Especial Kujaku Ou – Parte 1: Kujaku Ou

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Por em 10 de agosto de

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Kujaku Ou (Famicom, MSX2) – 1988

Apesar de ser pouco conhecido no ocidente, Kujaku Ou (ou Peacock King) de Makoto Ogino foi um mangá bastante popular e aclamado pela crítica no Japão. Lançado de 1985 a 1989, com uma série de continuações que se estende até hoje, ela conta as aventuras de um jovem monge budista chamado Kujaku (Peacock, Pavão), que usa os seus poderes espirituais para combater demônios, espíritos malignos e maldições que assombram o Japão de hoje em dia. Baseado em religião, história e mitologia orientais, mas referenciando de tudo, desde o cristianismo até vampiros, ela é parte ação, parte terror, parte humor negro. Inicialmente seguindo a fórmula clássica de “um-monstro-por-semana”, a história rapidamente foca no personagem principal e seu sempre crescente grupo de amigos, culminando em batalhas épicas entre deuses e demônios reencarnados de antigas religiões. O próprio Kujaku teve seu nome vindo de Mahamayuri (Kujaku Myōō, em japonês), uma das Rainhas da Sabedoria do Budismo Tântrico, cujas asas ele pode invocar para voar.

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Página do mangá

1988 foi o ano em que o mangá evoluiu para se tornar uma franquia, com o lançamento de dois filmes em live action, um anime em OVA e dois jogos de vídeogame. Cada uma destas adaptações apresenta uma visão diferente do material-fonte, sendo alguns destes mais inspirados pelo material do que realmente fiéis à ele. E no caso do adventure lançado para NES e MSX2, é fácil de se entender o porquê. O mangá foi originalmente lançado na revista Young Jump, uma spin-off da Shonen Jump voltada para um público mais velho, e como outras publicações do gênero, apresentava normalmente cenas de horror gráfico, sexo, consumo de álcool, etc, nada que se encaixe muito bem na imagem “family-friendly” que a Nintendo se preocupava em manter (apesar da capa ainda mostrar a Asura praticamente nua).

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A história tem um estilo mais próprio dos vídeogames, criada para justificar a progressão passo a passo e os frequentes quebra-cabeças, comuns nos jogos adventures japoneses. Ela começa com Kujaku sendo enviado para investigar uma série de ataques sem explicação aos templos locais. Ele rapidamente descobre os culpados: O clã Iwato, que parece estar tentando obter vários artefatos – a Kusanagi, a Espada de Sete Ramos – que os permitirá ressuscitar seu Deus-Serpente. À medida que ele corre contra o tempo para impedir os seus planos, ele começa a perceber que há mais nisso do que fica aparente à princípio.

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O jogo em si é uma graphic adventure japonesa tradicional. Você tem uma figura da sua localização atual no topo esquerdo, um menu com diferentes ações à direita e uma caixa de texto embaixo, ao lado de um retrato do seu personagem. Você anda por aí, falando como os NPCs, examinando lugares e usando vários itens para resolver quebra-cabeças para prosseguir no jogo. Há ta,bém, entretanto, um componente de RPG. Em certas áreas, você encontra inimigos aleatoriamente. Eles são enfrentados em combate por turnos, sempre um contra um. Não existem pontos de experiência ou dinheiro, já que você sobe de nível automaticamente ao final de cada um dos oito capítulos, e as armas e armaduras ou são dadas à você ou encontradas pelo caminho; você simplesmente ganha Chi, que é usado para soltar magias, e todas elas estão disponíveis desde o início.

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Algumas magias são bem poderosas contra certos oponentes – invocar a Deusa Kannon, por exemplo, devolve instantaneamente a maioria dos maus espíritos para o paraíso, mas não faz nada contra monstros. Magia é cara, e deve ser usada com cuidado, já que não há outra maneira de ganhar Chi senão lutando. O sistema de combate é bastante baseado em sorte; o mesmo ataque pode causar 4 pontos de dano num turno e 44 no outro, e todos os golpes tendem a errar bastante, até mesmo as magias mais despendiosas.

