Panorama Toh (Idade das Trevas dos JRPGs)

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Panorama Toh (ぱのらま島) – PC-88 (1983)

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Capa

Se você acha que Dragon Slayer foi o primeiro RPG da Falcom, você achou errado. Bem, dizer que o Panorama Toh é um RPG é um pouco de exagero, já que não existem stats o níveis de experiência, mas a Falcom diz que é, quem somos nós para julgar? Conforme os sites japoneses, o jogo foi programado por Yoshio Kiya, o criador de Dragon Slayer e Brandish.

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Após a tela de título, o jogo começa com uma tela de rolagem ao estilo Pac-Man, onde todos os personagens, itens e locações são apresentados. Espera-se que você aperte a tecla “Help” do teclado do PC-88 para começar o jogo, Que estava mapeada para a tecla “End”  no emulador que eu usei.

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Talvez por ser um jogo da Falcom, existem scans muito bom por aí deste jogo, não apenas da capa da caixa do jogo, mas também do mapa abaixo, que vinha com ele, que você pode encontrar neste site. Espera-se que os jogadores marquem nele onde estão os inimigos e armadilhas, já que suas posições são sempre as mesmas.

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Ele também mostra o mapa do mundo onde o jogo se passa, em uma matriz de hexágonos, o que não é imediatamente aparente quando se olha para fundo preto do jogo. Nele, você só pode andar para esquerda e para direita nas direções diagonais, o que é um pouco estranho, princípio. No começo, o jogo te pede gentilmente para ligar o Caps Lock, pois fazer uma rotina de código que reconhecesse os caracteres em caixa baixa seria pedir demais.

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Por todo o mapa, você encontra estes aborígenes armados com lanças. No começo, achei que estes eram inimigos e apertei A para atacar (Attack), o que inicia uma pequena animação no canto inferior direito da tela e atira nele – isso mesmo, você tem uma arma de fogo à sua disposição. Não é fácil dizer em que tipo de universo o jogo acontece, já que ele se passa em sua maior parte em florestas onde você encontra os nativos, cobras ou o monstro de Loch Ness(!). Nas dungeons você encontra fantasmas, demônios e outros monstros. Você também pode entrar numa pirâmide, mas você também pode encontrar um tanque e uma armadura de combate.

Acontece que os aborígenes não são necessariamente hostis e não se espera que você realmente os enfrente. Falar como eles (Talking) faz com que digam uma frase ou duas, como na maioria dos RPGs japoneses desde então. Você também pode dar (Give) à eles dinheiro em troca por itens, mas você precisa adivinhar um número entre 1 e 9 – o preço é determinado aleatoriamente, assim como o item que você acaba recebendo. Você conseguindo ou não, eles sempre levam o seu dinheiro. Às vezes eles simplesmente fogem com ele, não importando o quanto você der para eles. Na verdade nunca vale à pena comprar nada deles, pelo menos nesta versão (falarei mais sobre isso mais tarde).

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Em alguns lugares você acaba em uma armadilha como essa, onde um aborígene aparece e ri de você. Você pode tentar pular (Jump) para fora por conta própria, mas cada tentativa frustrada (aleatoriamente, também) custa uma quantia significante de energia. Geralmente é bem menos perigoso chamar (Call) por ajuda, até que outro aborígene apareça e te tire de lá. Em alguns lugares do mapa existem cobras que picam você. Como resultado, você fica paralisado e não poderá continuar se não tiver um antídoto. Se você não tiver nenhum, você pode novamente (Chamar) um aborígene para te ajudar.

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Além disso, praticamente toda ação normal gasta de um a dois pontos de energia, mas você começa o jogo com 100 rações de comida (Food), que você pode consumir à qualquer momento para recuperar energia. Às vezes acaba encontrando uma arvore com cerejas, bananas(!), morangos(!!) ou joelhos de porco quentinhos(!!!), o que eu suponho que recarregue suas rações, mas nunca consegui pegar nenhuma delas. Ao que parece você precisa se posicionar usando as teclas “4” e “6” do teclado numérico, e então usar (Use) a corda, mas nunca aconteceu de ter uma comigo quando encontrei uma árvore.

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O combate neste jogo é bem estranho, e é mais ou menos em tempo real. Classificá-lo como um RPG de ação seria um tanto demais, mas fica bem claro que a Falcom chegaria lá eventualmente. Se você encontrar um leão (ou vários deles, como na foto acima), ele começa à correr em sua direção e você precisa Atacar no momento certo (mas você ainda pode errar aleatoriamente). Se você conseguir matar um bando inteiro de leões, você consegue 30 rações de comida. Existem também alguns combates que podem ser evitados ao se usar “8” e “2”.

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Panorama Toh tem até mesmo um ciclo de dia e noite, mas tudo que você pode fazer à noite é esperar que amanheça. Você não pode se mover e nada nunca acontece durante à noite.

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Este é o monstro de Loch Ness, a “Nessie”, mas você não consegue atacá-la. Seu bonequinho simplesmente avança na direção dela e afunda até o fundo do lago.

