Especial Ys, Parte 1: Introdução

Por Kurt Kalata em 15 de agosto de 2017

No mundo dos RPGs de ação, a série Ys da Falcom é meio desconhecida no no Brasil. Apesar de ser uma das mais importantes séries de RPG na história do Japão, esta série nunca alcançou a popularidade internacional que jogos como Final Fantasy ou Dragon Quest foram capazes de alcançar. Talvez isso se ê pelo fato de seu nome ser um tanto impronunciável – soa como “Is”. Vale notar que o título não é “Y’s”, não possuindo um apóstrofo, apesar de assim estar escrito em alguns dos materiais promocionais mais antigos. Seu título completo é – Ancient Ys Vanished Omens – que uma bizarrice gramatical em inglês de proporções absurdas.

Ys II (PC-88)

Ou, o que é mais provável, ele nunca foi lançado para os sistemas mais importantes no ocidente – os jogos originais foram lançados só para o Master System e o TurboGrafx-16 CD. Isso mudou nos últimos anos, graças aos esforços da XSeed, que traduziu vários dos títulos para PSP, PS Vita e PC. Agora, mais jogadores pode descobrir por conta própria do que s a série Ys se trata – um jogo de ação rápido de aventura em terras longínquas, com algumas das melhores músicas de toda a história dos vídeogames.

Adol Christin

O astro de Ys é Adol Christin, o exímio espadachim ruivo. Coma mais nada além de seu cabelo cor de fogo, fantásticas habilidades com espada e uma extrema vontade de viajar, Adol viajar pelo mundo, descobrindo antigas civilizações, ajudando camponeses e sendo um cara legal com todo mundo. Como em vários RPGs japoneses, Adol quase nunca fala diretamente, e nos jogos onde o faz, ele não tem voz, além de alguns gritos de batalha e gemido. Nas primeira versões para computadores pessoais, suas ilustrações ainda o mostravam com um cabelo meio marrom, mas já na primeira continuação seu visual característico foi apresentado. Apesar do estilo da arte ter mudado ao longo dos anos, seus design básico continua o mesmo.

O nome Ys se refere à uma ilha flutuante no céu, que a muito tempo foi removida do solo para selar alguma coisa terrivelmente maligna. Os dois primeiros jogos focam na civilização e história deste continente flutuante, mas os jogos mais recentes enviam Adol para outras terras, voltando ocasionalmente aos mitos e folclore da terra original. O continente de Eresia – onde a maioria dos jogos da série Ys acontecem – é baseado diretamente na Europa, algumas vezes de forma bem direta, outras de forma mais vaga. A maioria dos primeiros jogos se passa em uma região que seria a França. A ilha de Esteria do primeiro jogo pode ou não existir – ao julgar pela sua localização, ela pode ser a Île d’yeu – mas os demais jogos se passam em lugares análogos à localidades reais. Ys IV se passa em Celceta, que fica em algum lugar por volta da fronteira da Espanha com a França. Ys V acontece na Afroca, que obviamente é a África, e apresenta a cidade de Xandria, que é a Alexandria. Em Ys VI, Adol acaba no Grade Vórtex de Canaan, que é essencialmente o Triângulo das Bermudas, com um pouco do mito de Atlântida misturado. Ys Seven se passa em Altago, o equivalente de Cartago. Ao longo da série, Adol encontra o um tanto maligno Império Romun, que uma clara alusão ao Império Romano. Existiu mesmo até uma antiga cidade perdida chamada Ys, próxima à Bretanha. Mas esta não flutuava no céu e sim havia sido construída abaixo do nível do mar, sendo cercada de diques. Como conta a história, o diabo abriu as compostas e inundou a cidade, como punição pela sua decadência.

Ys (PC-88)

Apesar de todos os jogos se passarem em regiões diferentes, com um enorme elenco de personagens, há bastante continuidade no universo do jogo. Por exemplo, Dogi, um personagem bem secundário no Ys original (ele tira Adol da prisão) acaba se tornando um dos personagens principais em Ys III, continuando a aparecer ao longo da série, se tornando até um personagem jogável em Ys Seven. Um dos “personagens” centrais do primeiro jogo é a Àrvore Roda (Roda Tree), que fala com Adol e o ajuda em sua missão. Nos jogos mais recentes, você pode encontrar frutas desta árvore. Da mesma forma, em Ys II, Adol precisa encontrar a Flor de Celceta para curar Lilia – e acaba visitando o país de Celceta em Ys IV, de onde ele acaba retornando para Esteria e encontra vários NPCs dos dois primeiros jogos. O grande arco principal da história é sobre uma raça angelical conhecida como Eldeen, que foi praticamente extinta várias séculos antes dos eventos descritos nos jogos. É um pouco complicado de se seguir tudo isso, já que alguns jogos da série já foram refeitos várias vezes, e a história já foi muito revisada e alterada.

Dogi

Dogi é o personagem coadjuvante mais frequente. Ele desempenha um papel pequeno no primeiro jogo – um ladrão que salva Adol de uma masmorra – e acaba se tornando mais importante em Ys III, levando Adol à sua cidade natal de Redmont. Se papel nos jogos é geralmente de quebrar paredes de pedra, o que lhe valeu o apelido “Dogi the Wallcrusher”. Esta sua habilidade é útil, já que ele geralmente acaba salvando Adol no processo. Ele foi renomeado parana versão americana de Ys Book I & II para o Turbografx-16.

