Repulse (Arcades Obscuros da SEGA)

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Por Sotenga em 23 de janeiro de 2014

Repulse (リパルス) / 99: The Last War – Arcade (1985)

Space Invaders é o início dos arcades como conhecemos. Sem o immortal shooter da Taito, demoraria mais para que os jogos fossem reconhecidos como uma indústria própria, ao invés de apenas um hobby. Enquanto Pong aumentou o reconhecimento dos jogos pelo mundo, Space Invaders fez o mercado de jogos decolar. Esta era também uma idéia bem simples: uma arma móvel destruindo ondas de alienígenas invasores que atiram de volta e se movem cada vez mais rápido enquanto você dizima suas fileiras. Eles originalmente não aumentar a velocidade para compensar a perda de seus guerreiros destruídos, mas este erro de programação aumentou em muito o desafio e tornou-o um jogo ainda mais fascinante do que alguém podia esperar. Com isso ele se tornou um enorme sucesso e era de se esperar que uma legião de imitadores seguisse seus rastros. Ah, sim, houveram muitos imitadores. Alguns jogos não imitavam muito, eles de fato ERAM Space Invaders, mas com nomes diferentes, como o Space King da Konami sendo uma das cópias mais descaradas (eles ainda estava bem longe de chegar ao Gradius). O imitador de maior sucesso, o Galaga da Namco, revolucionou ainda mais os jogos arcade e até hoje você consegue achar uma máquina de Galaga perdida em algum estabelecimento por aí. O próximo grande salto para os shoot-em-ups foi Xevious, também da Namco, mas mesmo quando novos jogos começaram à imitar este joigo também, ainda havia espaço para aquele tipo antigo de shooter de tela única, mesmo ainda em 1985. Isso nos leva ao Repulse da SEGA, que é talvez uma das cópias mais divertidas (e menos conhecidas) já feitas.

Repulse começa com uma breve história em inglês precário que se passa em 1999 D.C. (o que era o “futuro” em 1985). Aqui está ela, preservada com todos os seus erros gramaticais: “The great nation of “Aquila”, conquers of the universe, now face of Earth; their final conquest. The battle with the mighty “Aquila”… The time has come.” Então cabe à você lutar contra a maligna força alienígena chamada Aquila, já que você não vai deixar a Terra sucumbir à um bando de valentões intergaláticos. Começando na lua antes de seguir por vários outros lugares da Terra, Repulse conta com seis fases com cenários completamente diferentes e com inimigos cada vez mais agressivos e impressionantemente o jogo não recomeça depois que você o termina. Apesar do conceito de fases ser algo padrão hoje em dia, a maioria dos jogos daquela época continuam em loop até você suas vidas acabarem. Os jogos de nave começaram a ganham mais estrutura no meio dos anos 80, onde ao invés de simplesmente te jogar ondas e ondas de inimigos ad infinitum, haviam fases propriamente ditas, com cenários próprios e inimigos, que te conduziam à um final (geralmente bem curto), que poderia ou não te levar à um loop após o final. Gradius ficou famoso por isso, com sete fases levando ao seu infame final anti-climático. Repulse também é um dos primeiros shooters à adotar este formato, apesar dos cenários em si não fazerem diferença alguma no jogo.

Repulse se utiliza de uma interessante perspectiva pseudo-3D que faz parecer que você está atirando em inimigos à sua frente e acima de você ao mesmo tempo. Você pode se mover para frente até cerca de um quatro da tela, com a câmera se movendo levemente quando você se move horizontalmente. Sua nave é um belo caça anti-aéreo branco e vermelho, armado com um laser de tiro rápido e um sistema de escudo. Ao invés dos incômodos escudos físicos do original, aqui você tem uma barra de energia que alimenta um campo de força em sua própria nave. Cada tiro que você recebe enquanto o escudo está ativo faz com que a energia seja drenada mais rapidamente, mas isso é melhor que ser acertado com os escudos desativados! Os primeiros inimigos que você enfrenta são os caças mais comuns, que aparecem voando ao fundo e então se aproximam da tela disparando tiros brilhantes em sua direção. Depois vem os foguetes, que mergulham em sua direção, OVNIs que se teleportam no meio da tela, espelhos indestrutíveis, submarinos que emergem da água e disparam contra você, aranhas robôs e uma boa variedade de outros inimigos que vão se tornando mais exóticos e difíceis à medida que você progride no jogo.

Nem tudo que voa em sua frente é mal: um helicóptero aliado pode acabar aparecendo e é um má idéia destruí-lo. Se você se controlar e evitar acertar o helicóptero, ele te dá um powerup que carrega sua barra de energia e ajusta a sua arma, permitindo rapid-fire. Se você o acertar sem querer, por ironia os seus destroços pode acabar caindo sobre você, te destruindo. Com um pouco de sorte, você consegue manter o seu powerup até o fim da fase. Ao fim da primeira fase, você enfrenta uma onda de inimigos mais difícil que o normal, mas todas as outras fases seguintes contam com um chefe no final. Nas fases dois e três você enfrenta uma enorme nave-mão inimiga, mas na quarta fase você enfrenta uma nave ainda maior, que só fica na tela por alguns segundos para alguns pontos extras, sendo que você só a enfrenta de verdade na quinta e sexta fases. Os chefes disparam salvas de tiros contra você, enquanto vários caças inimigos atacam para defender sua nave; manobras cuidados e bom uso do escudo são as chaves para a vitória.

Repulse é um jogo tão simples quanto é sólido. Tem gráficos ótimos para a época, com os efeitos 3D e um design de som minimalista (vários sons de de disparos diferentes, com a música só aparecendo com agourento tema do chefe de fase) se encaixando bem no clima de invasão alienígena dos cenários. O jogo é veloz, furioso e é tudo que você pode esperar de um shooter daquela época.

Ao ver o pedigree do desenvolvedor, fica fácil entender porque este é um bom shooter. A empresa que fez este jogo era conhecida como Crux e eles só fizeram mais um jogo que foi lançado pela Taito que se chama Gyrodine, mas a Crux foi fundada sobre os restos de uma outra empresa Orca, que também fez dois shoot-em-ups chamados EspialZodiack. Crux fechou as portas no meio do desenvolvimento de Repulse, sendo o jogo aparentemente finalizado pela Kyugo, sendo esta a empresa que a SEGA identifica como desenvolvedora do jogo. Há também uma versão do jogo que foi lançada pela própria Kyugo, com a  Proma, chamada 99: The Last War. Muitos dos seus membros mas tarde se re-organizaram sob o nome Toaplan, uma empresa que é sinônimo de shooters de alta qualidade e é famosa pelo Zero Wing. A Toaplan por sua vez também acabou na metrade dos anos 90, se dividindo em quatro outras empresas: CAVE (talvez a única empresa dedicada apenas à shooters hoje e dia e famosa por seus jogos “bullet hell” e uma recente afinidade com a estética “moe”), Raizing/8ing (mestres em shooters e criadores a série Bloody Roar e mais tarde ajudariam no Tatsunoko vs. Capcom e no Marvel vs. Capcom 3), além das menos conhecidas TakumiGazelle. Shooters é algo que sempre esteve no sangue da Crux e foi passado adiante para todas as suas futuras encarnações, sendo que Repulse serve como um ótimo ponto de referência de quem começou humilde.

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Vídeos

99: The Last War:

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