Do Outro Lado da Cerca: Mystery House (1980)

Do Outro Lado da Cerca

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Por em 1 de Fevereiro de

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Mystery House – Apple II, PC-6001, FM-7, PC-88, iOS (1980)

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Capa

Vagamente baseado no conto de Agatha Christie O Caso dos Dez Negrinhos, você controla um personagem sem nome, trancado em uma mansão com sete outros convidados. Com um bilhete vago dizendo que as jóias estão escondidas dentro das paredes da casa, logo você encontra os outros personagens espalhados pela cada, todos mortinhos da silva. Um assassino está à solta, e você precisa encontrar o tesouro, achar a chave mestra para destrancar a porta da frente e escapar com vida.

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Apple II

Sendo um dos adventures mais importantes já feitos, Mystery House foi o primeiro à usar gráficos, enquanto todos os jogos anteriores eram totalmente baseados em texto. Os visuais são, obviamente, bastante rudimentares, consistindo de linhas brancas tremidas desenhadas contra um fundo branco. Os personagens parece terem sido trazidos do caderno de uma criança do primário, com até menos os itens mais simples como facas e pás sendo bem mal-desenhados. Tudo isso é perdoável, dada a idade do jogo; ele tinha q caber na memória RAM limitada do Apple II, e já que não existiam programas de desenho no mercado na época, Ken e Roberta Williams tiveram que criar seu próprio dispositivo, combinando um tablet de desenho com um braço mecânico.

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Apple II

Apesar de Mystery House ser um verdadeiro pioneiro entre os adventures de texto, seus quebra-cabeças, história e texto – praticamente tudo, na verdade – é bastante amador. Não há muito para se ler além de simples descrições (“Você está na cozinha.”). Todos os personagens tem profissões, mas nenhum deles tem personalidade ou qualquer outro propósito à não ser aparecer morto. Se você prestar atenção em seus cadáveres, você pode conseguir algumas pistas que levam ao assassino – um deles foi estrangulado com uma meia-calça, logo o assassino deve ser uma garota, enquanto outro está segurando uma margarida, o que… acaba entregando o nome da assassina. Você pode se matar facilmente por meios estúpidos – como acender uma vela, tropeçar e incendiar a casa – além disso você pode se perder na floresta que cerca a casa. Há um curto limite de tempo no começo do jogo, onde você precisa achar uma fonte de iluminação, se não quiser vagar pelo escuro.

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Apple II

Isso sem contar num interpretador de texto extremamente simples, que só entende sentenças com apenas duas palavras. Logo no início, assim que você abre a porta da casa, você não pode simplesmente digitar “enter” ou “go in” ou sequer digitar a direção desejada. O jogo só entende “go door”. Isso fica ainda mais confuso, já que os gráficos nem sempre se encaixam nas direções. Por exemplo, em uma sala, a porta está do lado direito da tela, logo é natural assumir que ela está à leste, mas na verdade está ao sul.

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Apple II

Pelo menos a casa contém vários segredos interessantes. A propriedade em si é relativamente pequena, mas possui algumas passagens secretas, compartimentos escondidos e túneis subterrâneos, que cumprem a promessa desta ser uma “mystery house”. Ainda assim, um dos principais quebra-cabeças do jogo não faz sentido – você precisa descobrir como chegar ao alçapão do sótão, que só se torna magicamente visível (e então acessível) depois de vê-lo através de um telescópio, que está fixado em cima de uma árvore no meio da floresta.

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Apple II

Muitos destes detalhes são explicados no manual do jogo antes de você começar, então ele pelo menos define as regras gramaticais e inconsistências logo de cara. Mas ainda é algo sofrido de se jogar, tendo pouca coisa interessante aqui além do valor histórico do jogo. Em 1987, a Sierra liberou o jogo como domínio público. Ele pode ser encontrado no Roberta Williams Anthology, junto com o resto das “High-Res Adventures” da Sierra, mas eles precisam de um emulador de Apple II para rodar. O jogo também foi portado para o iOS por um empresa sem relação alguma com a Sierra.

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Apple II

Em 1983, uma empresa japonesa chamada Starcraft converteu Mystery House para alguns computadores japoneses, como o PC-6001. Há também outro adventure gráfico de texto desenvolvido pela Microcabin usando o mesmo nome, mas não tem relação alguma com o jogo da Sierra – isso significa que haviam no mercado dois jogos com o mesmo nome – um tentando capitalizar na fama do jogo, e outro autêntico. Apesar da versão da Starcraft’s ser bastante similar à original para Apple II, todos os gráficos foram redesenhados e melhorados. Ele ainda utiliza de gráficos simplistas com linhas brancas sobre preto, mas todos os personagens agora tem proporções um tanto mais realistas (apesar de nenhum deles ter rosto) além dos visuais serem mais bem executados. Parte disso se deve se dar ao uso de tecnologia melhor, mas os computadores japoneses usam uma rsolução maior que a do Apple II, permitindo uma melhor utilização da área de tela.

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Apple II

Em comparação, os gráficos redesenhados são bem legais. O fato de todo mundo ter o rosto em branco é um tanto assustador, e os cadáveres estão em posições mais dramáticas, com sangue escorrendo deles (ou algo que parece ser sangue, pois tudo ainda está em preto e branco) ao invés dos desenhos cartunescos do jogo original. Alguns detalhes menores foram adicionados aos ambientes, como as janelas do andar de cima cobertas com tábuas, deixando ainda mais claro que não há como escapar. É obviamente difícil de se jogar sem saber japonês, mas é legal comparar os gráficos.

Comparativo de Fotos

Vídeos

Apple II:

PC-88:

Mystery House da MicroCabin (PC-6001):

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