Especial Kujaku Ou – Parte 4: Kujaku Ou 2

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Kujaku Ou 2 (Famicom) – 1990

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Capa

Para seu segundo jogo da série Kujaku Ou, a Pony Canyon escolheu um desenvolvedor diferente, a Atelier Double. A escolha foi boa, já que este é um jogo bem melhor que o anterior.

Logo de cara, a arte é mais colorida e com uma qualidade melhor, e a música é mais dinâmica e memorável. O jogo começa com uma animação mostrando as mãos de Kujaku enquanto ele executa o mantra dos Nove Cortes, um dos seus golpes especiais, antes da tela de título aparecer; ela fica ali por alguns segundos, e então uma breve introdução se inicia, anunciando o confronto com sua irmã gêmea Tomoko, no mesmo formato que uma série de TV anuncia o que vai acontecer no próximo episódio. Logo de cara, isso mostra duas coisas: pelo menos algum cuidado foi gasto com este jogo, e que ele pretende ser mais fiel ao material original que o jogo anterior.

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O jogo também é bem criativo e estranho na forma em que ele combina os tipos de jogabilidade. O jogo é basicamente dividido em duas metades, com duas histórias diferentes; cada metade é ainda dividida em duas partes, começando com um segmento ao estilo adventure e terminando com uma dungeon de RPG. Como o OVA em que a sua capa se baseia, e como o Kujaku Ou 2/Mystic Defender antes dele, a primeira parte  é sobre a ressurreição do general da guerra civil Oda Nobunaga, enquanto a segunda parte adapta a parte central do mangá, especificamente o confronto entre Kujaku sua irmã gêmea, seguindo os esforços de um monge budista caído em desgraça para invocar um exército de demônios do inferno.

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Não é uma boa idéia

A maior mudança na jogabilidade é a inserção de um sistema de equipe. Asura, Onimaru e Kou Kaiho, três dos principais personagens do mangá, acompanham Kujaku em sua missão e intervém em diferentes momentos, dando ao jogo uma sensação mais viva. Asura e Onimaru desempenharam papéis bem pequenos nos jogos anteriores, e Kou sequer apareceu; o envolvimento deles na aventura deixa Kujaku Ou 2 bem mais próximo do material original do que quaisquer outros dos demais jogos.

Você não tem mais um cursor para examinar as coisas, e o menu de texto foi substituído por uma série de ícones. Uma das principais locações do jogo, o Monte Koya, onde o templo de Kujaku está situado – quando você anda pelo seu terreno, a visão muda para uma visão aérea clássica de RPG:

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Ambas aventuras sofrem com o mesmo problema de ritmo. No começo, as coisas fluem bem, com o jogo estabelecendo a história. O jeito de avançar é geralmente óbvio: há sempre algum lugar para ir, uma pessoa para conversar, algo a se examinar. Se conversar não te levar à lugar nenhum, você pode simplesmente escolher o comando “Pal” (companheiro) e deixar seus companheiros participarem da conversa. Mas depois de um tempo, as coisas começam a se arrastar. De repente, você precisa tentar todos os comandos em todos os lugares para acionar um evento minúsculo ou um novo pedaço de diálogo, e mesmo assim você vai acabar ficando empacado novamente, antes de conseguir avançar no jogo.

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Então ambas aventuras se arrastam tediosamente por um tempo até você ir para as dungeons, talvez numa tentativa de estender o jogo artificialmente. na primeira parte, você precisa falar com os espíritos dos generais mortos na guerra civil, para saber mais sobre o plano de Nobunaga; personalidades históricas, como Takeda Shingen, Akechi Mitsuhide e Hideyoshi Toyotomi. Isso é algo bem legal no começo, mas tanto leva e traz entre eles e então várias subquests em outros lugares que o conceito fica sem graça bem antes de terminá-lo.

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Nas dungeons é onde o jogo fica estranho. Aqui a visão da janela principal muda para primeira pessoa, para o ponto de vista de Kujaku e enquanto ele anda pelos corredores. Eles são circulares, o que significa que você eventualmente volta para onde você estava se continuar a andar sempre para frente, e há dois deles em cada andar, um corredor de fora e um corredor de dentro. Portas de ambos os lados levam Kujaku à salas separadas, ou permite que você se mova entre os corredores. Não existem encontros aleatórios aqui, já que os inimigos são encontrados em lugares fixos, e bem poucos itens. O objetivo essencialmente é checar cada porta e derrotar cada inimigo presente no andar, para ter acesso para as escadas que levam ao andar seguinte.

