Fight! King Kong 2, Parte 3 de 3: Yomigaeru Densetsu (MSX2)

Por Tom Davey em 18 de dezembro de 2015

King Kong 2: Yomigaeru Densetsu (キングコング2 甦る伝説) – MSX2 (1987)

Capa

King Kong 2: Yomigaeru Densetsu (lit. “King Kong 2: A Lenda Revive”), foi lançado após Megaton Punch no ano seguinte, não poderia ser um jogo mais diferente, apesar de também ter sido desenvolvido pela Konami. Para começo de conversa, o protagonista deste jogo é o personagem humano Hank Mitchell, o que pode desapontar aqueles que esperavam poder jogar com o Kong.

Após a tela de título, você você Hank chegar na ilha de Golnebo (ao invés de Borneo, como é no filme) e é aqui que fica claro que este não vai ser um jogo bobinho como o título leve e estilo arcade do jogo para Famicom. Primeiramente, no lado direto da tela há um painel com uma lista de stats, como vida, EXP, nível e outro. Ao entrar na cabana à sua frente contam para você que para poder se aventurar mais para dentro da ilha você deverá consultar oss anciões por orientação. É aqui que você percebe que está jogando um RPG (um RPG de ação, para ser preciso) num estilo similar ao Ys da Falcom, o Exile da Telenet e a série Hydlide da T&E Soft. Se há um tipo de jogo que não nos vem à cabeça quando pensamos num jogo sobre o King Kong com certeza seria um RPG – ainda assim isso funciona tão bem neste caso que é tão fácil de ficar completamente imerso no jogo você quase esquece que está jogando um jogo sobre o Kong.

Visualmente, se compararmos com o jogo anterior, a paleta de cores é bem mais escura, com mais verdes e marrons para combinar com o ambiente de selva. O problema que Hank veste uma roupa cáqui, o que pode ser bem incômodo de se ver quando quase toda a tela é marrom. E isso não se limita só ao Hank: quase tudo neste jogo, com exceção de alguns inimigos parece se misturar ao fundo que se você não prestar atenção acabará sendo atacado por inimigos quase invisíveis que podem vir de todas as direções. Tecnicamente falando, os gráficos são adequados para um jogo de MSX2, com sprites sem muitos detalhes, com exceção de alguns inimigos maiores e chefes de fase – mas como muitos outros jogos de MSX, ele sofre com um scrolling ruim. Se isso serve de consolo, o áudio neste jogo é fantástico, com temas divertidos feitos pelos compositores da Konami que fizeram vários dos famosos temas da empresa dos quais nos lembramos com carinho até hoje. 

O jogo funciona como se espera de um RPG de ação: o jogador controla Hank pro diversas telas, derrotando inimigos em tempo real para acumular experiência e ouro. Experiência é usada para se passar de nível e cada nível aumenta a sua energia, além de poder aumentar a velocidade de Hank em até 10 incrementos, o que é uma benção, já que a velocidade normal é quase intolerável. O ouro acumulado pode ser usado para comprar armas, sendo que certos chefes só são vulneráveis à algumas delas, assim comprá-las se torna essencial (voltaremos à isso mais tarde). O ouro também pode ser usado para comprar itens como ervas, que recuperam parte da sua vida e ao entrar em certas cabanas você pode descansar, assim recuperando sua energia, pagando uma taxa.

Existem outros dois stats que vale à pena mencionar: Dias, sendo que cada uma se passa em 45 segundos em tempo real no jogo e funciona como um timer que influencia o final que você irá receber ao terminar o jogo – e Pontos de Magia! Você deve estar se perguntando o que diabos magia tem a ver com King Kong: neste jogo Hank pode usar pergaminhos mágicos recebidos dos moradores do local, que podem ser usados para derrotar certos inimigos. A desvantagem disso é que apenas Bucklers e Grassogres podem restaurar os seus Pontos de Magia – morrer e continuar não reseta seu contador.