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Esta é uma das cavernas por dentro. Ela é completamente escura e o único meio de se orientar é a exclamação “Ouchi !!” que aparece sempre que você bate em alguma parede. Somando-se à isso estão os controles pouco responsivos e monstros que atacam randomicamente. (A)tacá-los só faz aparecer a mensagem de que eles não podem ser feridos se você não possuir os artefatos corretos, que obviamente você não tem, logo só lhe resta (E)scapar. Isso sempre funciona, felizmente, mas você precisa fazer isso rapidamente, pois além disso os combates são quase que em tempo real. Os monstros são todos feitos com caracteres de texto e são até que bem bacanas:

A exploração das cavernas não deu muito certo, então preferi voltar e reabastecer em uma das cidades. Mas elas estão todas do outro lado do rio, então preciso encontrar um jeito de atravessar.

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Em alguns pontos existem balseiros para a travessia. Você pode (A)tacá-lo, mas isso sempre falha. Tentar (C)hamar ele para te ajudar pode talvez conseguir a sua atenção – ou talvez faça alguém surgir do nada e te enfiar uma lança na cara. Mas mesmo que você consiga usar a balsa, ele não te leva simplesmente para a outra margem – você precisa convencê-lo pagando 10 moedas de ouro, mas isso só fez ele  me levar pelo rio por algum tempo, antes de me largar na mesma margem onde eu estava. Nadar é mais promissor: o jogo te faz manter a tecla “4” apertada para chegar à outra margem, mas você afunda no rio numa velocidade aleatória e se você chegar ao fundo antes de alcançar o outro lado, você perde energia e precisa começar de novo. Por algum motivo esse procedimento precisa ser feito duas vezes para cada travessia, mas mesmo se você falhar na segunda vez, você consegue cruzar.

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As cidades são divertidas: você é o asterisco amarelo, mas os personagens “@” roxos são ladrões que roubam o seu dinheiro. Mas isso não faz diferença, como você já vai perceber.

Ao entrar nas lojas você vê os retratos dos vendedores, uma característica que mais tarde apareceu em outros jogos, como na série Ys. Da esquerda para a direita: loja de alimentos, a pousada e o banco. Na pousada há até uma área em 3D por onde você caminha para o seu quarto:

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Mas a mais a importante é a loja de ferramentas, onde você pode conseguir qualquer coisa que os aborígenes vendem, e outras coisinhas mais. A melhor coisa é que quase todos os itens custam apenas 1 moeda de ouro, e comprar algo te dinheiro ao invés de gastá-lo. Não faço idéia se isso é um bug ou se a versão do jogo que consegui foi hackeada. Há também uma loja de penhores onde posso vender itens (acima, à direita), mas considerando o estado do jogo, isso é praticamente desnecessário. Comprei uma lanterna e algumas pilhas e também um radar e uma “PWD Suit” (que diferente do demais itens custa 20.000, mas já que ganho esse valor ao invés de gastar, não há problema). Esse item fez até mudar a aparência do mundo no jogo (veja também que o meu (I)nventário está preenchido, no canto inferior direito da tela):

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Ao (U)sar a lanterna, as dungeons ganham este visual, no melhor estilo Wizardry – ou dos primeiros Ultima. Às vezes é difícil dizer o quão longe está um corredor para a direita ou para a esquerda, o que resulta e vários giros desnecessários. As pilhas também acabam mais rápido que as de um Game Gear então eu preciso voltar e comprar mais (mas só dá pra comprar uma à cada escolha no menu – argh). Toda vez que a pilha acaba a cor das paredes da dungeon muda, por algum motivo. Mesmo quando a luz acaba, a coisa não fica tão ruim por causa do radar, que desenha um mapa automaticamente à medida que você avança. Tudo que você precisa fazer é bater em cada parece para testar o caminho, enquanto o radar registra a sua posição. Nunca encontrei nada de valor nas cavernas, mas elas conectam uma entrada de caverna à outra, então acredito que isso possa servir de alternativa para se cruzar o rio – depois que você consiga chegar à cidade pela primeira vez para conseguir equipamento.

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Há também um castelo à sudeste, como era de se esperar. Diferente das cavernas, ele é bem iluminado, representado com paredes sólidas ao invés de wireframes. Ela é cheia desses caras, que só consigo interpretar com tarados que adoram ficar mostrando suas enormes ereções por aí. (A)tacá-los os faz fugir, mas você também pode dar todo o seu dinheiro para eles, se quiser. Nada disso tem nenhum efeito sobre você. O castelo é enorme e você é interrompido à cada poucos passos, então desisti.

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Então só nos resta a pirâmide, que abriga os únicos do jogo que podem ser (A)tacados sem armas mágicas. Existem dois círculos amarelos que ficam largados por aí, mas não consegui fazer nada com eles.

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Existem várias portas trancadas ao longo dos corredores, mas ao (U)sar uma chave eu só recebo a mensagem de que para abrir a porta eu devo retornar para o primeiro andar – mas eu não estive em nenhum outro andar além deste! Muito estranho.

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Eventualmente o Darth Vader em ASCII acima bloqueia o seu caminho e aparentemente você precisa de uma espada sagrada para derrotá-lo. Eu desisto!

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