Fight! The Fairyland Story

Por Lee Tursi em 15 dezembro de 2019

The Fairyland Story – Arcade, MSX, X68000, PlayStation 2, PSP (1985)

Qualquer pessoa com um conhecimento médio sobre vídeogames sabem o que é Bubble Bobble e tem um certo respeito por ele (um respeito bem merecido, diga-se de passagem. O que muita gente não sabe é que a Taito pegou idéias de outros dois jogos seus para criar o que muitos consideram uma das obras-primas da empresa, perdendo apenas para Space Invaders. Os dois jogo que inspiraram Bubble Bobble são Chack’n Pop The Fairyland Story. Apesar de Mr. Chack’n (e seus inimigos) se tornarem personagens importantes da série Bubble BobbleBubble Bobble pegou alguns dos elementos de jogabilidade de The Fairyland Story e os refinou em um jogo que todos conhecem e amam. Apesar de Bubble Bobble (e Chack’n Pop, em um nível menor) ser lembrado por muitos, The Fairyland Story não teve a mesma sorte, se tornando um jogo esquecido (mas por de ser que você lembre dele se você jogou Rainbow Islands, onde uma das ilhas secretas é baseada nele) e quando é lembrado, é geralmente rejeitado como sendo um “clone de Bubble Bobble”, quando a verdade é bem diferente. Ele foi lançado um ano antes de Bubble Bobble, para começar. Apesar dele conter alguns elementos de jogabilidade similares aos do Bubble Bobble, The Fairyland Story deve ser considerado como seu predecessor, além de ser um um jogo bem diferente no final das contas.

Arcade

Desenvolvido e lançado pela Taito em 1985, The Fairyland Story é um jogo de plataforma de tela única que tem como foco a aventura de uma jovem bruxinha chamada Ptolemy, na qual ela busca recuperar a “Holy Gem” roubada por uma mistura de dragão com basilisco, que tem o nome adequado de Dracolisk. Apara conseguir isso, ela deve atravessar 101 fases e derrotar todos os monstros que à aguardam em cada uma destas fases. Seu ataque principal é uma magia fraquinha que torna seus inimigos em bolos, temporariamente. Ele pode ou ficar atacando sem parar até que o inimigo transformado em bolo desapareça, ou ela pode empurrá-lo pela beirada, fazendo o inimigo cair para a sua morte. Se algum inimigo estive embaixo de um bolo em queda, ele é esmaga e morto também. Se dois inimigos estiverem na trajetória de um bolo que cai, uma medalha que dá pontos extras aparece onde eles morreram e enquanto Ptolemy permanecer viva, eles bônus se multiplicam, dependendo de quantas medalhas forem coletadas e de quantos inimigos forem mortos no mesmo lugar. Há também alguns itens extras que dão à Ptolemy uma vantagem temporária contra seus inimigos. Eles aparecem periodicamente, variando desde um cajado que deixa os inimigos mais lentos à uma tiara que faz chover estrelas cadentes sobre os inimigos, limpando a fase. E assim como em Bubble Bobble, há um limite de tempo para cada fase. Se Ptolemy demorar muito para completar uma uma fase, com dois ou mais inimigos restando, um demônio voador invencível chamado Horned aparecerá e perseguirá Ptolemy, tentando matá-la. Mas se restar apenas um inimigo na fase, o inimigo simplesmente desaparece e o jogo terminará a fase.