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O pior de tudo é que não há magias ou itens de cura. Na maioria dos capítulos, há uma área em particular onde você pode recuperar sua energia, e algumas poucas batalhas, então isso não é um problema. Mas nas duas dungeons do jogo, você não tem outra escolha a não ser fugir de vários dos encontros aleatórios (o que felizmente sempre funciona) para conservar sua energia para as lutas contra os chefes. Mesmo assim, é perfeitamente possível que você tenha que refazer a pirâmide pelo menos uma ou duas vezes simplesmente porque o chefe teve mais sorte em um ou dois golpes.

Explorar a pirâmide é algo desajeitado, já que o jogo é controlado totalmente através de menus, logo você deve escolher um comando para cada passo que der ou para cada curva que fizer.

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Mais um combate para escapar

As partes de adventure também são complicadas. Na maioria dos adventures gráficos, há momentos em que você precisa tentar todos os comandos aleatoriamente, na esperança de disparar algum evento; Kujaku Ou torna isso ainda mais tedioso por ter muitas opções diferentes na maioria das vezes, incluindo a maioria das magias que você pode usar durante o combate, e o texto rola devagar demais. Alguns dos quebra-cabeças seguem uma lógica interna, mas o progresso geralmente é por tentativa e erro, especialmente mais para frente no jogo. À medida que o jogo avança, a história, personagens e lugares que você visita, como um palácio submerso onde os fantasmas de um menino imperador e sua mão foram aprisionados por séculos, ou o submundo japonês habitado por vários deuses, vão ficando bastante interessantes, mas o fato da qualidade da arte do jogo ser bem irregular não ajuda.

Em termos de músicas, existem alguns temas calmos, algumas músicas irritantes e não há muita variedade. O destaque fica por conta do tema da tela de título, que é uma veersão em chiptune de uma música chamada Replicant Scandal, gravada pela banda japonesa de hard rock Splash para o anime em OVA de Kujaku Ou. Não por coincidência, Splash tinha como gravadora a Pony Canyon, cujo seu departamento de vídeogames foi responsável por este jogo; mas o desenvolvimento em si foi feito por uma empresa contratada mais obscura, a Graphic Research, que nunca havia feito um jogo de adventure antes desse.

O jogo também recebeu uma versão para o MSX2, lançada no mesmo ano. Ela tem mais cores e um som melhor, ams fora isso é o mesmo jogo.

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Versão para MSX2

Uma versão mais rápida e simplificada da parte adventure do jogo aparece como metade do jogo para Master System também intitulado Kujaku Ou, com arte e músicas melhores. Esta versão ganhou um status cult no ocidente, sob o título de SpellCaster.

Felizmente, os outros jogos de Peacock King são bem melhores em vários aspectos diferentes. Existem jogos piores que Kujaku Ou, mas este ainda acaba sendo um jogo licenciado medíocre. Ele vale ao menos como uma curiosidade interessante para os fãs de SpellCaster, fãs do mangá ou fãs de antigos jogos adventure como um todo. Se você quiser experimentar, existe uma tradução não-oficial em inglês. Ela não é perfeita, mas funciona.

Links

Renta – este serviço de aluguel de mangás online publicou três volumes de Peacock King em inglês antes de cancelá-lo. O site é NSFW, já que a maioria dos mangás ali são eróticos.

Hokuto no Gun & Happy Scans – estes dois grupos de tradução assumiram a tradução do mangá em julho de 2018.

Nicovideo – a versão original de Replicant Scandal, tocada por Splash.

Romhacking.net – patch de tradução do jogo.

Mais Fotos

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Vídeos

Famicom:

MSX2:

Veja aqui no Nicovideo.

À seguir: SpellCaster!

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