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Os combates são travados através de um sistema de combate por turnos surpreendentemente profundo. Para cada ação que você escolher, você carrega uma barra de ataque e uma de defesa com algo entre 0 a 100 pontos de magia, multiplicando o seu poder inicial. Pontos de magia são adquiridos ao longo do combate e são essenciais para lutar, logo é importante gerenciá-los bem. No primeiro dungeon, você pode até executar ataques combinados, anos antes de Phantasy Star IV ou Chrono Trigger fazerem isso. Primeiro, você precisa escolher quais personagens vão participar. Cada personagem tem várias magias à sua disposição, além do seu ataque normal. Os personagens e suas ações individuais que você escolher, mais dos pontos de magia que você atribuir à eles qual ataque em grupo (ou magia de recuperação em grupo) vai ser utilizada. Mas no fim das contas, a complexidade deste sistema acaba meio que sendo anulada pelo simples fato de que fazer todo mundo atacar junto com força total causa um monte de dano à um custo razoável, tornando essa a melhor escolha em praticamente todas as lutas principais. Há também uma barra que mostra o nível da sua equipe, que aumenta à medida que você derrota os inimigos. Cada andar tem um tipo mais fraco de inimigo que sempre reaparece em um ponto específico, permitindo que você faça ‘griding’ de pontos de magia e suba o nível da sua equipe.

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A segunda dungeon é um pouco diferente, já que você tem que lutar sozinho. Ao invés da barra de nível da sua equipe, você tem outra barra que tem um lado representando as trevas e outro a luz – à medida que você mata seus inimigos, o lado negro vai carregando, aumentando o seu ataque, mas o lado da luz diminui simultaneamente num ritmo mais lento, diminuindo a sua defesa. Eventualmente, você recebe itens que aumentam o seu lado negro ou lado da luz, mas você ainda precisa fazer muito grinding para conseguir pontos de magia. Já que os ataques em grupo não estão disponíveis, você precisa descobrir as fraquezas dos inimigos, experimentando cuidadosamente as suas magias usando um poder baixo até descobrir a correta.

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Tudo isso soa bastante repetitivo, e é, de certo modo, mas o fato de que cada inimigo é um mini-chefe torna o processo um tanto viciante apesar destas dungeons serem bastante longas. Quando você está sozinho, você precisa testar bastante antes de descobrir como derrotá-los, e isso pode ser bem difícil, já que você só pode salvar no começo. E em grupo, a morte de um membro mata a equipe toda.

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Apesar de ter falhas óbvias em alguns pontos, Kujaku Ou 2 é um jogo interessante. Ele exige bastante paciência, mas te recompensa com uma história legal e uma atmosfera e estilo muito mais próximos do mangá e dos OVAs do que quaisquer outros jogos de Peacock King.

Em 1990, o autor Makoto Ogino resolveu tirar uma folga do mangá depois de finalizar a história original. Após alguns meses tentando lançar uma série nova, ele acabou sendo pressionado pelos seus editores à voltar à ele, embarcando na primeira de muitas continuações. Em 2018, ele estava lançando duas “prequências” ao mesmo tempo, em duas revistas de mangá diferentes, mas num ritmo mais lento do que antes. Um segundo filme em live-action foi lançado em 1991, e um OVA em duas partes contando uma versão alternativa da história principal foi lançado em 1994, mas Kujaku Ou 2 foi o último jogo de vídeogame lançado até agora.

Links

Renta – este serviço de aluguel de mangás online publicou três volumes de Peacock King em inglês antes de cancelá-lo. O site é NSFW, já que a maioria dos mangás ali são eróticos.

Hokuto no Gun & Happy Scans – estes dois grupos de tradução assumiram a tradução do mangá em julho de 2018.

Romhacking.net – patch de tradução do jogo para inglês.

http://www4.airnet.ne.jp/kujaku/ – página oficial de Makoto Ogino.

Mais Fotos

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Vídeos

Trilha sonora:

À seguir: Mangás, Animes e Filmes!

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