Arcade

Para um arcade de 1985, o jogo até que envelheceu bem graficamente, com seus personagens fofinhos, com a própria Ptolemy e os vários personagens com temas de fantasia sendo bem coloridos e charmosos, além de bem animados. Ptolemy também conta com várias animações de morte, onde em uma delas ela pisca para o jogador, aborrecida ao se queimar com alguma coisa. As fases e cenários são bem detalhados para o que se propôem. O som não é ruim também, usando um chip sintetizador MSM5232 para a música, um chip de som raramente usado em máquinas de arcade e seu uso é muito bom em comparação com outros jogos que também o utilizam, com faixas bacanas com temas aventurescos. O ponto alto da trilha sonora é a música que toca entre as fases 51-100, que é bem bacana, com um sentimento de perseverança. Apesar dos efeitos sonoros usarem o chip AY-3-8910 que é algo mais ordinário, o jogo também o utiliza muito bem, com praticamente tudo tendo o seus próprio e distinto efeito sonoro. Esmagar os inimigos conta com um efeito sonoro surpreendentemente bacana e o efeito sonoro do dragão inimigo carregado o seu ataque de chamas (oficialmente chamado de Salamander) te avisa muito bem que você está prestes às ser torrado. A música foi composta por Tadashi Kimajima, que mais tarde faria também as músicas de Bubble Bobble.

Arcade

Agora que você já teve uma breve descrição das mecânicas do jogo, você deve estar se perguntando como este jogo é diferente do Bubble Bobble em termos de gameplay. Enquanto Bubble Bobble é um jogo que qualquer um consegue pegar e jogar (o que é uma característica dos jogos de arcade mais lembrados), The Fairyland Story não é tão fácil, pois como o jogo tem um ritmo mais lento, ele é um pouco mais difícil de controlar, devido ao pulo mais “seco”, além do detalhe mais importante de todos: este é fundamentalmente um jogo muito mais “puzzle” que o Bubble Bobble. Apesar de certamente Bubble Bobble ter algumas fases com apenas uma maneira de serem resolvidas, The Fairyland Story eleva ainda mais este conceito, contendo várias fases que podem acabar com a partida se o jogador não souber como enfrentá-las. Além disso, o “pulo-curto” (dar um toque no joystick na direção da plataforma em que quer chegar no meio do pulo para interrompê-lo para alcançar algumas plataformas mais para frente no jogo – round 95 em particular) e o fato de Ptolemy poder usar a cabeça dos inimigos como plataforma (desde que o inimigo não pule), parece ser algo mais simples que o Bubble Bobble à princípio, mas quando você percebe que em algumas fases você deve manipular a inteligência artificial do jogo, além da imensa quantidade de pontos extra que você arrecada com medalhas e powerups, isso começa à fazer muito mais sentido.

Arcade

Mesmo se levarmos em consideração as mecânicas básicas do jogo, The Fairyland Story contêm mais elementos de estratégia que Bubble Bobble, pelo que dá pra perceber só pelo sistema de pontuação. O jogador pode jogar de forma segura, enfrentando um inimigo por vez (e não conseguindo muitos pontos com isso) ou arriscar a vida (e os pontos extras) para encurralar os inimigos num lugar só (e a maioria, senão todas as fases tem um lugar para isso) e ganhar muito mais pontos fazendo isso. E se o jogador morrer, ele deve recomeçar a fase, sendo que o multiplicador de bônus das medalhas reseta. Vixe! Bubble Bobble te perdoa mais quanto à isso, sendo que o jogador simplesmente renasce após morrer e ele meio que ainda tem alguma chance de pegar as bolhas das letras “EXTEND” mesmo se morrer. Mas se o jogador tirar vantagem da inteligência artificial dos inimigos (e do sistema de pontuação), ele pode alcançar um “high score”, o que é recompensador.