Golnebo é uma ilha bem grande com muito à se explorar, sendo que boa parte disso só fica disponível após derrotar os chefões que vagam pela ilha. Você não precisa jogar mais que uns poucos minutos para encontrar o primeiro deles: um urso enorme que é invulnerável aos seus golpes e é capaz de dar uma tremenda surra em Hank. À menos que você já tenha jogado este jogo antes, sem dúvida você morrerá aqui e será obrigado à recomeçar. Felizmente, os continues são ilimitados e com exceção do MP, a maioria dos seus stats permanecem os mesmos de antes de sua morte. Mas isso não significa que morrer não tem nenhuma consequência. O jogador deve evitar usar muitos continues, pois assim como o número de dias, eles também influenciam no final do jogo.

Procurando o suficiente, o jogador acabará aprendendo com alguns contrabandistas escondidos em uma cabana que apenas um machado é capaz de ferir o urso e que apenas uma faca pode ferir a aranha gigante – e por acaso eles tem ambas armas para te vender!! Tentar comprar o machado neste momento é impossível mesmo que você tenha os fundos necessários, o que faz do urso uma armadilha para jogadores iniciantes. Comprar a faca lhe custará 200 peças de ouro, o que não é pouca coisa. Não se iluda achando que você vai conseguir todo este dinheiro e ainda ter o melhor final, já que esse jogo exige muito “grind”, algo que os jogadores de RPG mais experientes estão acostumados, mas ainda assim é algo bem maçante. Você vai acabar se vendo entre duas telas, derrotando inimigos para conseguir ouro e experiência, e às vezes conseguindo uma erva ou duas. Os inimigos desta vez são um pouco mais apropriados que aqueles em Megaton Punch: javalis, vermes gigantes, sapos venenosos e todo o tipo de animal que você possa imaginar que vive na selva, alguns até com estranhas diferenças de cor e tamanho. Há também o que parecem ser homens dar cavernas, mas eles na verdade representam o povo tribal que habita a ilha.

O jogo tem uma progressão consistente e natural: para derrotar um chefe você precisa adquirir o item necessário para derrotá-lo. E como você consegue este item? Você deve seguir as dicas dos habitantes da ilha que vivem nas cabanas. E como você consegue mais pistas? Derrotando chefes, o que abre outros setores da ilha para explorar. Saber onde ficam os itens e armas torna mais fácil terminar o jogo rapidamente, o que aumenta suas chances de conseguir o melhor final. Existem três finais que você pode receber após resgatar Lady Kong: o final ruim acontece se você demorar mais de um ano “in-game” para terminá-lo, o final feliz acontece se você terminar antes de 365 dias e usar 33 continues ou mais e finalmente, se você usar menos de 33 continue, você receberá o melhor final.

Levando tudo isso em consideração, vale à pena jogar esta versão do MSX2? Se você anda à procura de um outro RPG similar ao Ys, especialmente um que escapa do lugar comum da fantasia medieval, a resposta é sim. Sem contar que o fato de tratar de um jogo da Konami e ser da franquia King Kong tornam as coisas ainda mais interessantes. Sendo um RPG, ele tem muito mais texto que o jogo anterior e nunca foi lançado fora da Ásia. Mas desde o fim dos anos 90 houveram várias traduções para inglês e espanhol, mas existe uma tradução definitiva (os screenshots acima são desta tradução) que até traz de volta conteúdo não-utilizado do jogo! Interessante notar que o jogo foi lançado na Coréia do Sul pela Zemina, com sua própria e tragicômica tradução para o inglês, que inclusive trocou o logo da Konami pelo da própria empresa, na abertura do jogo.

Conclusão

Apesar de tanto o jogo do Famicom quanto o do MSX não se destacarem nos seus respectivos gêneros, ambos são jogos divertidos, sendo bem lembrados no Japão e conquistaram um status cult pelo mundo através da emulação (a demanda por estas traduções não-oficiais serve como prova disso, de certa forma). A versão de Kong em Megaton Punch faz parte do elenco de personagens da Konami no jogo Wai Wai World do Famicom, figurando ao lado de ícones da empresa, como Goemon e Simon Belmont! Infelizmente esta foi sua última aparição pela Konami, e teria sido seu último jogo de vídeogame se não houve sido lançado o jogo do filme de 2005 por Peter Jackson King Kong para o Xbox 360 – isso sem contar no que veio depois, com Godzilla vs. Kong

Vídeos

Gameplay
Playlist com a trilha sonora

Fim do Fight! King Kong 2!

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