Os enredos de Ys são raramente muito elaborados, mas são bem divertidos de se acompanhar. Adol se aventura em uma terra estranha, onde sua reputação como o espadachim ruivo o precede. Eventualmente ele acaba descobrindo uma civilização perdida, juntamente com algum grupo de vilões que planeja usar a magia ou tecnologia perdida deste povo para dominar ou destruir o mundo. Existem também outros temas recorrentes, como Adol naufragando, Adol sendo jogado na prisão e salvo por Dogi e alguma jovem garota se apaixonando por Adol, que geralmente presta pouca atenção nela. As garotas de Ys são praticamente como as Bond girls, descartadas e esquecidas após cada jogo (com exceção de Lilia, que acaba aparecendo em algumas continuações). Coisas bobas, mas são elementos que definem a série.

Arte do Ys II

Falando de jogabilidade, o que diferencia Ys de quase todos os demais RPGs de ação é o seu sistema de combate – ou melhor dizendo, sua aparente falta dele. Adol é fodão demais para precisar de um botão de ataque. Ao invés disso ele mata os inimigos simplesmente batendo de frente com eles. Isso pode parecer estúpido à princípio, mas há um pouco de técnica envolvida no processo. Adol não pode simplesmente bater nos inimigos de cara, o que pode facilmente matá-lo. Ao invés disso, você tem que acertá-los “de quina” (veja a foto abaixo). Isso às vezes pode ser difícil de se fazer, especialmente pelo fato de que a maioria das versões mais antigas só permite que você ande nas quatro direções principais.

Alguns jogos são mais exigentes que outros neste aspecto – os primeiros jogos para computador geralmente exigem que você mire com precisão para evitar levar dano, enquanto os jogos para os consoles 16-bit são mais lenientes. Independente disso, o sucesso depende do nível de força de Adol. Isso significa passar a maior parte do jogo correndo pelos campos, esmagando inimigos como um rolo compressor para colher os seus valiosos pontos de experiência. Já que atacar os inimigos de forma correta por ser difícil à princípio, os jogos permitem que você recupere energia nos mapas ao ar livre, contanto que Adol permaneça parado. Entretanto, quando ele entra numa dungeon, ele está por conta própria, confiando apenas na pequena quantidade de itens de recuperação que ele pode carregar.

Ys III

Isso tudo pode soar simplista demais, considerando que a maior parte do jogo se trata de vagar pelo cenário trombando em todo inimigo que encontrar, mas isso é na verdade parte da diversão. Ys não fica arrastado com quebra-cabeças complexos ou te deixa vagando sem rumo. Na maior parte do tempo, as aventuras são diretas, sem enrolação e geralmente são curtas (para os padrões de RPG) mas ainda assim estão cheias daquela mesma sensação de deslumbre e fantasia que tornaram os jogos da série Zelda tão imensamente populares.

Ys IV (PC Engine)

Apesar dos gráficos parecerem simplistas – e são, nos jogos mais antigos – na época a arte de seus personagens nas lojas era algo simplesmente fantásticos. A versão para PC Engine/TurboGrafx-16 foi um dos primeiros jogos lançados em CD, e conta com uma ótima abertura, com cutscenes no estilo anime. Outra marca registrada da série – a ação acontecendo dentro de uma moldura decorada – foi abandonada nos jogos mas recentes. Apesar de acrescentarem um visual interessante, elas acabavam tornando a área de jogo um pouco apertada.

Ys II (MSX2)

Ys começou sua história nos computador japonês PC-88, da NEC, espalhando-se então para outros computadores, como o MSX2, FM-7 e X68000, e eventualmente recebeu versões para praticamente todos os consoles. Praticamente cada capítulo novo da série tenta mexer um pouco com os conceitos da série: Ys III é o que mais se desviou dos demais, mudando a ação para uma visão lateral, mas ambas as versões foram lançadas quase ao mesmo tempo) trouxeram a ação para uma visão de cima novamente. Ys V mudou a fórmula drasticamente ao dar à Adol botões de ataque e pulo, enquanto Ys VI por sua vez trouxe a série para o mundo 3D, de certa forma. E finalmente em Ys Seven, Ys: Memories of CelcetaYs VIII, Adol abre mão de sua carreira como viajante solitário, permitindo então que os jogadores controlem um time de três personagens, todos lutando ao mesmo tempo. Para uma série com mais de três décadas de vida, ela evoluiu, e muito.

Ys VI: The Ark of Napishtim (Windows)

Os desenvolvedores originais foram Masaya Hashimoto (diretor, programador e game designer) e Tomoyoshi Miyazaki, como roteirista. Eles haviam trabalhado anteriormente nos dois jogos adventure da série Asteka da Falcom, antes de trabalhar em um RPG. A dupla trabalhou nos três primeiros jogos de Ys, antes de deixarem a companhia para fundar a sua própria empresa, a Quintet, famosa por jogos para SNES, como Actraiser e Illusion of Gaia.

Ys Seven (PSP)

À Seguir: Ys I!

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