Arcade

The Fairyland Story se apóia bastante na idéia de se jogar novamente cada fase para se descobrir o melhor jeito de completá-la, o que não é em si algo ruim, mas aqui acaba sendo o maior problema deste jogo, por se tratar de um jogo arcade. Apesar de ser fácil tentar uma fase novamente em casa, isso se torna um problema no fliperama. The Fairyland Story requer mais paciência para se jogar corretamente e jogadores inexperientes vão sofrer um tanto se eles não aprenderem as mecânicas mais profundas do jogo, algo que não funciona bem num jogo arcade, algo que não acontece com seu sucessor Bubble Bobble, sendo por isso que este se tornou um sucesso, enquanto The Fairyland Story não. Apesar do jogo ser difícil de vez em quando, ele também pode ser muito fácil de manipular usando-se o máximo dos powerups que limpam a fase (fazendo Ptolemy andar o máximo possível), já que estes tendem à aparecer com frequência. A versão arcade só te deixa continuar o jogo entre as fases 8 a 98, o que era típico nos jogos da Taito na época, mas ainda assim bastante injusto, já que as fases 99 a 101 são extremamente difíceis. Outra crítica é que o modo para dois jogadores alternados, que era meio que padrão na época, já que o jogo é para apenas um jogador, na prática. Mas se o jogador tiver paciência suficiente para não relegar o jogo como um “clone” de Bubble Bobble e investir algum tempo para aprendê-lo, ele descobrirá um ótimo puzzle de plataforma com os melhores gráficos estilizados de 1985. The Fairyland Story é recomendadíssimo se você gosta de jogos de plataforma “fofinhos” e/ou jogos do estilo de Bubble Bobble e quer um jogo desafiador, ou quer conhecer mais sobre a história da Taito.

Arcade

Existem o romset americano e o japonês de The Fairyland Story, mas não há diferenças visíveis entre eles. Agora falando em conversões, além das versões emuladas do arcade que aparecem em Taito Memories JoukanTaito Legends 2Taito Legends Power-Up/Taito Memories Pocket, só existem três ports do jogo, sendo que todas elas só foram lançadas no Japão. A mais antiga delas a éa versão para o MSX. Desenvolvida pela GA-Yume e publicada pela Hot-B em 1987, esta versão é um grande downgrade em comparação com o arcade, mas ainda retém muito do charme da versão original. Talvez para compensar pela perda em gráficos e som, além do número menor de inimigos simultâneos na tela, a versão para MSX conta com várias fases novas (sendo que algumas dessas são muito mais “puzzle” que qualquer fase do arcade), assim como dois inimigos exclusivos: uma variante do Golem que é imune à magia de Ptolemy e um goblin que usa a mesma magia de bolo de Ptolemy. Ele também tem dois finais: um final ruim se você usar continues e um final bom se você não usar. O manual desta versão até apresenta algum contexto para o enredo quase inexistente do jogo. É uma versão muito boa se você já terminou a versão original, pois oferece mais conteúdo para você experimentar.

Arcade

A segunda versão e a melhor maneira de se jogar The Fairyland Story é a versão para o Sharp X68000, desenvolvida pela SPS em 1992. É uma conversão exata do arcade, além de contar com algumas opções à mais. Estas opções são a escolha da quantidade de vidas com que quer começar, se quer continuar ou não após um “game over” (e esta versão não tem aquela regra estranha de continues do arcade), resolução de tela e o mais interessante: a escolha entre duas trilhas sonoras. A trilha “Original” é uma aproximação da trilha sonora original do arcade, enquanto “Arrange” é uma trilha sonora remixada para o hardware de som do X68000. A maioria dos remixes dessa nova trilha sonora são bons, mas ouvir o X68000 tentando emular o hardware de som original é bem bacana. Mas talvez a coisa mais importante desta versão seja a possibilidade de se gravar o seu progresso após um game over, assim como os high scores. Isso é uma benção, pois como já mencionei você precisa jogar algumas fases várias vezes para dominá-las e esta versão permite que você faça isso, uma vez que você já tenha completado a fase ao menos uma vez.

Arcade

A terceira e mais misteriosa destas versões é uma para celulares lançada para aparelhos I-mode e baseados em Ezweb no Japão por volta de 2002. Não há muita informação sobre esta versão além de alguns screenshots e de algumas músicas dela que apareceram no álbum “TAITO MOBILE PHONE GAME SOUND COLLECTION Vol.1”. Apesar dos gráficos terem sido bastante diminuídos para caber na tela dos celulares da época, esta parece ser uma concersão fiel da versão arcade.

Comparativo de Fotos

Vídeos

Arcade:

MSX:

X68000:

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