticas, agora são animados e assustadores, este último ocupando toda a tela e atacando Lemeza da segurança do cenário de fundo.

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Incluído na versão para PC, e disponível no WiiWare como DLC, há um modo Boss Rush/Time Attack e um Hell Temple atualizado, desta vez ainda mais difícil. A Nigoro também tinha a intenção de que a versão para PC pudesse receber mods, pelo menos com relação á música, gráficos e texto, sendo que cada um destes está devidamente acessível no diretório do jogo. Os mods disponíveis até agora, assim como os “mods” do jogo original, não são particularmente impressionantes – um troca as músicas novas por suas antigas equivalentes em chiptune, e outra desfaz a censura nas estátuas nuas na Tower of the Goddess. O fato do remake de La-Mulana ser mod-friendly foi melhor divulgado, mas ainda é menos “modável” que original, que conta com um editor completo (infelizmente ainda em japonês).

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As duas versões de La-Mulana são variações similares da mesma idéia de capturar a a atmosfera e desafio dos jogos clássicos, com uma autêntica e cautelosa experiência de exploração. Em resumo, a versão original é mais difícil no que diz respeito aos quebra-cabeças obscuros, enquanto o remake é mais difícil no que diz respeito à ação de plataforma e combate, mas para se terminar qualquer um deles é um verdadeiro feito de domínio das físicas do jogo e do seu universo. O remake oferece uma experiência mais acessível, e elimina muito do leva e trás e inventário que existe no jogo original. Muitas das mudanças que a Nigoro fez foram feitas após assistir vários vídeos de jogadores e ver como eles reagiam à certos aspectos do jogo, e levando em conta as suas sugestões, fazendo do remake uma experiência definitiva, criada pelos desenvolvedores e fãs do original.

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Links

La-Mulana – site oficial em inglês
Nigoro Twitter – @Nigoro
Steam / Playism – adquira o jogo.
Bandcamp – adquira a trilha sonora.
Naramura na TGS 2013 – motivações no remake, e pensamentos sobre o cenário indie japonês.

Comparativo de Fotos

Vídeos

 

À seguir: La-Mulana 2!

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